4 de janeiro de 2010
Postado por
ZG
às
11:04
Nomeando:
inexprimível
13 de dezembro de 2009
Era mais ou menos como esse dia nascendo. Só que mais especial. Tinha a intensidade desse sol que manda embora aquela treva sem fim e repetente. Tinha uma fragrância escondida como esse ar fresco e gelado do amanhecer. E teve um momento que eu achei que não podia ser. Que todas as imagens, as sensações e os toques eram de mentira, alucinações da minha fantasiosa e irriquieta mente. Não eram. Irrompiam pelo espaço todo as músicas mais intensas e a magia não cessava. Era uma espécie de encanto consentido, sincronia perfeita, sintonia fina, equação completamente equilibrada. E eu equilibrei aquele corpo algumas vezes porque parecia que a gente era par. Logo eu que sempre achei que era ímpar. E o canto dos pássaros aqui na janela me impede de fechar os olhos e sonhar. Aquele medo derradeiro de adormecer e acordar encarando que tudo não possa ter passado de sonho é algo incrustado, arraigado, que me pergola intermitente. Só que hoje parece que o medo se esvaiu, partiu, seguiu rumo pra algum lugar que não me habita. Minha denúncia é minha face e nunca me senti tão orgulhoso por ser incriminado. Eu acho que quando a gente se entrega tem uma espécie de liberdade única, é um exercício de coragem, respeito e prazer, tudo amalgamado e imbricado junto. É algo da ordem do inenarrável, do indescritível e do inominável. Não foi só macio, e agora um sorriso me esboça a face, foi gostoso, pra caralho. A mágica do poeta gaúcho não me deixa esquecer que os figos são flores que abrem pra dentro.Só posso afirmar que foi lindo e que ele tem razão, em tudo e sobre as flores, principalmente.
Postado por
ZG
às
07:10
Nomeando:
carinho,
felicidade,
nove
11 de dezembro de 2009
FODA-SE VOCÊ. FODAM-SE AS BOCAS MACIAS. ODEIO SOFRER POR VOCÊ. VAI EMBORA. EU NÂO AGUENTO MAIS TE AMAR E TE QUERER SEU FILHO DA PUTA
3 de dezembro de 2009
1 de dezembro de 2009
Tem uma sombra que me persegue quando você está por perto. É como se todos os demônios e os dragões do subsolo e do além viessem à superfície e iniciassem um ritual macabro tendo por mim como oferenda. É um circo dos horrores bizarro que eu não aguento mais protagonizar. Tem uma espécie de inversão sentimental que você consegue causar, e todas as minhas resistências são transmutadas pela perturbação da tua presença, eu sinto amargura, dor, desconforto excruciante que não cessa até a tua ausência, que tenho desejado cada dia mais e mais. Eu estou com uma dificuldade absurda pra administrar a mim mesmo quando se refere a ti. Você não é quem você acha que é, quem você tenta parecer ser. Quem você é me machuca. E as nuvens que cobrem o meu céu agora estão tão escuras que eu não consigo mais ter noção de certos limiares. Teu magnetismo de composição exterior tem uma capacidade de definhar e envenenar o teu entorno, é uma espécie de maldição do tesouro, só que no final da empreitada não há tesouro, só pesadelo. Eu queria poder deixar o céu claro, fazer com que o teu magnetismo se multiplica-se e ilumina-se aos outros também, mas tua luz é paradoxalmente negra, ela suga tudo ao teu redor, reduz a pó, cinzas, nada. Não sei se você percebeu mas todo mundo que já chegou tão, ou quase tão perto de ti quanto é possível se foi. Não resta ninguém. Nada. E por um tempo eu achei que eu conseguiria restar, haver de ficar, permanecer, resistir. Agora acho que não.Que se eu conseguir vencer a tua gravidade pulverizadora ei de partir, como todos os outros, pra sempre. A salvo de ti e do teu labirinto do tesouro sem tesouro, sem saída, sem vida, sem nada.
14 de novembro de 2009
Meu mar vermelho foi você quem abriu. Na verdade nem eu sabia que você estava fazendo aquilo mas você estava, e quando eu olhei em frente tinha um oceano inteiro aberto ao meio a minha espera. Eu não sei bem quais foram as tuas palavras, os teus gestos, tenho dificuldade até pra lembrar da tua face e o que mais me inpressiona é a força da tua magia, o poder do teu ser, que repartiu aquele mar inteiro que eu acabei por atravessar. Teve um momento, e isso eu nunca tive a oportunidade de te dizer, porque no meio daquela travessia imensa você acabou me deixando sozinho sem querer, e quando eu olhava pros lados, intensamente com vontade de te perguntar alguma coisa eu só via água e mais aqueles poucos que caminhavam comigo pelo chão submarino agora descoberto. Eu queria te dizer que hoje eu acho que eu terminei de atravessar o mar vermelho, eu percebi que eu passei por todo aquele corredor, e agora que eu não estou mais cercado pela água interminável posso te afirmar que me intriga ainda o teu poder, infinito, de segurar o oceano. Queria te agradecer por teres feito com que eu tivesse um caminho que atravessar, com ou sem ti eu trilhei por ele, e agora que eu me vejo do outro lado do mar me dá medo. Eu estou alegre por ter sobrevivido mas me dá uma angústia de pensar em errar, ando meio sem coragem de subir as montanhas e correr pelas planíces que eu tanto sonhei, eu tenho medo de receber sim e não pelo meu novo caminho, e reticente, ando optanto por não caminhar, não seguir em frente, não me despir daquela indumentária pesada que eu carreguei por todo o paredão escuro e interminável e úmido que eu consegui findar. Eu só queria não precisar de garantias. Queria deixar de temer o erro. Me despir daqueles calçados apertados que me seguravam firme e ao mesmo tempo me tornavam lento. Se eu posso fazer um pedido, e eis que isso já é um deles, queria saber se tu pode ir me dizendo aos poucos daonde tu tirou aquela força toda pra segurar o mar, eu ando precisando lidar com aquelas ondas e não consigo entender o que fazer com elas. Se tem como eu fazer isso eu queria aprender. E queria também abrir o mar pra alguém, desejando que ele não fosse tão vermelho como o meu, nem tão solitário, mas queria muito fazer nascer em alguém aquilo que a tua força e a tua magia fizeram em mim.Eu ando acreditando tanto no poder do amor, que me dá uma saudade de sentir, e eu acho que com toda essa ternura eu estou pronto pra abrir um oceano inteiro pra alguém passar também, só preciso vencer aquelas ondas que me matam aos poucos e que quase te mataram também. Mas você conseguiu extinguir elas e se você pôde eu também posso. Se tem algum segredo ou alguma palavra mágica ou alguma dança ou algum passo eu queria te dizer que eu sou artista e que você não precisa se intimidar em tentar me ensinar porque eu acho que posso aprender bem.
9 de novembro de 2009
Hoje eu escrevo porque escrever é a única coisa que me resta. De tudo o que eu tenho me restaram as palavras, perdidas, descordenadas, não sabidas. Você chegou na minha vida por encomenda, numa espécie de indicação premeditada, e eu deixei você entrar pela minha fraqueza essencial de me deixar sentir. Uma espécie de sentimento de busca profunda e irrefreada que se sucede e se opera indiscriminadamente dentro de mim. Hoje eu senti a tua falta por perto. Não que estejamos próximos, porém tem uma espécie de reconforto diário que você me proporciona. É como se eu me encontrasse comigo por alguns instantes diante do espelho todo dia, e esse espelho é você. Eu tenho muita vontade de mergulhar nesse espelho, de me deixar refletir, perceber, delinear, me desenhar dentro desse reflexo que você me proporciona. Ao mesmo tempo tenho medo de você. Tenho medo de desfazer esse encanto, de quebrar essa pintura ao meio, de dissolver o espelho em vidro e prata. Eu queria te dizer que você está ocupando um espaço engraçado dentro de mim, e que eu não quero que ele acabe, bem como eu não quero que ele comece a ser desfeito. Eu queria te congelar desse jeito. E eu queria que você soubesse que apesar de não saber quem você é, e de não conhecer a tua voz, que eu quero você por perto me fazendo companhia. Alimentando meu sonho, Minha fantasia. Minha necessidade de encontrar um caminho. Eu acho que você faz parte de um desejo, de uma poesia, de uma inspiração, uma partitura. Você é uma elaboração do meu eu, um reflexo pintado, uma gravura recortada e distante, um esboço daquela propaganda intangível, daquele modelo ideal construído por mim. No fundo eu queria te dizer que cada recorte de ti eu guardei e que de tudo isso eu levo uma pequena certeza escondida: a de que nunca é tarde pra se conquistar e achar uma saída.
28 de outubro de 2009
18 de outubro de 2009
Kriptonita não é aquilo que você acha que é, eu já te disse o que é, e você com certeza não lembra, nem nunca lembrará. Tinha uma bola amarela no lago naquele dia e a previsão metereológica era de que ia chover muito. Esqueceram de dizer que ia ser raios. Choveu raios aquele dia. E em todos os dias depois daquele dia em que você me deu liberdade pra. Esse texto você nunca vai ler porque você não lê o que eu escrevo, você não me lê na verdade. Eu acho que eu fiz a maior das idiotices quando fiz tudo o que fiz pra você. Idiotice porque idiota na raiz semântica quer dizer 'aquele que não reconhece a si mesmo' e eu não me reconhecia mesmo. Eu adoro muitas coisas que tu consegue conquistar mas detesto a forma como você as aproveita. Tem algumas coisas que eu gostaria de experimentar antes de me despedir de você mas como eu sou repetente em despedidas acho que não vou conseguir ir embora daquele jeito que eu gostaria. Tem uma parte tua que me causa frio nas mãos e que me congela em profundidade visceral. Acho que é aquele domínio que eu invejo do controle de si, uma espécie de dissimulação quase-perfeita se não fosse o fato de que eu te conheço. E se eu te leio dos pés à cabeça, do avesso ao contrário fica complicado atuar. Tem um poema que diz que 'cedo ou tarde' a você sempre cedo. E eu tenho algumas coisas que eu já te disse que eu queria dizer de novo e de novo e de novo mais umas dezenas de vezes porque acho que você as deveria escutar até criar calos nos ouvidos. E existe uma coisa que você não conhece que se chama essência. E eu gostaria de ser informado quando você encontrar. Eu também queria deixar resgistrado nesse cofre que todas as palavras que eu te enderecei você não teve conhecimento e que quando eu disse que precisava matar uma estrela essa estrela era você. E eu queria que um dia você encontrasse a senha desse refúgio porque a gente sempre escreve pra alguém ler. E eu escrevi várias vezes sem senha pra você. Não vou mais criptografar mensagens em palavras, nem transvestir atitudes em entrelinhas, nem construir fatos desenhados pra tentar te dizer. Não preciso mais tentar me transgredir porque não sou mais a tentativa acoplada de me fotocopiar ajustada de você. E assim, acho que já passou da hora de você rever o teu conceito de maciez porque de cada dez bocas que você beijou me cansava ouvir você dizer que onze eram macias. Duvido. Da maciez e da quantidade de bocas.
18 de setembro de 2009
Algumas considerações sobre você e eu. Nós temos um segredo em comum. Nossas semelhanças nos unem. Somos muito diferentes porém muitas vezes me vejo em você. Estamos sempre brigando conosco mesmos. Descobri que gosto de você do jeito que você é, por que isso é gostar de verdade. Sinto falta de ter você por perto, de poder me dividir contigo, de poder te ouvir, te ver, eu sinto falta da tua presença na minha vida porque eu gosto de você. Eu sempre gostei muito de você. Vivemos histórias entrecruzadas que se assemelham às vezes. Não tenho ninguém com quem conversar sobre você, a tua relação comigo é a única que nem meus amigos, nem meus pais, nem ninguém tem conhecimento, nem opinam. Eu sempre banquei você, desafiei todos e a mim mesmo por ti. Todas as vezes que converso contigo meu corpo treme e eu me sinto alterado. Eu não sei quem você é por completo. Meu medo gigante é da nossa aproximação. Eu sinto falta de uma reciprocidade contigo. Eu nunca te entendi tanto quanto hoje. Eu tinha muitas considerações pra te fazer. E a maior delas talvez é que quando se trata de você sempre se tem alguma coisa a dizer. Você nunca se esgota, nunca se acaba, nunca arrefece, nunca esvazia. Muito daquilo que eu escrevo sempre foi pra você ler. Eu penso em você muito. Gostaria de ter você do meu lado pra me acompanhar em muita coisa que eu vivo. Sempre quis que você fizesse parte da minha vida. Sempre me sinto bem quando estou ao teu lado. Quando estou na tua presença me sinto confiante, forte, altivo. Você é aquela pessoa que me fez várias vezes querer saber o porquê das coisas. Você sempre me ensinou muita coisa que ninguém mais ensinou. Ninguém substitui a tua presença porque você é inesquecível. Ninguém se assemelha a você porque você é, na tua possibilidade material, autêntico. Eu não sei o quanto nem como, nem certeza absoluta da amplitude possuo, mas tenho consciência plena de que quero o teu bem. Se eu pudesse passaria muito do meu tempo contigo e na tua companhia. Você exerce em mim uma repetitividade óbvia e explícita que ninguém mais exerce. Eu me sinto preso por você. Queria muito que eu pudesse saber até onde você vai. Meu temor dos dias seguintes é sempre de uma ansiedade que não me deixa tranquilo, e me sinto sem sossego porque gostaria muito de saber até onde você vai com aquilo que te confidencio. Nos confidenciamos muitas coisas e eu sempre me sinto cúmplice teu, apesar de que, infelizmente na maioria das vezes só você é meu. Queria ser teu cúmplice também. É um cárcere não saber o quanto você gosta de mim; e se você gosta de mim. Passei horas incontáveis contigo e tenho vontade de repeti-las todas porque apesar de todos os pesares e de toda a minha insustentabilidade perante ti eu me sinto feliz contigo. Eu me sinto diminuido, fraco, submissso e subserviente também. Nunca te pergunto nada não é pra não ter que ouvir o que eu não quero, é pra não te conhecer mesmo. A inversão paradoxal do querer estar perto de você sem te conhecer é algo que me fascinou. Você me fascina pela complexidade simples indecifrável, pela capacidade humana e frágil inarredável, você me congela pela frieza quente da conduta, teus mecanismos psicológicos de tentativa de controle me sufocam porque você não se abre pra sentir e se dizer aquilo que a gente precisa que seja dito. E nisso eu sou como um espelho. Eu queria que você conseguisse entender aquilo que nem eu mesmo entendo. Eu sempre quis entender porque eu gostava de você, mesmo você sendo comigo quem você é e muitas vezes agindo comigo como você age. E o fato é que eu te amo porque você é quem você é. Apesar de não saber quem você é ao certo. Você representa pra mim um triunfo sonhado, a espécie de idealização ambiciosa que você sempre me imputou. Eu tenho vontade de passar horas e horas discorrendo e falando. Uma sessão é quase nada perto de uma vida de pensamento e tentativa de entendimento. Queria deixar algumas coisas claras, translúcidas, quero muito que você faça parte da minha vida por que eu gosto de você. Das dezenas de vezes que viajei pra casa e das semanas em que fiquei lá sempre fiquei esperando por ter a oportunidade da tua companhia. Hoje me sinto sóbrio o bastante pra te dizer que tudo que venho sentindo e pensando é fruto de um amadurecimento terapêutico de meses. Eu quero te lembrar que de certa forma nós estamos no mesmo barco e foi sempre assim que eu enxerguei a gente. Pode ser mesmo que todos os meus medos se confirmem e você não seja quem eu espero que você seja, ou pode ser que você seja exatamente igual a quem você não deixa que os outros vejam mas você é ou o inverso, não sei. Independente da resposta meu maior e derradeiro pedido é que comigo você seja aquele eu que você gostaria de ser, ou então, que você seja por inteiro e integralmente quem você é por que sou a partir de hoje contigo quem eu quero ser.
Assinar:
Postagens (Atom)









