Eu te amei de um jeito tão intenso e secreto e perpétuo que é até estranho falar sobre isso porque eu achava isso era tão meu e estava tão guardado que eu nunca pretendi escrever sobre. E eu nunca consegui colocar isso pra fora porque sempre imaginei que desfazer esse segredo comigo mesmo significava perder o pouco de você que eu julgava que tinha e esse era um preço que eu não estava disposto a pagar. E todas as vezes em que lia alguma palavra tua, ou esperava alguma ligação, ou escutava algum anseio teu, eu sempre tinha a disposição, irrefreável, de tentar te satisfazer porque isso me mantinha perto de você. E essa ilusão que eu criei de que um dia você ia perceber tudo aquilo que eu sentia por você sem precisar dizer, e que você estaria disposto a viver tudo aquilo que a gente podia ousar, e que por um momento, em algum instante, desse tempo que a gente passava junto você ia olhar pra fora, essa esperança inversa, que me fazia lutar contigo pelo que você queria, acabou me calando e me destruindo enquanto nos desconstruíamos continuamente. E chegou um dia em que a onda da praia levou o castelo inteiro, e quando eu abri meus olhos só havia areia e água e nem mais uma coluna estava de pé. Quando eu decidi te entregar em palavras de outros, aquilo que eu tentei conseguir te dizer e nunca disse, eu estava optando caminhar pela mesma praia onde durante toda a minha vida viveu um espectro, do sonho, inconsciente, talvez, daquilo que eu imaginei que um dia, quando sorria pensando em você, que eu chegaria perto de viver, algo que eu queria mais do que tudo. E foi o querer que me levou até tão longe e se eu posso usar esse cenário eu queria te dizer que se alguma vez alguma coisa foi teatral era porque eu estava me traindo quando fazia tudo que podia por ti, porque o meu gostar de você era tão grande, e engraçado, e terrível, que toda a confusão que eu sentia nunca me deixava claro qual definição usar quando eu chegava perto de você. E essa busca, por essa essência, que um dia eu empreendi, eu queria que você soubesse agora que arrefeceu. E eu te digo que está acabado porque é na operação do tempo, que a gente sente se a página foi virada, e se a estação se sucedeu, é como quando a pele da gente já não se arrepia mais porque o inverno partiu. E ai temos a certeza que a primavera vem em seguida. E esse é aquele em que eu tento te dizer, por mim, o que foi que se operou naquele verão, singular, que apesar de todas as nossas diferenças e incongruências, inconciliáveis e desastrosas, eu tive o prazer e a realização de viver.
27 de julho de 2009
Eu te amei de um jeito tão intenso e secreto e perpétuo que é até estranho falar sobre isso porque eu achava isso era tão meu e estava tão guardado que eu nunca pretendi escrever sobre. E eu nunca consegui colocar isso pra fora porque sempre imaginei que desfazer esse segredo comigo mesmo significava perder o pouco de você que eu julgava que tinha e esse era um preço que eu não estava disposto a pagar. E todas as vezes em que lia alguma palavra tua, ou esperava alguma ligação, ou escutava algum anseio teu, eu sempre tinha a disposição, irrefreável, de tentar te satisfazer porque isso me mantinha perto de você. E essa ilusão que eu criei de que um dia você ia perceber tudo aquilo que eu sentia por você sem precisar dizer, e que você estaria disposto a viver tudo aquilo que a gente podia ousar, e que por um momento, em algum instante, desse tempo que a gente passava junto você ia olhar pra fora, essa esperança inversa, que me fazia lutar contigo pelo que você queria, acabou me calando e me destruindo enquanto nos desconstruíamos continuamente. E chegou um dia em que a onda da praia levou o castelo inteiro, e quando eu abri meus olhos só havia areia e água e nem mais uma coluna estava de pé. Quando eu decidi te entregar em palavras de outros, aquilo que eu tentei conseguir te dizer e nunca disse, eu estava optando caminhar pela mesma praia onde durante toda a minha vida viveu um espectro, do sonho, inconsciente, talvez, daquilo que eu imaginei que um dia, quando sorria pensando em você, que eu chegaria perto de viver, algo que eu queria mais do que tudo. E foi o querer que me levou até tão longe e se eu posso usar esse cenário eu queria te dizer que se alguma vez alguma coisa foi teatral era porque eu estava me traindo quando fazia tudo que podia por ti, porque o meu gostar de você era tão grande, e engraçado, e terrível, que toda a confusão que eu sentia nunca me deixava claro qual definição usar quando eu chegava perto de você. E essa busca, por essa essência, que um dia eu empreendi, eu queria que você soubesse agora que arrefeceu. E eu te digo que está acabado porque é na operação do tempo, que a gente sente se a página foi virada, e se a estação se sucedeu, é como quando a pele da gente já não se arrepia mais porque o inverno partiu. E ai temos a certeza que a primavera vem em seguida. E esse é aquele em que eu tento te dizer, por mim, o que foi que se operou naquele verão, singular, que apesar de todas as nossas diferenças e incongruências, inconciliáveis e desastrosas, eu tive o prazer e a realização de viver.
26 de março de 2009

Eu queria que você soubesse que esse texto foi escrito depois de uma sessão de cinema do dia 26 de março de 2009. E eu queria te dizer que você foi o meu primeiro melhor amigo de verdade. Eu já tinha tido outros amigos, pessoas com quem me dividia, por quem lutava, pessoas com as quais eu planejava meus sonhos e compartilhava as minhas idéias, no entanto, com nenhuma delas eu podia ter sido eu, e contigo eu pude. Eu queria que você soubesse que você é uma das pessoas mais fantásticas que eu conheci em toda a minha vida. Eu agradeço a deus ou ao que quer que seja que rege as nossas vidas sempre que me lembro que um dia eu já pude falar com você, eu agradeço por ter tido a oportunidade e a chance de ter sido teu amigo. Quando eu olho pra todos esse meses desse mais de um ano de convívio eu vejo sonho realizado, vida e felicidade. Porque? Porque você me deu a esperança, real, de que um dia eu poderia vir a ser feliz. E eu queria te lembrar que isso não é idolatria, nem nada do gênero, isso é sinceridade, sentimento e verdade, porque você também me ensinou o que é ter um coração bom, qual é o valor do caráter e porque devemos ter princípios. Eu queria que você soubesse ainda que eu teria milhares de frases e palavras e coisas pra te dizer, pra ressaltar, adjetivar, consubstanciar, porém não precisa. Você já sabe tudo que eu vou dizer. Eu desejo pra você toda a felicidade do mundo. Eu não sei aonde você vai morar, com quem você vai estar ou que você vai ser. Eu não sei qual é o teu futuro, se é em São Paulo, Brasília ou Nova York. Mas não importa onde , como e com quem. Eu queria que você soubesse que foi você quem me ensinou que algumas coisas são pra sempre. Eu sempre vou te admirar, vou torcer por você, vou ser o teu maior fã. Cara, eu não sou teu pai, nem teu irmão, muito menos teu parente, mas eu queria, por fim, que você soubesse, que eu morro de Orgulho de você. Obrigado por ser meu eterno maior exemplo. (e por tudo que você sempre fez por mim)
Do teu pra sempre amigo,
13 de março de 2009

Eu estava sentado num banco plano, preto e macio, com uma meia luz amarelada, e macia, sob um chão de porcelanato, branco, perolado, quase na troca de um dia pro outro, num ambiente amplo e agradável, e eu estava ouvindo a voz que me suspendeu do meu sono, e que por conseguinte me legou a abertura dos meus olhos pra vida. E a voz me dizia, com todas as letras que uma pessoa pode dizer, que tem pessoas que não sabem enxergar o outro, que tem gente que acha que as outras pessoas não podem ser melhores do que elas ajulgam que elas são, que as pessoas tem histórias, sentimentos, uma vida inteira, e que as pessoas podem sim, se importar com as outras e lhes querer seu bem. Nessa hora eu parei. Quer dizer, não sei. Acho que eu acelerei tanto que eu morri e nasci ali, de novo, pela centésima vez nessa vida, mas foi diferente porque naquele mesmo instante eu acordei diferente. Eu tenho a estranha mania de acreditar no melhor das pessoas. Eu acho que eu sou assim porque eu tenho um coração, bom, e agora, mais do que nunca, eu percebi isso, e essa minha característica, ingênua, romântica, sonhadora, explica muita coisa, de sempre, da minha vida toda. E eu levei a voz até o seu destino, e eu a ouvi por todo o percurso, e ela me disse tantas coisas legais e bonitas que eu cheguei a mais conclusões que não são definitividades: são as impressões da vida em mim, eu sou marcado pelos sentimentos e pelas vivências do meu trajeto. Eu amo as pessoas. Muito. E eu queria dizer às vezes eu sou tão feliz por causa delas que eu não acredito que essa é a minha vida. Mas é. E acabou essa história de dizer que o que eu vivo não existe, que nada disso é real. Sim, isso é sério, existe, e isso, pra mim, é viver.
3 de março de 2009
