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10 de fevereiro de 2012


Eu preciso de um resgate. Um anjo que me jogue cordas ou uma boia grande pra eu me segurar. Talvez uma escada firme pra eu ter por onde subir. É como se eu estivesse dentro de um labirinto de cercas-vivas gigantes. Rodeado por caminhos entrecortados, monstros nas sombras, sem saída olhando pra um céu que é o único espaço aberto. Sinto meu coração divergente, plastificado, como uma pele recém-curada temerosa por novas lesões excruciantes. Tenho medo de romper abismos. Como se abandonar o passado que já se foi fosse algum tipo de provação ainda não experimentada. Me sinto inocente. Me recrudesço. Me enclausuro vitimizado. Parece uma sina elástica que não te deixa seguir em frente. Uma ciranda macabra que te aprisiona. Um cárcere de grades livres que você se inventa. Eu queria um mapa aberto. Um guia solúvel de como sair de mim. A liberdade me apavora por não saber estar com ela. Não sei se vou conseguir transpor as montanhas pra estar contigo um dia, e isso me angustia. Sou uma grande angústia encapsulada. Uma represa de tristeza sempre transbordante. E enquanto me ridicularizo por me metaforizar continuo me escondendo, não sei se feito criança assustada ou homem covarde, fugindo de seus próprios porões, dores latentes, de minha eterna incapacidade de me assumir vivo

25 de maio de 2009


É como a paisagem que se altera todos os dias e no fundo acaba por ser sempre a mesma. Existe sempre alguma coisa ausente. A ausência também pode estar suspensa, pairando sob nossos corações. Naquele dia todas as nuvens se dispersaram e partiram, e o céu vibrante de outrora deixou de estar nebuloso e o sol partiu junto com tudo que havia e o que restou era a noite que chegava mais uma vez silenciosa e silenciante. Todas as memórias se remexiam do espaço onde estavam, num rearranjo que parecia o balanço de alguma coisa que está pronta pra fechar as portas. Talvez seja como trancar um quarto, encerrando as aberturas e ativando todas as ignições que selam a entrada e as janelas. Tudo talvez se resume a medo e incerteza. Porque esse é aquele em que o sol desceu o céu e encerrou alguma coisa que eu não sei bem o que. No fundo eu continuo sendo o garoto que não sabe das coisas. Alguém perdido na busca por um ser que não é, que sob o edifício da auto-observação, numa instância metafórica, passou a buscar incessantemente a análise de seu eu que deixou de estar onde deveria, e por isso não há garoto para se tornar, porque estou atrasado, no meio daquele deserto de mim, da onde talvez nunca tenha saído. E eu queria que você soubesse que você foi um sonho no meio do pesadelo da minha vida. E que eu te agradeço por teres me feito feliz, como nunca.

21 de abril de 2009


Esse é aquele em que eu tento dividir o que pode ser indissociável e insolúvel. Eu não estou entendendo bem as coisas é isso não deveria ser novidade. Na verdade as coisas são bem mais simples do que podem parecer, é como a neve derretendo numa manhã de inverno ensolarada, virando água e escorrendo pela calçada, evaporando em seguida quando encontra o asfalto quente fervendo por causa dos pneus cheios de pressa dos carros cheio de pessoas cheias de vontades de coisas diferentes. Um dia você apareceu e eu não sei se você sabia mas eu estava à sua espera. E isso significa que mesmo sem saber eu estava enchendo o armário me preparando por você. E eu cheguei num momento agora que é o de uma encruzilhada, na verdade minha vida marcada e dividida sempre foi cheia de descaminhos, desncontros e desventuras em série e sequência que se um dia eu tiver a oportunidade de dividir com você eu sei que você vai concordar comigo. Existe uma coisa ainda mais especial em tudo aquilo que eu queria dizer pra você, eu acho que existe alguma coisa em mim que existia antes e que eu nunca tinha notado. Eu queria que você soubesse que voce me trouxe uma espécie de liberdade diferente, que eu nunca havia sentido, que eu me desprendi de alguma coisa desde que você chegou e eu ainda não tive tempo pra ponderar mas eu acho que foi bom. E um dia eu achei que tudo isso era possível e pode ser que não venha a ser. Em verdade eu afirmo que tudo aquilo que eu sempre achei que fosse: era. E eu não tenho mais certezas porém estou cheio de impressões. Tingidas, bordadas, esculpidas. Quem sabe tenha sido tudo materialização espiritual, condensação do intangível, molde dos meus sonhos. E mesmo que seja apenas objeto da imaginação eu queria que você soubesse que eu estive de bem com as coisas, e que isso sim, é novidade. A confusão leve e persistente que encontra-se em cada extremidade de mim, agora divide espaço, em cada célula, com uma sensação engraçada e carinhosa. Eu não sei porque eu gosto, nem quando foi e nem quanto vai durar mas eu sinto que pode ser de verdade. E isso me impressiona pela forma explícita, pela transparência e pela felicidade que eu venho sentindo.

5 de abril de 2009


Esse é aquele em que a noite é a verdade. Era uma vez um lugar, e nesse lugar existiam pessoas. Aquele não era um lugar qualquer, cada indivíduo tinha um recorte do espaço e podia utiliza-lo como bem entendia, de praxe, cada pessoa construia uma edificação no recorte que lhe era concedido. Dentre aquele mosaico pequeno e limitade existiam algumas pessoas especiais. Dois vizinhos se conheciam desde que se entendiam por gente, no entanto, nunca haviam trocado mais que meros instrumentos, um dia, com o passar do tempo, eles ficaram adultos o suficientes para proceder com a costrução, que começava para cada um, em ritmo mais lento, desde seu primeiro dia de vida. Em frente a cada obra havia um anteparo, branco, que escondia toda a obra, pois o segredo, diziam, era que nunca nunguém soubesse como e o que estava sendo construído, apenas pouquíssimos e rarefeitos indivíduos conseguiam permissão de alguém para perpassar, transcender, e adentrar por sob o anteparo. No entanto, às vezes, em determinada época do ano, numa hora específica, e singular, a luz da estrela que banhava aquele lugar incidia na obra por um ângulo ímpar, e a sombra projetada sobre o anteparo, nessa conjuntura, era única e latente. Nesse dia, um dos vizinhos estava passando pela calçada quando olhou para aquele anteparo, e naquele momento ele teve certeza, absoluta, que ele precisava conhecer aquela obra, porque ela tinha muitas coisas que lembravam a dele, a fachada, os contornos, a tendência, o porte, a genialidade, o brilhantismo, tudo erigido sob o signo de uma sobra cintilante, num segundo revelador. Com o passar do tempo os vizinhos acabaram se conhecendo e um dia aquele que havia visto o momento ímpar pediu para adentrar o limiar, e o outro só aceitou com a condição de que precisaria visitar a obra do outro primeiro. Pois não, o vizinho entrou na construção ao lado, revirou cada pedra, teve acesso a cada escada, visitou cada cômodo, sublinhou com a mente cada afresco, memorou salientando cada coluna. Depois disso o vizinho que abriu as portas de seu maior segredo pediu para ter acesso, enfim, a construção do outro, e aí o que se sucedeu foi uma intensa tormenta do destino. Enquanto se dirigiam ao outro anteparo o céu nublou, escureceu, as nuvens enegreceram e os relâmpagos começaram a soar, o ventu surgiu numa velocidade assutadora, e quando eles adentraram pelo limiar, o vizinho antes cheio de curiosidade e expectativa percebeu que a maioria das portas estava fechada para ele, que as escadas estavam bloqueadas, os acessos trancados e que apenas algumas áreas estavam abertas a visitação. Tempos depois o vizinho que havia aberto as portas do seu edifício percebeu que muitas outras fachadas de outros lotes de outros vizinhos estavam cheias de suas idéias, que os interiores secretos e sigilosos que ele havia repartido de todo o seu coração haviam sido violados, maculados, e ele se perguntava o porque desse desastre. O porque de uma visita que levou consigo seus sentimentos, seus segredos, seu trabalho, árduo, de construção de uma vida toda. A dúvida do porque seu vizinho-exemplo-herói-afeto havia feito isso com ele.

12 de fevereiro de 2009


Eu não sei como, mas você deveria olhar pra fora agora.

28 de janeiro de 2009


É no amanhã que sinto a tua falta. Numa daquelas minhas viagens por ai, li um depoimento que foi como um reflexo, me senti escrito como quando você se olha no espelho, e naquele dia, se reconhece naquela imagem que ali está refletida. Sim, eu sinto saudades de coisas que não vivi, eu tenho medo de ficar sozinho e de perder coisas que não me pertencem, é como se eu esperasse por ter aquilo que eu nunca tive mas que eu sinto como deve ser ter. Uma vez eu achava que eu gostava do que não existia, e o fazia por não entender o que eu sentia e por não saber nomear o que me agita, me atormenta, me suga, me injeta, me amortece, me vitamina, me mantém, me segura, me entrega. Eu ainda não sei nomear as coisas mas começo a reconhecê-las, e as desejo, ainda que de forma tímida, culposa e parcial, pra mim e por mim. Não me imagino realizando-as, muitas vezes elas são um combústivel imaterial que me leva em sua direção e que dúvido muito que conseguirei encontrá-las. Meus desejos e sonhos são o que me mantém vivo, é como uma âncora-combústivel, que me alimenta e me acorrenta simultaneamente. Eu sou uma pessoa simultânea, e vivo uma vida una, porém dividida, recortada por condicionamentos materias e sentimentos que não escolhi, é estranho não querer ser quem se é, ou então querer ser quem é porém diferente. Sempre os iguais-diferentes, a busca do outro em você, eu tenho um problema com felicidade. Eu não consigo ser feliz. Eu tenho um vazio, uma dor, uma coisa estranha que me perturba, que me faz nunca querer estar onde estou, que me dá gosto por músicas tristes e que me escraviza dentro de mim mesmo, como um escravo açoitado por um capitão-do-mato que não é ninguém mais ninguém menos do que ele mesmo. Eu ainda sou aquele adolescente atrasado, que está descobrindo o mundo, pela primeira vez, como se sua vida não tivesse sido uma estréia, e sim um ensaio infértil e infrutífero. Foi um fracasso pra ser franco. Naquelas horas de nó na garganta e lágrima pronta pra escorrer, eu sinto como se eu fosse explodir implodindo, e minha vontade é de desligar, sem eufemismo, eu tenho vontade de morrer por que isso me silenciaria, faria aquelas vozes que gritam dentro de mim se calarem e quem sabe aquela coisa que me tortura e me persegue definhe e desapareça com o meu fim. Eu acordo e vivo todo dia movido pela esperança de um dia poder ter o que não tenho, de possuir o que não possuo, de viver o que não vivo e sobretudo o que não vivi. Eu tenho esse desejo absurdo de me realizar, de ser feliz adoidado e de fazer outras pessoas felizes. Meu desejo é de entrega, doação, cumplicidade, troca, amizade, carinho, amor. Eu desejo compreensão e um companheirismo cheio de coisas que se parecam comigo mas que sejam diferentes de mim, para que eu possa estar sempre mudando, me transformando e me compeltando. Numa ciranda que persegue a perfeição e que realiza com maestria a sina da vida. Me imagino numa sacada limpa, fresca, com um vento gostoso, leve, sentado numa cadeira macia, com uma bebida gelada, olhando pro mar lá fora através dos olhos de uma pessoa que olha pra lá e que sorri, que está ao meu lado viva, limpa, brilhante e linda, alguém especial, que mora em mim e que me faz ficar aqui, sempre, na mesma sala de espera.

9 de janeiro de 2009


Sinto como se cada novo dia fosse uma nova chance não possível, como quando se convida alguém e sabe que esse alguém não comparecerá. As dúvidas que povoam cada pensamento são questionamentos de todas as ordens, múltiplas, reincidentes, de sortes pacíficas nos outros, no mundo. A busca pela satisfação dos sentimentos é uma batalha encerrada em si mesma porque não se há certeza do que satisfazer, em consequência de não se saber o que se quer realmente satisfazer. A insatisfação que motiva a raiva quotidiana que se morfa em tristeza reside no fato inquestionável e indubitável de uma realidade cruel e finita, limitada e pequena. Os limites sempre foram meu algoz mais impenetrável, invencível, intangível. O que espero se traduz pela não expressão, pelo que não digo, talvez pelo que nem sinto, porém pelo que espero. Não consigo mais escrever como eu gostaria, não consigo mais depositar nas palavras minhas dores, não, minha dor, porque apesar de latente e pontual, o sofrimento atinge o todo no âmago. Minha vida é a sucessão de novas esperanças falidas, de ilusões retroalimentadas e de sonhos que habitam do outro lado do limite. Sim, vivo na busca incessante por cruzar o limiar, por transgredir o imposto, por desafiar a sina do destino que me condicionou. Cada novo dia traz sempre as mesmas sensações. Às vezes mais intensas, às vezes mais tênues. Borradas ou não, sou como uma mancha que desbota e se renova sempre mais vívida, nova e intransigente. Como um botão de rosa que nasce, desabrocha e antes do ápice da plenitude da vida, regride, retrai, se encapsulando novamente, definhando folhas e caule, em semente.

7 de janeiro de 2009



Quando eu fui jovem a borda do horizonte era colorida, mesclada, amarelo-rosada, coloria o azul pálido que adormecia todo dia, no mesmo momento, em tempos diferentes. Tudo dentro dele era vulcão, instinto, urgência, tentativa, vontade, o desejo o consumia inteiro, e ele o alimentava como criação, elemento que mandava, guiava, sua ambição era desproporcional, sua inveja incontrolável, e sua ânsia por possuir e consumir a vida de seus sonhos tinha a dimensão de um céu inteiro, coroado por uma lua alva, brilhante, manchada, presente, imponente, quase-completa, parcial, incompletude que era como ele, pedaço de gente, meio sonho-meio ilusão. Emoções puras que implodiam, explodiam, misturavam, desciam e cresciam, subiam sem fim. A mesma espiral, temporal, do passado, as mesmas dúvidas, as mesmas questões, sempre o suspiro de incompreensão, a mesma interrogação que não o deixava tranquilo. Necessidades, incapacidade, falência da criatividade, da expressão, de comunicar, de endereçar, derrota do olhar, da coragem, da capacidade. Limites, barreiras, paredes, todas invisíveis, inorgânicas, imateriais, porém tão mais concretas que tudo que ele podia tocar. Correntes invisíveis, prisão inescapável, grades, céu do outro lado, mundo lá fora que convida e não recebe, desejo que não corresponde, que não lhe envia, visão quebrada, limitada, enclausurada, infinitas passagens sem saída, canto silencioso que atormenta, badalada que ressucita, pancada que desmonta. A tarde se deitava como quem foi sem querer, deixou-se perder, partir, e mais um dia cheio de coisas inomináveis se findava. O céu ainda estava borrado, tingido, aquarela celeste que inspira, natureza que brinda, conforta, som que leva dedo na tecla, emoção à tela, sonho pra fora, caminho nublado em que pisa ele.

12 de novembro de 2008


"deixa tudo ir, quem sabe o que voltar é realmente teu" m. l. r. c.

Pressa, premência pela realização do inédito que ele sempre esperou, peça de teatro da vida que não começa, vontade de deixar a página escrita, marcada, urgência que fez ele pisar em falso, faz ainda?, tantas vezes, tantas vontade que fez dele barricata, barreira, barragem, contenção de sentimento e de pessoa, controle que não existe, desejo que ele remete, e corresponde, e volta sempre, porque o endereço sempre está errado, sempre incompleto, porque sempre o destinatário se mudou, é ausente ou desconhecido. Quem escreve na carta que é devolvida pro correiro dele mesmo são as dezenas de porteiros do seu prédio da vida, que dialogaram com seu edifício, tantas vezes, tantos anos, tantos gostos, tantas tristezas, tantos sonhos, tanta emoção, tanto não-saber, quanto castigo objetivo completamente auto-imposto. As grades tinham ficado menores, muito menores, tão pequenas quanto nunca, mas ela ainda estavam ali, a um palmo, na sua frente, quase que coladas, colidindo de forma estática, sólida, movimento do sólido, apesar do espaço entre ele e a redoma de ferro, sentia-se eternamente comprimido, apertado, sufocado, prendido a alguma coisa que não era só o chão, não era só aquela âncora-eu, não, era a sensação do nunca conseguir, do nunca chegar, do nunca alcançar, do tempo que passa e muda tudo menos ele, do tempo que ajuda mas confunde, do tempo que é atemporal pra prisão, pra gaiola, algo que está no além do palpável; sim, do que se tateia, era da ordem do intangível. Será que vai demorar pra virem abrir a gaiola, pra perceberem que ele esteve ali o tempo todo, que ele está o tempo todo, esperando, gritanto, pedindo, suplicando, clamando, ao tempo, à vida, dá pra ele o mundo, e então, quando virão buscá-lo?, quando o resgate chega?, quando a ajuda, na fase e na forma certa, pontualmente, irão acertá-lo? O pingo da interrogação sempre lembrava uma lágrima, caindo, escorrendo na forma curva, ele queria viver, voar, queria abrir as asas, sentir o vento, ele queria aquilo do até então nunca possível. Aprender a gostar de quem gosta da gente? Será que ele sempre vai gostar de quem não corresponde? Algum dia a carta chega no lugar algum, algum dia alguém vai lê-la?, algum dia essa alguém vai se encantar por ela?, vai sonhar com e vai ir até o remetente, pra buscá-lo?, tocar a campainha, olhar em seus olhos, outrora azuis, e hoje castanho misturados, vai lhe sorrir, e esse alguém vai entender o que sempre esteve escrito ali, vai estender os braços, respirar fundo, e vai abraça-lo? A proteção esperada não é só a que se tange, é muito maior, é a daquilo que não tem tamanho, nem forma, nem medida, puro conteúdo, sentimento, inspiração. Algum dia, com o alguém, virá, de vez, o sol? Talvez o alguém não exista, e o seu talvez era a certeza do não, ninguém supriu, nem o companheirismo, nem a amizade, nem o carinho, quem sabe o fraternal aconchego do lar, porém era paleativo, efêmero, instântaneo, ele era outro, havia crescido, os anos passam, as pessoas interconectam, sintetizam, tecem, e ele fica sempre ali, descendo a tirolesa, às vezes travada, às vezes curva, sempre errada, quem é você ele se pergunta, o que é você ele exclama, quem somos nós, o que é isso que eu sinto, o que é isso que desloca, que perturba, que me faz escorrer, em sons das músicas que eu procuro, consumo e descarto, e sempre busco no lixo quando preciso, o que é isso que me faz tentar colocar na linguagem o que não está digerido, que me faz tentar as letras, que me arrisca nas palavras, que me ocupa com tudo o que não é o corrente, eu quero parar de escorrer no escuro, eu quero saudabilidade, ar livre, amor que bate volta, dor que vai embora, eu quero o fim da tristeza de sempre, da solidão do vazio, não quero mais a companhia do vácuo e da idealização, do sonho que me deixa só, o que é isso que me faz eu, o que me constroi, o que me leva, que me prende, o que deixo ir, o que ficar, ficará algo, onde?, e se não ficar nada, menos do que tudo o que sinto falta é o avesso do nada, é o tudo da ausência, é o contrário do que sempre poderia ter sido e fui como pude, meu Deus, me encontra, me acha, me segura, joga a luz que não se apaga, porque o não-caminho está chegando ao fim.