Eu preciso de um resgate. Um anjo que me jogue cordas ou uma boia grande pra eu me segurar. Talvez uma escada firme pra eu ter por onde subir. É como se eu estivesse dentro de um labirinto de cercas-vivas gigantes. Rodeado por caminhos entrecortados, monstros nas sombras, sem saída olhando pra um céu que é o único espaço aberto. Sinto meu coração divergente, plastificado, como uma pele recém-curada temerosa por novas lesões excruciantes. Tenho medo de romper abismos. Como se abandonar o passado que já se foi fosse algum tipo de provação ainda não experimentada. Me sinto inocente. Me recrudesço. Me enclausuro vitimizado. Parece uma sina elástica que não te deixa seguir em frente. Uma ciranda macabra que te aprisiona. Um cárcere de grades livres que você se inventa. Eu queria um mapa aberto. Um guia solúvel de como sair de mim. A liberdade me apavora por não saber estar com ela. Não sei se vou conseguir transpor as montanhas pra estar contigo um dia, e isso me angustia. Sou uma grande angústia encapsulada. Uma represa de tristeza sempre transbordante. E enquanto me ridicularizo por me metaforizar continuo me escondendo, não sei se feito criança assustada ou homem covarde, fugindo de seus próprios porões, dores latentes, de minha eterna incapacidade de me assumir vivo
10 de fevereiro de 2012
Eu preciso de um resgate. Um anjo que me jogue cordas ou uma boia grande pra eu me segurar. Talvez uma escada firme pra eu ter por onde subir. É como se eu estivesse dentro de um labirinto de cercas-vivas gigantes. Rodeado por caminhos entrecortados, monstros nas sombras, sem saída olhando pra um céu que é o único espaço aberto. Sinto meu coração divergente, plastificado, como uma pele recém-curada temerosa por novas lesões excruciantes. Tenho medo de romper abismos. Como se abandonar o passado que já se foi fosse algum tipo de provação ainda não experimentada. Me sinto inocente. Me recrudesço. Me enclausuro vitimizado. Parece uma sina elástica que não te deixa seguir em frente. Uma ciranda macabra que te aprisiona. Um cárcere de grades livres que você se inventa. Eu queria um mapa aberto. Um guia solúvel de como sair de mim. A liberdade me apavora por não saber estar com ela. Não sei se vou conseguir transpor as montanhas pra estar contigo um dia, e isso me angustia. Sou uma grande angústia encapsulada. Uma represa de tristeza sempre transbordante. E enquanto me ridicularizo por me metaforizar continuo me escondendo, não sei se feito criança assustada ou homem covarde, fugindo de seus próprios porões, dores latentes, de minha eterna incapacidade de me assumir vivo
9 de dezembro de 2011
Hoje eu encontrei com teu pai na rua. E foi como se eu me encontrasse com um pedaço de você. Naquele momento meu coração acelerou, eu comecei a transpirar loucamente, e meu cérebro foi invadido por um turbilhão de memórias incessantes, que convulsas, me fizeram aconchegar por alguns instantes nos ombros daquele que representa tanta coisa boa pra mim. Porque você me representa tanta coisa linda, que essa nota me arrepia, e talvez seja isso que eu não queira deixar pra trás. É como se ao admitir que você se foi, eu pareça estar admitindo que nunca mais voltarei a ser feliz, como se meu único modo de ser feliz fosse com você: ao teu lado e na tua companhia. Em verdade, confesso que nunca tinha sido tão feliz quanto fui contigo, e que tenho esperança de algum dia vir a ser tanto ou mais do que fui, mas fato é que ainda não consegui. E talvez esse seja o maior desafio da minha nova vida. Aprender que eu posso ser feliz com o que ficou de você aqui dentro. Com o que resta de ti em mim. Com cada uma daquelas coisas que te ensinei e que me ensinaste. Estou repetido há meses nessa sina, nesse signo, nessa senda que é você. Não te esqueço e acho que não vou te esquecer. Mas eu queria que você me desejasse boa sorte, e que agradecesse ao teu pai pelos abraços carinhosos e solidários que ele me ofertou hoje. Inquestionavelmente eles foram lindos, e aconchegantes, e me fizeram feliz, me levando a escrever esse texto agora, pra dizer a mim mesmo que eu posso, que eu preciso, e que eu vou aprender a viver com o teu eu que vai morar pra sempre dentro de mim.
30 de outubro de 2011
Isto é uma confissão às avessas. Minha alma padece de um tipo de doença que não tem cura. Não existe soro do esquecimento ou prática imunizatória à carência de você. Estou acometido por uma desnutrição severa da alma, tão poderosa a ponto de aniquilar qualquer tentativa de socorro que tenho tentado, há meses, operar. Não reconheço mais meu espírito no espelho porque tua alma deixou rastros inocultáveis por sobre ele. Você esqueceu de me avisar que os teus desenhos são inolvidáveis, que tuas palavras são inapagáveis, e que teus toques são irremovíveis de qualquer memória. Fui condenado à pena perpétua de te amar sem direito a contraditório e ampla defesa; e hoje, passada a paixão, me sinto como um dependente químico reincidente, contumaz e falível no desejo por você. Estou rendido às tuas lembranças como um algoz para com a execução de um condenado. Não tenho mais forças para lutar. Minha dependência emocional me declarou vencido pelo tempo, e só me resta contemplar a vida passando pela janela, como um exímio condenado à espera da morte, que cedo ou tarde, como o grande amor de nossas vidas, sempre vem para nos fazer partir.
25 de setembro de 2011

28 de agosto de 2011
Tem uma nota de piano na música que eu escuto, e eu nunca tive a oportunidade de aprender a tocar um. Hoje eu chorei pela primeira vez desde que nos deixamos, lá atrás, no começo do outono. E pela primeira vez consegui vencer meio bloqueio psicológico que me impedia de sentir minha alma. Me senti humano outra vez, sensível, estimulável, doce. Eu li as cartas que você me escreveu, contemplei as fotos que você me entregou, e lembrei, por um momento, de todo o amor que você me fez sentir, de toda a aceitação que você me concedeu, de toda a proteção que você me deu, e de todo o desejo que você investiu ao me escolher. E eu lembrei que eu também te escolhi, porque nunca toquei ninguém como te toquei, porque nunca beijei ninguém como te beijei, e porque nunca mais senti nada parecido com aquilo que você me fazia sentir. Na caixa onde guardo as coisas mais preciosas que tenho tem uma foto tua, de quando eras criança, tirada na França, e tem vários corações nela. Eu queria te ligar hoje, dizer que eu sinto saudade e entendo que precisamos ficar separados, porque não é o momento para estarmos juntos, mas não consigo. Acho que é um contato desnecessário porque pra mim, você parece estar muito bem, e eu não quero de forma alguma mexer naquilo que você conseguiu construir pra você. Nessa tarde o sol se colocava como quem partia deixando rastros, memórias, marcas indeléveis como as que deixaste em mim. E apesar da vontade de estar contigo, e do desejo por sentir tudo aquilo que fazias eu sentir, eu só queria que você soubesse que sim, eu aceito me casar um dia com você, e que sim, podemos morar juntos e ter quartos separados, e que se algum dia isso acontecer, eu estarei pronto pra fazermos tudo aquilo que um dia sonhamos juntos que iríamos realizar. Sou eternamente grato à sorte surpreendente que um dia me levou a você. Te amo.
10 de julho de 2011
Tem um anjo branco na pintura do francês do século XIX. E tem um mortal envolto em um movimento congelado no tempo com o anjo no mesmo quadro do mesmo europeu. E ambos tem traços que muito se assemelham a. Eu acho que tem uma espécia de batalha como a deles dentro de mim agora. Algo que faz com que eu apague as linhas com rapidez e escreva tudo uma vez mais. Meio como que resgatando um velho hábito de derramar as linhas por sobre a tela branca à minha espera. Eu queria poder estar resolvido. Gostaria muito de me encontrar sedimentado, pronto, em movimento sequencial de início, num modo de operação que não exigisse de ti espera, aguardo, paciência ou compreensão. Mas não consigo. A grande verdade é que eu estou inacabado, em transição, incompleto, e qualquer tentativa de ponte seria difícil a despeito de não ser impossível. Seria como um movimento duplo de aguardo e espera ao qual sempre estive disposto, mas de cuja responsabilidade não posso arcar sozinho, visto que todo tipo de entrega pressupõe uma tentativa, tácita, de respeito ao outro, e preciso consignar que não posso exigir de ti nenhum tipo de espera ou atitude complacente. Há direitos e direitos, e em um relacionamento maduro, nunca podemos nos ultrapassar, tampouco o outro. Eu só queria que você soubesse que eu acho que cada um tem um tempo um momento e uma perspectiva e que não existe prazo de validade algum. Que todo tipo de afeto é processual, e que todo tipo de desejo é válido, porque só quando a gente sente com o coração a gente se move, e se algum dia eu desenhei algum passo e saí da inércia gelada da indiferença, de qualquer sorte, esse passo foi por ti. É um grande e delicioso prazer ter você guardado em minhas memórias e no meu coração. Porque você me fez descobrir que os anjos caem; e que apesar de todas as tentativas celestiais de castração, eles tem, sim, sexo.
15 de junho de 2011
É como se acendessem milhares de estrelas no céu. É como se iluminassem as trevas e as tornassem penúmbra. É como vencer todas as ondas gigantes que sempre arrasavam a praia. É como quebrar os grilhões que te prendiam à âncora. É como irromper pelas grades da cela. É como transcender todo o medo, a dor, o constrangimento e o sofrimento imbricados na pena perpétua da vida. É mais ou menos como sentir na veia a alforria formal. É uma espécie de estado de sobriedade acelerada que te retroalimenta de paz e amor. Eu queria que você soubesse que eu sempre estive perdido. Que eu sempre estive vagando pela tradução, pela tentativa moribunda e infrutífera de me fazer entender, expressar, proclamar, repartir, significar, transcender. E então chega um dia em que você, sem mais nem menos, ato contínuo percebe que não existe mais tentativa, que não existe mais necessidade, que não há premência, porque, motivo, razão ou circunstância para tentar ser. É como se tivesse uma hora, um momento e um espaço dentro do tempo em que você se percebe sendo. E aí, quando você é, não há mais nada. Todos os teus sonhos recorrentes são vencidos e obliterados, todos os teus medos e traumas são derrubados como muros, e você se vê, nu, diante de um espelho sem fim que em verdade é um campo verde infinito florido e agradável como a tarde mais confortável e especial da primavera. Tem alguma coisa a ver com uma espécie de estado transitório denominado de felicidade. Como quando tudo aquilo que você sempre quis sentir se torna sólido e imaterial e invade você na proporção da alma e então nada mais importa. É como se você recebesse as asas que sempre quis ter. E num salto, último, único, primordial, se lançasse aos céus do alto da torre em que sempre fosses prisioneiro de si mesmo. E por dentro dos ares, das nuvens, você e o vento se tornassem uma coisa só porque a vida é um mistério engraçado que sempre vai além daquilo que se vê. Diante disso, eu só queria que você soubesse que eu sempre tentava ser alguém que eu já era, e que a gente só consegue ser quem a gente é, de verdade, quando a gente se respeita plenamente, de forma visceral, nevrálgica e irrestrita, do começo ao fim, do princípio ao final, do primeiro dos fios de cabelo até a última das unhas dos pés.
Nomeando:
amor,
felicidade,
orgulho
7 de maio de 2011
26 de fevereiro de 2011
Acho que as metáforas não dão mais conta de (me) dizer. É como se existisse uma falência no modo de tradução dos meus sentimentos. Não sei mais como me dirigir a você. Ainda mais agora. Deve ser o recomeço, suponho. Deve ser essa inédita etapa de se (re)conhecer, e de (se)descobrir (n)o outro de um jeito ainda mais novo e intrigante. E se não for só receio, então deixo aqui em aberto dizendo que não sei o que é. Hoje meu coração cintila como aquele sol poente da foto: tímido, poderoso, fulgurante e iluminado. Meu desejo mais profundo é que eu consiga te entregar tudo o que eu posso, e que a gente saiba aproveitar essa oportunidade única de se proteger se amando, se respeitando daquele nosso jeito especial de outrora. Ambos somos produtos de uma operação que tem como resultado final uma imprevisibilidade acordada. Somos conquistadores do que não sabemos e do que não conseguimos elaborar, como que eternamente enredados por nós mesmos. Complexos, profundos, múltiplos, sintenticamente inacabados nos propomos a reconstruir alguma coisa que um dia começamos juntos. Não tenho o teu domínio da escrita, e na falta da tua fluidez e leveza te deixo em recorte esse pedido especial, e esse desejo quintessencial de sorte. Que tenhamos tranquilidade, paz, amor, e muita boa ventura nessa fantástica empreitada a que nos propomos seguir. Um dia eu quis a oportunidade de ser pra ti tudo aquilo que eu poderia ter sido e não fui, agora eu te digo que vou ser. Até sempre serei contigo quem eu sou, e quero que você seja comigo quem você realmente é também. Do teu eterno conquistador, com todo meu amor. ZG
4 de janeiro de 2011
Eu me sinto baleado. É como se tiros tivessem me rasgado a carne e balas implacáveis perfurado meu coração. A dor de te amar é comparável, talvez, a de um projétil se estilhaçando por dentro de meu peito. Eu queria te dizer que a gente tinha alguma coisa de puro. Nossa essência era substancialmente verdade. E o que nutríamos um pelo outro é algo tão bonito e sincero que custo a recobrar a consciência de que algum dia vou repartir algo daquela ordem com alguém novamente. Eu queria que você soubesse que eu te amo em silêncio, calado, emudecido, numa espécie de penumbra de mim mesmo por tentar incessantemente eclipsar o que eclode de cór, de dentro de mim. Tenho me perdido desde aquele dia em pensamentos e lembranças e recordações e fotos e músicas e suspiros e recortes de alguma coisa que vivemos ou sonhamos viver juntos. Inevitavelmente sou compelido a revisitar que você me fez melhor, me tornou célebre, e tranquilo, e feliz. Eu não sei como você se sente agora, e a despeito de já ter tentado de todas as formas e jeitos que concebi, respeitar a dor inevitável e a ausência inafastável de ti, acredito que fracassei. Nesta tentativa última procuro anunciar que eu sempre vou acreditar que não há limites pra te amar. E que talvez me tenha faltado na hora que mais precisei, aquela coragem inerente aos distintos, pertencente aos nobres e reais e bons homens que nunca se rendem. Eu queria ter mergulhado um pouco mais fundo, ousado um tanto mais, e respeitado o desafio que é construir uma história junto com alguém tão brilhantemente especial como você. Desejo que algum dia eu conquiste a disciplina que me faltou ao não ter lutado mais por nós, e por você. Perdão por eu ter sucumbido às minhas limitações, e não ter tentado ao máximo ser aquilo que eu poderia ter sido por ti, e não fui. Que algum dia eu seja, então. Com a benção de Caio F, e deste amor que nunca senti por ninguém exceto você;
Zé.
Zé.
Assinar:
Postagens (Atom)








