Eu sempre tive medo de ser feliz amando. Desde sempre acreditei que eu não merecia o exercício dessa felicidade. Um dia, enfrentei com o destemor dos inocentes os muros construídos por mim mesmo que me impediam de amar. Descobri que a imensidão do sentir não tem limites. E aí o destino me trouxe você. Apresentou-me uma pessoa incrivelmente especial. Como uma estrela rara encapsulada. Naquele momento alguma coisa mexeu comigo. Foi como se eu tivesse enxergado que havia uma luz presa no interior daquela gema preciosa. E aquela luz pulsava e brilhava numa intensidade tal, que fui compelido a libertá-la. Lutei com afinco para vencer todas as defesas que prendiam a estrela no interior do cristal, enfrentei tempestades, redemoinhos e nevascas, e consegui abrir o segredo que a enclausurava. Hoje percebo-me iluminado pela luz estelar, e ao mesmo tempo em que explodo de felicidade, sou tomado por aquele medo repetido. Meus fantasmas dizem que não a mereço, que por ser quem sou não posso ficar com ela. Talvez seja por isso que sempre pedi pra você: -Fica comigo. Eu preciso de ti porque só você pode me ensinar a largar da borda. Eu preciso de você porque eu me encontrei em ti. E tenho certeza que você me faz bem. Neste instante eu queria te agradecer profundamente por cada segundo de cada minuto de cada hora. Te dizer que sou uma pessoa incrivelmente melhor desde o dia em que passei a estar contigo. Muito obrigado por ter vindo me encontrar. Por ter largado da borda. Por enfrentado valente e corajosamente o desafio que é amar. Agora é chegada a hora em que preciso de você. Preciso que você me ensine a vencer as corredeiras. Que você me oriente a percorrer as esquinas. Que você me ajude a vencer os meus fantasmas com a tua luz. Pega na minha mão quando você também não souber o caminho e vamos descobri-lo juntos. Ensina-me os percursos que já sabes porque eu sou teu. Uma vez eu disse, e hoje repito: não quero mais imaginar a minha vida sem você. Eu te amo tanto que cheguei à conclusão que fazes parte de mim para sempre.
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22 de dezembro de 2012
9 de julho de 2012
Amar é isso. É não sentir limites pra mais nada. É correr as lágrimas sempre presas. É permitir vida onde só havia morte. É uma espécie de liberdade sem fim. É como se você deixasse para trás todas as máscaras as sombras e os medos que te encarceravam. Amar é ficar nu. Irrevogavelmente translúcido. Transparente numa espécie de vulnerabilidade consentida. Eu queria que você soubesse que eu te amo. E que isso faz de mim uma pessoa incrivelmente melhor. Você me devolveu a vontade de viver. Você me concedeu poderes que eu nunca tive. E hoje eu me realizo com o simples fato de pensar na tua existência. É uma espécie de lucidez extremada indefinível. E me faltam palavras, agora, pra descrever a imensidão do que me fazes sentir. A grandeza que você me provoca. A apoteótica e celestial febre de sentimentos que me acomete quando estou contigo. Você é minha paz. Meu espírito. Meu refúgio. O caminho por onde a ponta do dedo aponta o futuro. Você é a felicidade empenhada no grito. E eu vou lutar, incansável e ardorosamente por ti. Não vou largar da tua mão, porque eu preciso de você ao meu lado. Espero poder te realizar como você me realiza. Eu quero que você saiba que há meses todos os meus sorrisos meus sonhos e minhas esperanças são teus. E não há nada que me furte, neste instante, a te afirmar que eu sou teu. Obrigado por existir. Te agradeço por cada segundo de cada dia, por cada letra de cada linha; e por teres tido a coragem, nobre e honrosa, de lutar por ti mesmo, por mim, e por nós. Confesso, por derradeiro, que tenho um desejo, último: conseguir, algum dia, de forma absoluta, te fazer ter certeza de que nós sempre vamos ter valido às penas, todas. Eu queria que você soubesse que eu nunca vou te esquecer, e que a partir de hoje você faz, de modo inexorável, parte de mim. Para todo o sempre.
21 de junho de 2012
27 de abril de 2012
Vinte e três de abril e lá se vão dois anos. Eu sei que você não se recorda mais de mim na intensidade com que talvez eu me lembre de ti. Que eu fui só mais um dentro os outros todos. E que felicidade é mais simples do que se pensa. E eu queria te dizer que eu sei disso tudo. E a despeito de sabê-lo, ainda guardo, no fundo de mim, um baú cheio daquele amor que te empenhei. Confesso que venho tentando, apesar dos votos de eternidade, com cada vez mais afinco, quebrar o cadeado com que guardei minhas reservas de amor, mas não tenho tido êxito. Dia desses me propus a atravessar madrugadas em busca da chave. Atravessei estrelas, ventos, ondas. Na semana seguinte, me permiti colher desejos, toques, sinos, sonhos, fui par da juventude que não envelhece nunca. E apesar de todos os meus respeitos e minhas buscas, não encontrei a referida chave. Tenho pensado que talvez me reste uma chance, última. Se ela está perdida para sempre, quem sabe seja a hora de confeccionar uma chave-mestra. Que possua o segredo da trava. Que consiga escancarar o fecho, desenlaçar o bloqueio, libertar o tesouro que guardo no fundo de mim. E quem sabe eu não precise de ajuda alguma, como você bem tentou me dizer. Estou a caminho do encontro com o chaveiro que vai me acompanhar nesse trabalho, último, de acesso ao agora homem que me tornei.
26 de março de 2012
Quando era pequeno beijei uma menina escondido no pátio de meus vizinhos, e fui flagrado. Meus cabelos são incontinentes em sua rebeldia. Não há corte, penteado ou jeito que os amanse, parecem com as nuvens dos céus que eu sempre procurei perscrutar: indomáveis, insanas, incessantes, incontroláveis. Quem sabe tudo não tenha começado naquela advertência no jardim. E hoje se desenrola nesse homem que não se encaixa. Que entende que não é simétrico o suficiente, que não possui os dotes que deveria, e que, aprisionado em suas formas carnais, não encontra amparo nas aprovações que tenta construir para si. Aquela menina do beijo hoje parece à minha frente, realizada por escolhas e conjeturas, está emoldurada em caminho semelhante ao meu mas diametralmente oposto. Àquela época, com candura, fui presenteado por ela com um microfone, rosa. Acho que eu fazia 5 ou 7. E essa é a primeira vez que uso números por aqui. Tamanha é minha congestão mental deles. Estou tomado por algorítimos que me cobram, exigem, que me prensão em uma parede que não é táctil. É da ordem daqueles elementos que determinaram que meus fios de cabelo seriam ariscos, meu rosto redondamente incômodo, e minha pele erupta. Minha vida é uma guerra sem intervalos, uma batalha sem descanso, uma espécie de corrida onde cada passo dado significa. É como se eu vivesse dentro de um eterno tornado em colapso. Sedento por levar ao chão os retratos, os desejos e as histórias lindas pregadas nas paredes que algum dia autorizaram que eu deixasse de viver por mim.
10 de fevereiro de 2012
Eu preciso de um resgate. Um anjo que me jogue cordas ou uma boia grande pra eu me segurar. Talvez uma escada firme pra eu ter por onde subir. É como se eu estivesse dentro de um labirinto de cercas-vivas gigantes. Rodeado por caminhos entrecortados, monstros nas sombras, sem saída olhando pra um céu que é o único espaço aberto. Sinto meu coração divergente, plastificado, como uma pele recém-curada temerosa por novas lesões excruciantes. Tenho medo de romper abismos. Como se abandonar o passado que já se foi fosse algum tipo de provação ainda não experimentada. Me sinto inocente. Me recrudesço. Me enclausuro vitimizado. Parece uma sina elástica que não te deixa seguir em frente. Uma ciranda macabra que te aprisiona. Um cárcere de grades livres que você se inventa. Eu queria um mapa aberto. Um guia solúvel de como sair de mim. A liberdade me apavora por não saber estar com ela. Não sei se vou conseguir transpor as montanhas pra estar contigo um dia, e isso me angustia. Sou uma grande angústia encapsulada. Uma represa de tristeza sempre transbordante. E enquanto me ridicularizo por me metaforizar continuo me escondendo, não sei se feito criança assustada ou homem covarde, fugindo de seus próprios porões, dores latentes, de minha eterna incapacidade de me assumir vivo
Nomeando:
angústia,
confusão,
doze,
inexprimível,
verdade
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