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9 de dezembro de 2011


Hoje eu encontrei com teu pai na rua. E foi como se eu me encontrasse com um pedaço de você. Naquele momento meu coração acelerou, eu comecei a transpirar loucamente, e meu cérebro foi invadido por um turbilhão de memórias incessantes, que convulsas, me fizeram aconchegar por alguns instantes nos ombros daquele que representa tanta coisa boa pra mim. Porque você me representa tanta coisa linda, que essa nota me arrepia, e talvez seja isso que eu não queira deixar pra trás. É como se ao admitir que você se foi, eu pareça estar admitindo que nunca mais voltarei a ser feliz, como se meu único modo de ser feliz fosse com você: ao teu lado e na tua companhia. Em verdade, confesso que nunca tinha sido tão feliz quanto fui contigo, e que tenho esperança de algum dia vir a ser tanto ou mais do que fui, mas fato é que ainda não consegui. E talvez esse seja o maior desafio da minha nova vida. Aprender que eu posso ser feliz com o que ficou de você aqui dentro. Com o que resta de ti em mim. Com cada uma daquelas coisas que te ensinei e que me ensinaste. Estou repetido há meses nessa sina, nesse signo, nessa senda que é você. Não te esqueço e acho que não vou te esquecer. Mas eu queria que você me desejasse boa sorte, e que agradecesse ao teu pai pelos abraços carinhosos e solidários que ele me ofertou hoje. Inquestionavelmente eles foram lindos, e aconchegantes, e me fizeram feliz, me levando a escrever esse texto agora, pra dizer a mim mesmo que eu posso, que eu preciso, e que eu vou aprender a viver com o teu eu que vai morar pra sempre dentro de mim. 

10 de julho de 2011

Tem um anjo branco na pintura do francês do século XIX. E tem um mortal envolto em um movimento congelado no tempo com o anjo no mesmo quadro do mesmo europeu. E ambos tem traços que muito se assemelham a. Eu acho que tem uma espécia de batalha como a deles dentro de mim agora. Algo que faz com que eu apague as linhas com rapidez e escreva tudo uma vez mais. Meio como que resgatando um velho hábito de derramar as linhas por sobre a tela branca à minha espera. Eu queria poder estar resolvido. Gostaria muito de me encontrar sedimentado, pronto, em movimento sequencial de início, num modo de operação que não exigisse de ti espera, aguardo, paciência ou compreensão. Mas não consigo. A grande verdade é que eu estou inacabado, em transição, incompleto, e qualquer tentativa de ponte seria difícil a despeito de não ser impossível. Seria como um movimento duplo de aguardo e espera ao qual sempre estive disposto, mas de cuja responsabilidade não posso arcar sozinho, visto que todo tipo de entrega pressupõe uma tentativa, tácita, de respeito ao outro, e preciso consignar que não posso exigir de ti nenhum tipo de espera ou atitude complacente. Há direitos e direitos, e em um relacionamento maduro, nunca podemos nos ultrapassar, tampouco o outro. Eu só queria que você soubesse que eu acho que cada um tem um tempo um momento e uma perspectiva e que não existe prazo de validade algum. Que todo tipo de afeto é processual,  e que todo tipo de desejo é válido, porque só quando a gente sente com o coração a gente se move, e se algum dia eu desenhei algum passo e saí da inércia gelada da indiferença, de qualquer sorte, esse passo foi por ti. É um grande e delicioso prazer ter você guardado em minhas memórias e no meu coração. Porque você me fez descobrir que os anjos caem; e que apesar de todas as tentativas celestiais de castração, eles tem, sim, sexo.

30 de maio de 2010

Eu confesso porque eu nunca soube contar. Minha vida toda é um sequencial de confissões de toda ordem e te toda sorte que eu acabei colocando mais ou menos em desordem. E hoje eu queria deixar consignado aqui que você é a última e a mais intensa de todas as minhas confissões até agora. O ato de discorrer sobre aquilo que me embebe e me extravasa é uma tentativa juvenil de te deixar marcado de alguma forma nesse esboço virtual que eu concebi um dia. Hoje eu me sinto o garoto que eu me tornei porque você junto comigo conseguiu efetivar todos os desejos e os anseios de uma juventude toda represada. E eu tenho vontade de te agradecer a todo momento porque se não fosse você e aquele número de telefone trocado na chuva daquele abril esse esboço talvez ainda fosse aquela quotidiana e insana repetição triste do mesmo. Por você estar perto eu consegui fazer com que a troca fosse completa e por isso só uma intersecção ofertada e aceita nos encerra. E na tarde de hoje, lá perto da cachoeira do menino deus, eu senti uma ponta daquilo que a gente se disse entre aspas. Não que eu não ache que estamos completamente certos ao sermos cautelosos, no entanto, parece que a marcha do destino é meio obstinada e certeira e veloz e ela nos leva no sentido daquilo que talvez mais temamos ter que um dia dizer um ao outro, num relato reflexo perfeito e exato de um sentimento que brota, e que um dia talvez germine e frutifique e mude até talvez tudo aquilo que você sempre achou sobre isso. E esse sentimento que você talvez um dia venha a sentir é tão paradoxalmente abundante em minha história que quem sabe esse é o ponto simétrico dos nossos conjuntos de elementos que agora se cruzam e se unem e se mantém divididos ao mesmo tempo. Quem sabe só uma grande fórmula-função-matemática consiga dar conta de entender essa loucura toda que a gente é junto, porque separados já éramos. E eu só queria pedir aqui nesse pedaço e nessa linha que você acredite, porque se você o fizer tudo aquilo que você quiser vai ser e um dia eu disse e eu tenho certeza que tudo aquilo que eu sempre achei que fosse era. Eu ∩ Você.

13 de dezembro de 2009



Era mais ou menos como esse dia nascendo. Só que mais especial. Tinha a intensidade desse sol que manda embora aquela treva sem fim e repetente. Tinha uma fragrância escondida como esse ar fresco e gelado do amanhecer. E teve um momento que eu achei que não podia ser. Que todas as imagens, as sensações e os toques eram de mentira, alucinações da minha fantasiosa e irriquieta mente. Não eram. Irrompiam pelo espaço todo as músicas mais intensas e a magia não cessava. Era uma espécie de encanto consentido, sincronia perfeita, sintonia fina, equação completamente equilibrada. E eu equilibrei aquele corpo algumas vezes porque parecia que a gente era par. Logo eu que sempre achei que era ímpar. E o canto dos pássaros aqui na janela me impede de fechar os olhos e sonhar. Aquele medo derradeiro de adormecer e acordar encarando que tudo não possa ter passado de sonho é algo incrustado, arraigado, que me pergola intermitente. Só que hoje parece que o medo se esvaiu, partiu, seguiu rumo pra algum lugar que não me habita. Minha denúncia é minha face e nunca me senti tão orgulhoso por ser incriminado. Eu acho que quando a gente se entrega tem uma espécie de liberdade única, é um exercício de coragem, respeito e prazer, tudo amalgamado e imbricado junto. É algo da ordem do inenarrável, do indescritível e do inominável. Não foi só macio, e agora um sorriso me esboça a face, foi gostoso, pra caralho. A mágica do poeta gaúcho não me deixa esquecer que os figos são flores que abrem pra dentro.Só posso afirmar que foi lindo e que ele tem razão, em tudo e sobre as flores, principalmente.

9 de novembro de 2009



Hoje eu escrevo porque escrever é a única coisa que me resta. De tudo o que eu tenho me restaram as palavras, perdidas, descordenadas, não sabidas. Você chegou na minha vida por encomenda, numa espécie de indicação premeditada, e eu deixei você entrar pela minha fraqueza essencial de me deixar sentir. Uma espécie de sentimento de busca profunda e irrefreada que se sucede e se opera indiscriminadamente dentro de mim. Hoje eu senti a tua falta por perto. Não que estejamos próximos, porém tem uma espécie de reconforto diário que você me proporciona. É como se eu me encontrasse comigo por alguns instantes diante do espelho todo dia, e esse espelho é você. Eu tenho muita vontade de mergulhar nesse espelho, de me deixar refletir, perceber, delinear, me desenhar dentro desse reflexo que você me proporciona. Ao mesmo tempo tenho medo de você. Tenho medo de desfazer esse encanto, de quebrar essa pintura ao meio, de dissolver o espelho em vidro e prata. Eu queria te dizer que você está ocupando um espaço engraçado dentro de mim, e que eu não quero que ele acabe, bem como eu não quero que ele comece a ser desfeito. Eu queria te congelar desse jeito. E eu queria que você soubesse que apesar de não saber quem você é, e de não conhecer a tua voz, que eu quero você por perto me fazendo companhia. Alimentando meu sonho, Minha fantasia. Minha necessidade de encontrar um caminho. Eu acho que você faz parte de um desejo, de uma poesia, de uma inspiração, uma partitura. Você é uma elaboração do meu eu, um reflexo pintado, uma gravura recortada e distante, um esboço daquela propaganda intangível, daquele modelo ideal construído por mim. No fundo eu queria te dizer que cada recorte de ti eu guardei e que de tudo isso eu levo uma pequena certeza escondida: a de que nunca é tarde pra se conquistar e achar uma saída.

18 de setembro de 2009



Algumas considerações sobre você e eu. Nós temos um segredo em comum. Nossas semelhanças nos unem. Somos muito diferentes porém muitas vezes me vejo em você. Estamos sempre brigando conosco mesmos. Descobri que gosto de você do jeito que você é, por que isso é gostar de verdade. Sinto falta de ter você por perto, de poder me dividir contigo, de poder te ouvir, te ver, eu sinto falta da tua presença na minha vida porque eu gosto de você. Eu sempre gostei muito de você. Vivemos histórias entrecruzadas que se assemelham às vezes. Não tenho ninguém com quem conversar sobre você, a tua relação comigo é a única que nem meus amigos, nem meus pais, nem ninguém tem conhecimento, nem opinam. Eu sempre banquei você, desafiei todos e a mim mesmo por ti. Todas as vezes que converso contigo meu corpo treme e eu me sinto alterado. Eu não sei quem você é por completo. Meu medo gigante é da nossa aproximação. Eu sinto falta de uma reciprocidade contigo. Eu nunca te entendi tanto quanto hoje. Eu tinha muitas considerações pra te fazer. E a maior delas talvez é que quando se trata de você sempre se tem alguma coisa a dizer. Você nunca se esgota, nunca se acaba, nunca arrefece, nunca esvazia. Muito daquilo que eu escrevo sempre foi pra você ler. Eu penso em você muito. Gostaria de ter você do meu lado pra me acompanhar em muita coisa que eu vivo. Sempre quis que você fizesse parte da minha vida. Sempre me sinto bem quando estou ao teu lado. Quando estou na tua presença me sinto confiante, forte, altivo. Você é aquela pessoa que me fez várias vezes querer saber o porquê das coisas. Você sempre me ensinou muita coisa que ninguém mais ensinou. Ninguém substitui a tua presença porque você é inesquecível. Ninguém se assemelha a você porque você é, na tua possibilidade material, autêntico. Eu não sei o quanto nem como, nem certeza absoluta da amplitude possuo, mas tenho consciência plena de que quero o teu bem. Se eu pudesse passaria muito do meu tempo contigo e na tua companhia. Você exerce em mim uma repetitividade óbvia e explícita que ninguém mais exerce. Eu me sinto preso por você. Queria muito que eu pudesse saber até onde você vai. Meu temor dos dias seguintes é sempre de uma ansiedade que não me deixa tranquilo, e me sinto sem sossego porque gostaria muito de saber até onde você vai com aquilo que te confidencio. Nos confidenciamos muitas coisas e eu sempre me sinto cúmplice teu, apesar de que, infelizmente na maioria das vezes só você é meu. Queria ser teu cúmplice também. É um cárcere não saber o quanto você gosta de mim; e se você gosta de mim. Passei horas incontáveis contigo e tenho vontade de repeti-las todas porque apesar de todos os pesares e de toda a minha insustentabilidade perante ti eu me sinto feliz contigo. Eu me sinto diminuido, fraco, submissso e subserviente também. Nunca te pergunto nada não é pra não ter que ouvir o que eu não quero, é pra não te conhecer mesmo. A inversão paradoxal do querer estar perto de você sem te conhecer é algo que me fascinou. Você me fascina pela complexidade simples indecifrável, pela capacidade humana e frágil inarredável, você me congela pela frieza quente da conduta, teus mecanismos psicológicos de tentativa de controle me sufocam porque você não se abre pra sentir e se dizer aquilo que a gente precisa que seja dito. E nisso eu sou como um espelho. Eu queria que você conseguisse entender aquilo que nem eu mesmo entendo. Eu sempre quis entender porque eu gostava de você, mesmo você sendo comigo quem você é e muitas vezes agindo comigo como você age. E o fato é que eu te amo porque você é quem você é. Apesar de não saber quem você é ao certo. Você representa pra mim um triunfo sonhado, a espécie de idealização ambiciosa que você sempre me imputou. Eu tenho vontade de passar horas e horas discorrendo e falando. Uma sessão é quase nada perto de uma vida de pensamento e tentativa de entendimento. Queria deixar algumas coisas claras, translúcidas, quero muito que você faça parte da minha vida por que eu gosto de você. Das dezenas de vezes que viajei pra casa e das semanas em que fiquei lá sempre fiquei esperando por ter a oportunidade da tua companhia. Hoje me sinto sóbrio o bastante pra te dizer que tudo que venho sentindo e pensando é fruto de um amadurecimento terapêutico de meses. Eu quero te lembrar que de certa forma nós estamos no mesmo barco e foi sempre assim que eu enxerguei a gente. Pode ser mesmo que todos os meus medos se confirmem e você não seja quem eu espero que você seja, ou pode ser que você seja exatamente igual a quem você não deixa que os outros vejam mas você é ou o inverso, não sei. Independente da resposta meu maior e derradeiro pedido é que comigo você seja aquele eu que você gostaria de ser, ou então, que você seja por inteiro e integralmente quem você é por que sou a partir de hoje contigo quem eu quero ser.

2 de maio de 2009


Eu não poderia escrever mais nenhuma frase. Nenhuma palavra mais poderia ser dita por que eu mesmo não posso mais dizer. Se eu escrevesse mais alguma coisa tenho certeza que o elefante que está meio-escondido por debaixo do lençol ficaria à mostra, e eu não sei se isso seria bom. Hoje eu acordei olhando pra você de olhos fechados. Em verdade eu tenho acordado e ido dormir sempre assim. É como tentar esconder o sol, mais radiante e mais brilhante, por detrás das nuvens, mais claras, e transparentes e singelas. E existem tantas coisas suspensas que eu acho que essa suspenção já tá ficando palpável. E eu preciso parar por aqui por que eu não sei mais construir metáforas da espécie "coisas escancaradas-escondidas". E esse é aquele em que eu tenho medo, e inquietação, e não poderia mais estar escrevendo mas eu quero dizer que eu não lembrava mais o que era se sentir bem e eu estou me sentindo. Porque eu queria que você soubesse que um dia eu achei que acreditar nos sonhos era fazer a vida valer a pena. E eu acho que isso pode ser verdade mesmo.

25 de abril de 2009


Existe alguma coisa no céu que me encanta. Sinto que o azul do firmamento e as estrelas, e as nuvens, todas, das cores mais diversas, tudo que é celeste prende meu olhar e me tira o fôlego numa sequência que não encontra mais fim. É como quando se está na praia à espera do fim das ondas, numa ciranda que obedece a sina de esperar a vaga melhor por partir, porque você já não sabia mais pra onde ir e agora mesmo é que você tem certeza disso. Existe alguma coisa suspensa no ar e eu acho que ela exala alguma coisa que me lembra liberdade, ou a vontade de ser. Existe uma nota que soa intermitente dentro de mim e que ecoa pelo vento como quem leva a semente que vai desabrochar e nascer árvore um dia, e que está à procura da melhor terra, pra melhor semeadura, e isso depende da força do vento e da sorte da semente. Eu sinto que existe uma casca quebrando, aos poucos, existe alguma coisa a ser dissociada e é aquilo que eu mesmo quero que seja feito em mim. Eu preciso do desprendimento definitivo daquilo que me traz a tristeza e o medo, de todas as sortes, daquela solidão-âncora em terra firme e de todas as decepções possíveis que eu tenho medo de viver. Porque esse é aquele em que eu somo em adição ao que eu escrevi e apaguei outro dia, e porque eu quero te entregar aquilo que eu tenho de melhor, na condição mais especial, no momento ideal, na sintonia mais perfeita que minha imperfeição pode gerar sendo quem sou. E eu queria que eu mesmo soubesse o que é que tem acontecido comigo, porque aquela estranheza parece ser teimosia, e isso é tão bom que hoje eu sinto como se há muito eu tivesse perdido alguma coisa e parece que eu encontrei. E ela tá insistindo em ficar, e o céu continua me atraindo, com aquela força que me hipnotiza e me satisfaz, parcialmente, porque eu ainda não me sinto desacorrentado completamente das correntes todas que me ligam ao tempo, porém eu acredito que a chave de cada cadeado vai chegar a tempo, e se eu conseguir sair daqui pra não chegar tão atrasado naquele dia, eu tenho certeza que o céu vai me fazer sentir, pela primeira vez, que eu consegui ser o garoto que eu me tornei.

22 de março de 2009

Eu quero te dizer obrigado. E quero te dizer também que eu tenho algumas perguntas. Eu queria que você soubesse que o meu maior desejo, nesse exato instante, era estar na tua frente, face a face. Eu queria poder te dizer cada interrogação e eu queria que todas, todas as palavras sem excessão fossem ditas. Eu queria experimentar essa experiência mútua, bilateral, sincrônica, sincrética, amalgamada, de poder olhar nos teus olhos ouvindo a tua voz, e eu queria conversar contigo sobre absolutamente tudo que eu tenho vontade, e que queria que você me respondesse de peito aberto, com afeto, amizade, confiança, lealdade, atenção, eu queria que a gente pudesse trocar nossos sonhos e nossos sentimentos de verdade. Eu não sei se você sabe mas eu sempre gostei de você. Eu gosto de você porque você é uma pessoa especial. Eu tenho memórias, lembranças, imagens, cenas, fotografia, passado. Eu queria muito que você fizesse parte da minha vida, e você faz. No entanto porque a gente está nessa encruzilhada é uma pergunta que me desceu hoje inteira. Eu acho que quando a gente gosta de alguém, de verdade, não existe lado. Existe a gente. Amizade é amor por que a gente vibra, torce, vive, sorri, discute, conversa com o outro. Amizade é parceria, não competição. Amizade é contato, bem-estar, paz, amor. Amizade é liberdade. É a qualidade de poder ser quem se é com o outro. Eu queria muito que você soubesse que você me ensinou muitas coisas, boas e ruins. Eu queria que você soubesse que se eu pudesse voltar atrás eu teria reescrito muita coisa, e não tenho medo de dizer isso, eu teria voltado anos atrás e teria feito muita coisa de outra forma. Isso, porém, não existe. E o que há, é esse exato minuto, em que eu quero que você saiba que esse é aquele em que eu abri todas as portas do meu coração e da minha alma, e é aqui, despido de todo o manto de sentimentos e ímpetos que me revestem que eu te digo: eu queria que só existisse o nosso lado. Nem meu, nem teu, nem dele. Só o nosso. E que a gente pudesse seguir junto, até onde a vida nos permitisse, porque a gente tem muito pra viver e pra conquistar. E eu só quero ser feliz, fazendo quem eu gosto também. Porque eu acredito, de todo meu coração, que isso é viver.

12 de fevereiro de 2009


Eu não sei como, mas você deveria olhar pra fora agora.

27 de outubro de 2008



Eu espero que ela me ame a despeito de.
Essa futuras palavras (in)certas é que me machucam.
Âncora. Arco-íris. Love.


Inteligência Artificial

24 de outubro de 2008


"Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas caírem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã."


daquelas que só a M.L.R.C.


Lembrou

21 de outubro de 2008


Não encontro a poesia pretendida, não acho as frases correspondentes e nem consigo dizer o que é que habita. A vontade se mistura ao sonho, e o desejo é alegria, e a idealização boba se prende a cada palavra, a cada traço de algo que se espera e que no entanto pode nunca vir a ser. A mera imaginação inspira, o ser se dota de vontade, enche-se de brilho, incendia de felicidade, olho que percorre o centímetro, cuidado ao sair, perocupação em agradar, olfato que capta o cheiro, espaço pequeníssimo que parece como limiar frágil, treino de sorrisos, medo de não saber o que dizer, vontade de dizer, de convidar, apertar com força, repartir o gosto, demonstrar o sentimento, de uma mordida que não quer machucar e sim transmitir, de um carinho que não quer desculpas mas sim troca, de um desejo que não é superficialidade, e sim demonstração de transbordo, de excesso, de uma necessidade mister e nova, que era velha, e se renova, encantamento leve, e lindo, do que prende pelo sorriso, pelo rosto, pela voz.

Ventura

9 de outubro de 2008


Não saber por onde começar é um começo não?

Nuvens

8 de outubro de 2008


Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de você.











Daniela

7 de outubro de 2008


Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo

Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta essa curiosidade pelo momento a vir

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

Vinícius de Moraes 15/04/1962


Encaixa


30 de setembro de 2008





Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera

E assim foi o começo.
Como disse a assistência técnica baunilhiana:
-sem o amargo, o doce não é tão doce.



7 de maio de 2008 00:04

28 de setembro de 2008


The Nothing Song - Sigur Rós


í sayr lon
í sayr lon won fur yo won
í sayr lon
í sayr lon yu ón fur gurr ón
í saylón
í sayr lon yu fón yu ónn
í saylón
í saylón yu wón saiy ón
...
í sónnn
í sayr lón
í sayr lón yón fúr yon fú
...
ónnnnn í sórr
í sayr lon
yúúrrr son
lónnnn yu sónn
yuu
í sún
yu sún
yu súún
í sún
wart yu
í sún...


De Baunilha

24 de setembro de 2008

Ele sempre quis ser perfeito.

Uma hora o oceano servirá pra preencher o vácuo, e então perceberás -ele teve certeza- que tudo tem um fim e um começo sempre. Nada é pra sempre. E o acaso não existe. Não mesmo.

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