18 de agosto de 2010
2 de maio de 2009

Eu não poderia escrever mais nenhuma frase. Nenhuma palavra mais poderia ser dita por que eu mesmo não posso mais dizer. Se eu escrevesse mais alguma coisa tenho certeza que o elefante que está meio-escondido por debaixo do lençol ficaria à mostra, e eu não sei se isso seria bom. Hoje eu acordei olhando pra você de olhos fechados. Em verdade eu tenho acordado e ido dormir sempre assim. É como tentar esconder o sol, mais radiante e mais brilhante, por detrás das nuvens, mais claras, e transparentes e singelas. E existem tantas coisas suspensas que eu acho que essa suspenção já tá ficando palpável. E eu preciso parar por aqui por que eu não sei mais construir metáforas da espécie "coisas escancaradas-escondidas". E esse é aquele em que eu tenho medo, e inquietação, e não poderia mais estar escrevendo mas eu quero dizer que eu não lembrava mais o que era se sentir bem e eu estou me sentindo. Porque eu queria que você soubesse que um dia eu achei que acreditar nos sonhos era fazer a vida valer a pena. E eu acho que isso pode ser verdade mesmo.
25 de abril de 2009

Existe alguma coisa no céu que me encanta. Sinto que o azul do firmamento e as estrelas, e as nuvens, todas, das cores mais diversas, tudo que é celeste prende meu olhar e me tira o fôlego numa sequência que não encontra mais fim. É como quando se está na praia à espera do fim das ondas, numa ciranda que obedece a sina de esperar a vaga melhor por partir, porque você já não sabia mais pra onde ir e agora mesmo é que você tem certeza disso. Existe alguma coisa suspensa no ar e eu acho que ela exala alguma coisa que me lembra liberdade, ou a vontade de ser. Existe uma nota que soa intermitente dentro de mim e que ecoa pelo vento como quem leva a semente que vai desabrochar e nascer árvore um dia, e que está à procura da melhor terra, pra melhor semeadura, e isso depende da força do vento e da sorte da semente. Eu sinto que existe uma casca quebrando, aos poucos, existe alguma coisa a ser dissociada e é aquilo que eu mesmo quero que seja feito em mim. Eu preciso do desprendimento definitivo daquilo que me traz a tristeza e o medo, de todas as sortes, daquela solidão-âncora em terra firme e de todas as decepções possíveis que eu tenho medo de viver. Porque esse é aquele em que eu somo em adição ao que eu escrevi e apaguei outro dia, e porque eu quero te entregar aquilo que eu tenho de melhor, na condição mais especial, no momento ideal, na sintonia mais perfeita que minha imperfeição pode gerar sendo quem sou. E eu queria que eu mesmo soubesse o que é que tem acontecido comigo, porque aquela estranheza parece ser teimosia, e isso é tão bom que hoje eu sinto como se há muito eu tivesse perdido alguma coisa e parece que eu encontrei. E ela tá insistindo em ficar, e o céu continua me atraindo, com aquela força que me hipnotiza e me satisfaz, parcialmente, porque eu ainda não me sinto desacorrentado completamente das correntes todas que me ligam ao tempo, porém eu acredito que a chave de cada cadeado vai chegar a tempo, e se eu conseguir sair daqui pra não chegar tão atrasado naquele dia, eu tenho certeza que o céu vai me fazer sentir, pela primeira vez, que eu consegui ser o garoto que eu me tornei.
24 de abril de 2009
Eu não sei o que escrever agora. E eu sinto uma necessidade incomensurável de fazê-lo. É como uma primavera inteira esperando por florescer, em cada jardim, nas avenidas todas, em cada botão de rosa, ansioso, curioso, impetuoso por desabrochar por inteiro. Como uma nuvem carregada de chuva, pronta pra chover toda a água, que há tanto carrega. Como uma semente que vê sua hora de germinar chegar e coloca sua raiz pra fora em busca de nutrientes e vida. Existe alguma coisa pendente no vento, como se o ar tivesse uma mensagem oculta mas sensorialmente perceptivel, carregado de impressões respiro-o, e acabo sorvendo a mim mesmo em cada inspiração, expirando vejo que já estou dentro de mim, procurando às vezes, pra não confessar que sempre, aquilo que estou à espera. E isso me atenua, me abrevia, me arrefece, me introjeta transformando. Porque eu não sou mais eu mesmo e quem trouxe isso foi você. Você me legou uma incorporação que marca pelo impressionismo e pela verdade. Simples e trivialmente adjetivando me perco quando sinto a tua presença. Minhas palavras se esvaem e eu fico atordoado e perdido como quando se levanta atrasado e se sabe que perdeu alguma coisa imperdível. Como quando está-se no melhor lugar pra ver um apoteótico momento ou quando assite-se ao desfecho de alguma coisa que esperou-se em demasia. As notas que escuto agora complementam cada letra que deixo aqui, porque como emblemas, tornam distintos meus entimentos. Esse é aquele em que eu descortino a magia que me tramou e que me teceu, numa só nuvem, num só céu, que agora onipresente existe sozinho porque não restou mais nada de antigo no firmamento, e tudo foi varrido pela tua aurora e cada pedaço do azul está aguardando pelo teu brilho e pela tua presença singular e coroada de predicados.
21 de abril de 2009

Esse é aquele em que eu tento dividir o que pode ser indissociável e insolúvel. Eu não estou entendendo bem as coisas é isso não deveria ser novidade. Na verdade as coisas são bem mais simples do que podem parecer, é como a neve derretendo numa manhã de inverno ensolarada, virando água e escorrendo pela calçada, evaporando em seguida quando encontra o asfalto quente fervendo por causa dos pneus cheios de pressa dos carros cheio de pessoas cheias de vontades de coisas diferentes. Um dia você apareceu e eu não sei se você sabia mas eu estava à sua espera. E isso significa que mesmo sem saber eu estava enchendo o armário me preparando por você. E eu cheguei num momento agora que é o de uma encruzilhada, na verdade minha vida marcada e dividida sempre foi cheia de descaminhos, desncontros e desventuras em série e sequência que se um dia eu tiver a oportunidade de dividir com você eu sei que você vai concordar comigo. Existe uma coisa ainda mais especial em tudo aquilo que eu queria dizer pra você, eu acho que existe alguma coisa em mim que existia antes e que eu nunca tinha notado. Eu queria que você soubesse que voce me trouxe uma espécie de liberdade diferente, que eu nunca havia sentido, que eu me desprendi de alguma coisa desde que você chegou e eu ainda não tive tempo pra ponderar mas eu acho que foi bom. E um dia eu achei que tudo isso era possível e pode ser que não venha a ser. Em verdade eu afirmo que tudo aquilo que eu sempre achei que fosse: era. E eu não tenho mais certezas porém estou cheio de impressões. Tingidas, bordadas, esculpidas. Quem sabe tenha sido tudo materialização espiritual, condensação do intangível, molde dos meus sonhos. E mesmo que seja apenas objeto da imaginação eu queria que você soubesse que eu estive de bem com as coisas, e que isso sim, é novidade. A confusão leve e persistente que encontra-se em cada extremidade de mim, agora divide espaço, em cada célula, com uma sensação engraçada e carinhosa. Eu não sei porque eu gosto, nem quando foi e nem quanto vai durar mas eu sinto que pode ser de verdade. E isso me impressiona pela forma explícita, pela transparência e pela felicidade que eu venho sentindo.
28 de janeiro de 2009

É no amanhã que sinto a tua falta. Numa daquelas minhas viagens por ai, li um depoimento que foi como um reflexo, me senti escrito como quando você se olha no espelho, e naquele dia, se reconhece naquela imagem que ali está refletida. Sim, eu sinto saudades de coisas que não vivi, eu tenho medo de ficar sozinho e de perder coisas que não me pertencem, é como se eu esperasse por ter aquilo que eu nunca tive mas que eu sinto como deve ser ter. Uma vez eu achava que eu gostava do que não existia, e o fazia por não entender o que eu sentia e por não saber nomear o que me agita, me atormenta, me suga, me injeta, me amortece, me vitamina, me mantém, me segura, me entrega. Eu ainda não sei nomear as coisas mas começo a reconhecê-las, e as desejo, ainda que de forma tímida, culposa e parcial, pra mim e por mim. Não me imagino realizando-as, muitas vezes elas são um combústivel imaterial que me leva em sua direção e que dúvido muito que conseguirei encontrá-las. Meus desejos e sonhos são o que me mantém vivo, é como uma âncora-combústivel, que me alimenta e me acorrenta simultaneamente. Eu sou uma pessoa simultânea, e vivo uma vida una, porém dividida, recortada por condicionamentos materias e sentimentos que não escolhi, é estranho não querer ser quem se é, ou então querer ser quem é porém diferente. Sempre os iguais-diferentes, a busca do outro em você, eu tenho um problema com felicidade. Eu não consigo ser feliz. Eu tenho um vazio, uma dor, uma coisa estranha que me perturba, que me faz nunca querer estar onde estou, que me dá gosto por músicas tristes e que me escraviza dentro de mim mesmo, como um escravo açoitado por um capitão-do-mato que não é ninguém mais ninguém menos do que ele mesmo. Eu ainda sou aquele adolescente atrasado, que está descobrindo o mundo, pela primeira vez, como se sua vida não tivesse sido uma estréia, e sim um ensaio infértil e infrutífero. Foi um fracasso pra ser franco. Naquelas horas de nó na garganta e lágrima pronta pra escorrer, eu sinto como se eu fosse explodir implodindo, e minha vontade é de desligar, sem eufemismo, eu tenho vontade de morrer por que isso me silenciaria, faria aquelas vozes que gritam dentro de mim se calarem e quem sabe aquela coisa que me tortura e me persegue definhe e desapareça com o meu fim. Eu acordo e vivo todo dia movido pela esperança de um dia poder ter o que não tenho, de possuir o que não possuo, de viver o que não vivo e sobretudo o que não vivi. Eu tenho esse desejo absurdo de me realizar, de ser feliz adoidado e de fazer outras pessoas felizes. Meu desejo é de entrega, doação, cumplicidade, troca, amizade, carinho, amor. Eu desejo compreensão e um companheirismo cheio de coisas que se parecam comigo mas que sejam diferentes de mim, para que eu possa estar sempre mudando, me transformando e me compeltando. Numa ciranda que persegue a perfeição e que realiza com maestria a sina da vida. Me imagino numa sacada limpa, fresca, com um vento gostoso, leve, sentado numa cadeira macia, com uma bebida gelada, olhando pro mar lá fora através dos olhos de uma pessoa que olha pra lá e que sorri, que está ao meu lado viva, limpa, brilhante e linda, alguém especial, que mora em mim e que me faz ficar aqui, sempre, na mesma sala de espera.
27 de dezembro de 2008

Tenho em mim todos os sonhos do mundo. São todos meus. E se não são meus então são eu. Sim, sou uma massa vivente de vontades, desejos, ambições e espera. De todos os múltiplos anos de trezentos e tantos dias, sua grande totalidade deles passei no aguardo, no projeto, na idealização, na sala de espera da vida. Cansei de ficar sentado, mesmo sem saber como me manter em pé, levantei, tentei passos, busquei equilibrar-me e não consegui, cai, me machuquei, clamei por ajuda, me ergui, e mais uma vez, sentei, e levantei, e segui dentro da sala de espera. Sou adolescentemente claro quanto a isso, não tenho mais paciência, tenho urgência, vontade, desejo, sonho, quero felicidade, adrenalina, emoção, movimento, quero cruzar a porta da sala, quero o fluxo, o trânsito, a aventura da existência. Ainda não consigo imaginar o mundo lá fora como ele deve ser, ainda me enfeitiço, me encanto, fantasio em demasia. Espero que a maturação progrida, que eu enrijeça, cresca, intensifique o equilíbrio. Eu quero coragem, sorte e realização. Estou me conformando que somos sozinhos, que nascemos sós, e que ninguém exceto nós mesmos nos acompanha sempre. Céu azul, sol de verão, sorriso na fronte, novo ano de experiência e espera nova. Os bons, como diz a etiqueta, nunca se rendem.
10 de novembro de 2008

Que sabor? Baunilha, cola, limão, não, suco de laranja, sim, ele sabia que gostava de suco, e de laranja, e que ele era solidário, voluntário, organizado, professor, simpatia, beleza, sorriso, muito sorriso, e era shox, azul, e cachecol, e camisetas, diversas, e empolgava muito, e fazia ele sonhar, e sorrir, e treinar no espelho mil e uma caras que na hora sempre saiam a mesma, meio pasmada, estupefata, falida pela expectativa esperançosa de algo que não se nomina quase nunca. Que calor? Que intensidade? Que palavras? Que olhar? Que código usar? Timidez de um, inexperiência do outro, pura cogitação, muita vontade, e brilho nos olhos, sim, luz que arrasta, empurra, impulsiona pra o que foge da racionalidade e dos dias normais e que sempre se seguem, talvez um e-mail, talvez um bilhete, talvez um bombom, porque não um convite, um cinema, um jantar, um bar, porque não uma bebida, uma caminhada, sim, um silêncio cheio da ausência de som e impregnado de sentimento que dá toda a vontade, que tal uma música de fundo, inesquecível, marcante, envolvente, será então algo escrito em outra lingua, simples, inicial, entretanto de uma verdade que grita, proclama, anuncia, sim, desejo gigante, incomensurável, indubitável, curiosidade, coragem, medo, muito receio, gato, pulo, agarrar, rolar no chão, ali, tudo novo, tudo começo, tudo inicio, página em branco, caneta, mãos pra escrever, por escrever, diz pra ele fada azul, se ser garoto de verdade ele é, qual é o segredo, qual é a mágica, qual é a senha, qual é o momento, qual é o segredo, quando é, onde pode ser, poderá?, noite, calma, barulho, caminho, ruas à esquerda, sim, sempre a esquerda, canção que não tem fim, três palavras, nomes, imperativos de chamado, como ele, também três, encantamento, sonho, suspiro, alegria que transborda, fazer o quê, esperar é ou não saber, diz se existe o momento, diz se pode ser, diz, fala, conta, susurra, lentamente, deliciosamente no ouvido, arrepio, que corre, percorre o corpo, a pele, atiça a alma, que encerra o tempo, o espaço, e tudo o mais que nele habita e existiu, e mora, e reside, e que é domicílio, repouso, urgência, premência, positivo, é entrega, é momento, é eterno por acontecer, ele quer, querer sempre vai ser não poder?, controle, refúgio, viagem, férias, solidão, ele quer escrever, quer ter o risco do êxito, a frase, o texto, pode ser ímpar, singular, efêmero, momentâneo, um minuto, alguns segundos, pode ser que nunca se repita, nunca volte, porém daquele calor, daquela sensação que explica, sim, ele quer o que preenche, euforiza, esfuzia, satisfaz demandando, que agunia, seca a fronte, treme a base, bagunça o pensamento, inquieta o espírito, cega a razão, onda, ressaca, revolta, mar de sentir, emoção, frase, lábios, letra por letra pra não errar: kiss me.
8 de novembro de 2008

Yes, era outra vez um sentimento parecido. Ainda não estava do avesso, é verdade, porém era muito voraz, até em demasia. São pequenos fragmentos, momentos, olhares, atenções divididas, pedidas, buscadas, de encontros que incendeiam, ativam, vivificam. Ele estava com muito medo do que sentia, do que queria, do que intimamente pedia. Ele estava com aquela sensação monstra de impotência, de querer e não poder, de sentir e não dizer, da barreira que não deixa espaço pra se preparar pro mergulho.
Ele sabia que muito provavelmente, como sempre foi, talvez essa fosse só mais uma, que talvez fosse ter que afogar como afogara todas as outras, que talvez ia ter que sufucá-la até cessar, e que mais uma vez ia dor muito, demais, e que ele talvez -e muito provavelmente- ia escolher a dor de não tentar ao mistério e a coragem sutil de pretender-se. Nesses dias em que sua vontade, casada com a presença, mesmo que breve, efêmera do que se quer, lhe enchiam de energia, de entusiasmo e lhe deixavam naquele estado eufórico de pernas moles, palavras que tropeçam e não saem, que envergonham o olhar e deixam as mãos suadas, sim, a vontade de correr atrás e pedir pra ficar, não vá ele diria, mas como justificaria, o que dizer se não pode-se dizer o que deveria ser dito? Como explicar tanta dúvida, admiração e espera? Será só mais uma conjetura de sua mente inquieta e recoberta por esperanças e cores que morrem e nascem todos os dias? Gostar faz até do cinza uma cor vibrante. Interrogações, sorrisos, pele, aperto de mão, voz, e-mail, pedido, busca, ensaio, roupa, tanta coisa pra quem se pretende, é tudo pelo que se pretende. Camisa, botão, olás, até mais, simpatia que toca o íntimo, que suscita a alma, que lineariza, como num concurso de dominós, a reação em cadeia que derruba cada peça, das milhares usadas pra desenhar o que se leva meses por cada artista. Cada vez mais a vontade de sair de ser penubra, de ser autor ao invés de ator, da deixar a sombra de sempre, era a de uma história em branco com desejo de ser escrita, de uma luz que teimava em não se pôr, de um lápis que quer escrever cada letra de cada momento pretendido, respeitar o querer ao invés de matar cada um deles silenciosamente a gritos como sempre fizera. Deseja uma fada azul que realize seu desejo e te transforme em verdade. Deseja um Falcon que te leve aonde precisaras ir em Fantasia. Deseja uma aventura como a do The Girl Next Door. Deseja respeitar cada desejo. Desejo que escreve a página e começa o livro, a despeito dos tantos anos vividos, em branco. Vontade de querer ser protagonista de sua própria história. Desejo de uma coadjuvância adequada. Desejo de equilíbrio em demasia.
19 de outubro de 2008

You give me the wings to fly
You are the clear blue sky
I'm floating so free, so high
Falling with grace, for you, am I
You give me the wings to fly
You give me the wings to fly
You are the clear blue sky
I'm floating so free, so high
Falling with grace, for you, am I
You give me the wings to fly
G. Santaolalla
1 de outubro de 2008
Um. Dois. Três.
Ele estava correndo. E enquanto se deslocava numa velocidade intensa, descomunal, percebia que as coisas estavam ficando menores, não propriamente pequenas, mas estavam menos destacadas, e ele correu muito e chegou num prédio antigo, como num sonho desconexo qualquer, edifício afim do dos filmes de aventura que se passam em cidades européias quaisquer, e o prédio era de um tom cinza mesclado misturado com um marrom escuro do tempo passado, e a porta era alta, e imponente e pesada, que ele teve vontade e necessida de tentar abri-la, e ele conseguiu, com uma facilidade que o deixou preocupado, não, não podia ter aberto como se não fosse nada.
A porta era tão leve que parecia suspensa no ar, e do outro lado ele avistou um salão imenso, e vivido, e colorido, e cheio de tanta gente que ele conhecia. Logo na entrada foi recebido com sorrisos, e acenos, e ele gostava disso, mas naquele momento ele não conseguia se prender a isso, ele precisava continuar, e lembrou que precisava correr, que tinha premência em seguir, no outro lado do salão iluminado estava a escada, e por um segundo ele pareceu sentir por onde seguir, e ele despedia-se de quem encontrava e corria, ganhou velocidade e se viu frente ao primeiro degrau, todos estavam ali no salão porém ninguém o mirava agora, ele não estava sob foco, e então deu o primeiro passo, assim, respirou fundo e deu o segundo, confiante, colocou o pé no terceiro, e sucessivamente em diante, até dar por si que estava subindo, e as vozes, a música, a luz do salão de entrada estavam ficando mais tênues, a cada centímetro de subida, e enquanto subia viu que era noite, que a lua estava cheia, e que a escada estava banhada por uma luminosidade macia, amarela, carinhosa, e que ele estava sozinho. A solidão que sempre lhe impulsionara a correr e a buscar companhia, freneticamente, loucamente, agora como imperativo determinava a seguir só, e as escadas se sucediam, e dezenas, centenas de retângulos de degraus sucessivos foram delineados por seus passos. E quando ele cansou, encontrou o topo, a escada acabara, em sua frente estava outra porta, dessa vez de dentro pra fora, e ela era tão alta, e tão imponente e tão linda que era mais especial que a de fora pra dentro, era diferente por fim, muito distinta de tudo que ele já atravessara. E a distinção lhe causou medo, no entanto curiosidade também, e ele resolveu estender o braço, e imprimiu energia, e a porta foi se abrindo. De forma segura, e gradual, a perspectiva e o vento tomavam conta de seus olhos, de seus ouvidos e de seu rosto, e de seus lábios, e orelhas. Sua face experimentava o céu do alto de uma noite de lua cheia. O vento era gelado e forte, e a vista era tão ampla e linda, que o novo o convidava a ir pra fora. E a área não tinha bancada, nem proteção, era um platô; como todos os de torres do relógio onde bonequinhos vestidos tradicionalmente a caráter avisam quando é meio dia e meia noite às suas cidades, sim, o ambiente lhe trazia a lembrança, a imagem de incontáveis desenhos e filmes que já tiveram como palco um espaço como aquele. Ele tinha medo do vento, da altura, e do novo principalmente. Quando começou a dar por si sentiu aquela descarga elétrica característica desses momentos ímpares, tinha alguém ali, não sabia quem era, mas havia. E ele olhou ao redor, e se viu sozinho, contudo tinha a impressão, tanto quanto da lua, do vento, e da visão panorâmica, que ele não havia chego até ali sozinho. A vontade de correr arrefecia agora, atenuava o turbilhão que antes o dominava, e a paz gostosa de sentir seu novo eu trazia o equilíbrio de um encontro com ele mesmo. Talvez havia sido preciso querer, talvez ele precisasse subir tão alto, e ir tão longe, pra encontrar de novo e pela primeira vez o seu novo si mesmo. A solidão só tinha lhe trazido pavor, -claro!-, só tinha lhe submergido em pânico porque ele nunca entendeu o que ele deveria sentir. Sempre houve alguém ali: ele mesmo sempre esteve ali, e ele nunca havia percebido.
'cause there's beauty in the breakdown
30 de setembro de 2008
Let go
Drink up, baby down
Mmm, are you in or are you out
Leave your things behind
'cause it's all going off without you
Excuse me, too busy you're writing your tragedy
These mishaps
You bubble wrap
When you've no idea what you're like
So let go, jump in
Oh well, whatcha waiting for
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown
So let go, just get in
Oh, it's so amazing here
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown
It gains the more it gives
And then it rises with the fall
So hand me that remote
Can't you see that all that stuff's a sideshow
Such boundless pleasure
We've no time for later now
You can't await your own arrival
You've 20 seconds to comply
So let go, jump in
Oh well, whatcha waiting for
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown
So let go, just get in
Oh, it's so amazing here
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown
So let go, jump in
Oh well, whatcha waiting for
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown
So let go, just get in
Oh, it's so amazing here
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown
'cause there's beauty in the breakdown
Frou Frou
28 de setembro de 2008

í sayr lon won fur yo won
í sayr lon
í sayr lon yu ón fur gurr ón
í saylón
í sayr lon yu fón yu ónn
í saylón
í saylón yu wón saiy ón
...
í sónnn
í sayr lón
í sayr lón yón fúr yon fú
...
ónnnnn í sórr
í sayr lon
yúúrrr son
lónnnn yu sónn
yuu
í sún
yu sún
yu súún
í sún
wart yu
í sún...
De Baunilha
-Quero viver no mundo real. Não quero mais sonhar.
-Mais alguma coisa?
-Que eles leiam minha mente.
-Tudo de bom, David.
[The Nothing Song - Sigur Rós começa a tocar ]
-Olhe só para nós. Eu, congelado; e você, morta. Eu a amo.
-É problemático.
-Perdi você quando entrei naquele carro. Perdoe-me. Você se lembra do que me disse uma vez?
Cada minuto que passa... é uma chance de virar a mesa.
-Vou encontrá-lo novamente.
-Vejo você em outra vida... quando formos gatos.
O que é felicidade pra você?


