Hoje eu encontrei com teu pai na rua. E foi como se eu me encontrasse com um pedaço de você. Naquele momento meu coração acelerou, eu comecei a transpirar loucamente, e meu cérebro foi invadido por um turbilhão de memórias incessantes, que convulsas, me fizeram aconchegar por alguns instantes nos ombros daquele que representa tanta coisa boa pra mim. Porque você me representa tanta coisa linda, que essa nota me arrepia, e talvez seja isso que eu não queira deixar pra trás. É como se ao admitir que você se foi, eu pareça estar admitindo que nunca mais voltarei a ser feliz, como se meu único modo de ser feliz fosse com você: ao teu lado e na tua companhia. Em verdade, confesso que nunca tinha sido tão feliz quanto fui contigo, e que tenho esperança de algum dia vir a ser tanto ou mais do que fui, mas fato é que ainda não consegui. E talvez esse seja o maior desafio da minha nova vida. Aprender que eu posso ser feliz com o que ficou de você aqui dentro. Com o que resta de ti em mim. Com cada uma daquelas coisas que te ensinei e que me ensinaste. Estou repetido há meses nessa sina, nesse signo, nessa senda que é você. Não te esqueço e acho que não vou te esquecer. Mas eu queria que você me desejasse boa sorte, e que agradecesse ao teu pai pelos abraços carinhosos e solidários que ele me ofertou hoje. Inquestionavelmente eles foram lindos, e aconchegantes, e me fizeram feliz, me levando a escrever esse texto agora, pra dizer a mim mesmo que eu posso, que eu preciso, e que eu vou aprender a viver com o teu eu que vai morar pra sempre dentro de mim.
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9 de dezembro de 2011
Hoje eu encontrei com teu pai na rua. E foi como se eu me encontrasse com um pedaço de você. Naquele momento meu coração acelerou, eu comecei a transpirar loucamente, e meu cérebro foi invadido por um turbilhão de memórias incessantes, que convulsas, me fizeram aconchegar por alguns instantes nos ombros daquele que representa tanta coisa boa pra mim. Porque você me representa tanta coisa linda, que essa nota me arrepia, e talvez seja isso que eu não queira deixar pra trás. É como se ao admitir que você se foi, eu pareça estar admitindo que nunca mais voltarei a ser feliz, como se meu único modo de ser feliz fosse com você: ao teu lado e na tua companhia. Em verdade, confesso que nunca tinha sido tão feliz quanto fui contigo, e que tenho esperança de algum dia vir a ser tanto ou mais do que fui, mas fato é que ainda não consegui. E talvez esse seja o maior desafio da minha nova vida. Aprender que eu posso ser feliz com o que ficou de você aqui dentro. Com o que resta de ti em mim. Com cada uma daquelas coisas que te ensinei e que me ensinaste. Estou repetido há meses nessa sina, nesse signo, nessa senda que é você. Não te esqueço e acho que não vou te esquecer. Mas eu queria que você me desejasse boa sorte, e que agradecesse ao teu pai pelos abraços carinhosos e solidários que ele me ofertou hoje. Inquestionavelmente eles foram lindos, e aconchegantes, e me fizeram feliz, me levando a escrever esse texto agora, pra dizer a mim mesmo que eu posso, que eu preciso, e que eu vou aprender a viver com o teu eu que vai morar pra sempre dentro de mim.
20 de novembro de 2010
É como um pedaço pesado de gelo sendo destroçado por uma força motriz irresistível. É claro como a luz do sol que perpassa e atravessa todas as folhas da copa mais verde e mais alta da floresta. E tem uma espécie de textura que lembra a de um vegetal fresco e saboroso que há muito você não experimenta. E dá pra se dizer que nessas horas não há toque, nem entrelaço, nem corpo, definição, sensação, movimento dual e sincrônico que sustente. Não deixa de ser uma questão envolvente, e doce. Um dia eu te disse que crescer dói. E eu tinha esquecido o quanto. Minha impotência me lembra que minha tristeza é raiva. E eu me recordo agora de tudo aquilo que eu queria que fosse diferente e não é. Você pode não saber, e assim como eu não sei, eu acho que esse nosso não-saber em conjunto pode nos ajudar a escolher o caminho que vamos percorrer juntos ou não. Porque nada é absoluto. E eu acho que não há definitividade nessas notas redigidas que você me orquestra ao balancear essas equações sonoras, sensoriais, e sedentas por recompensas, compensações e transações humanas que eu também me permito expectar. Eu queria te dizer que eu estou preparado pra. E que amar é uma questão de transcendência, rompimento, interconexão, sensibilidade humana e afetividade. E se assim o é, que sejamos como as serpentes enroscadas lentas, umas verdes outras escuras. Porque eu prefiro sempre a verdade mais sólida e sincera. E é isso que eu te entrego e que te peço: que sejamos umbilicalmente menos osso e mais verdade.
28 de setembro de 2010
Eu queria começar te dizendo que eu escrevo por eu quero te mostrar o que eu sinto. Queria te dizer que meu quarto é pequeno mesmo, que tem muitas poucas coisas soltas e aleatórias e que meus livros estão empilhados porque não tem muito espaço sobrando por aqui. E apesar desse aperto todo, eu mesmo me repartiria em mil pedaços pra poder te acolher aqui dentro. Eu nunca vou chegar a ser aquilo que você espera que eu seja, porque eu nunca vou chegar perto de ser você, e eu quero me desculpar por isso. E esse pedido formal de perdão é porque eu sou assim, imperfeito, interrompido, segmentado, e talvez eu nunca tenha conseguido superar isso de forma total e plena e irrestrita. Quero te pedir desculpas também por eu não poder ser tudo aquilo que você merece e também por não ter tudo que você precisa, mas eu não posso alterar algumas coisas que não dependem do exercício das minhas mãos e da minha força. Eu queria que você soubesse que o que eu sinto por ti é algo da ordem daquilo que não se mensura e não se qualifica e que tenho sido repetitivo porque é inconcebível elaborar enunciados que deem conta da tua imensidão e da vastidão da tua presença em mim. Quero consignar ainda que você tem liberdade ampla, segura e imediata pra abordar qualquer coisa comigo, mesmo que isso signifique alguma coisa que você tenha medo de pensar. Eu quero colocar todas as palavras encaixadas, e deixar nossa história sempre completa escrita e clara. E eu queria que você soubesse que tudo aquilo que eu sempre achei que fosse era. Meu desejo mais profunda é tua total e completa felicidade, e eu estou me colocando a disposição pra que possas sempre se sentir assim, completo. E se isso significar que eu, quem sabe, tenha que deixar de ser parte daquela dupla celeste que reparte uma coroa cintilantemente estelar e única, eu não me importo, porque não há limites pra te amar. E se essa for a taxa da felicidade, não me recusarei a honrá-la, porque quem sabe eu seja daquele tipo de plebeu que nunca tenha que vir a ser rei.
28 de outubro de 2009
18 de setembro de 2009
Algumas considerações sobre você e eu. Nós temos um segredo em comum. Nossas semelhanças nos unem. Somos muito diferentes porém muitas vezes me vejo em você. Estamos sempre brigando conosco mesmos. Descobri que gosto de você do jeito que você é, por que isso é gostar de verdade. Sinto falta de ter você por perto, de poder me dividir contigo, de poder te ouvir, te ver, eu sinto falta da tua presença na minha vida porque eu gosto de você. Eu sempre gostei muito de você. Vivemos histórias entrecruzadas que se assemelham às vezes. Não tenho ninguém com quem conversar sobre você, a tua relação comigo é a única que nem meus amigos, nem meus pais, nem ninguém tem conhecimento, nem opinam. Eu sempre banquei você, desafiei todos e a mim mesmo por ti. Todas as vezes que converso contigo meu corpo treme e eu me sinto alterado. Eu não sei quem você é por completo. Meu medo gigante é da nossa aproximação. Eu sinto falta de uma reciprocidade contigo. Eu nunca te entendi tanto quanto hoje. Eu tinha muitas considerações pra te fazer. E a maior delas talvez é que quando se trata de você sempre se tem alguma coisa a dizer. Você nunca se esgota, nunca se acaba, nunca arrefece, nunca esvazia. Muito daquilo que eu escrevo sempre foi pra você ler. Eu penso em você muito. Gostaria de ter você do meu lado pra me acompanhar em muita coisa que eu vivo. Sempre quis que você fizesse parte da minha vida. Sempre me sinto bem quando estou ao teu lado. Quando estou na tua presença me sinto confiante, forte, altivo. Você é aquela pessoa que me fez várias vezes querer saber o porquê das coisas. Você sempre me ensinou muita coisa que ninguém mais ensinou. Ninguém substitui a tua presença porque você é inesquecível. Ninguém se assemelha a você porque você é, na tua possibilidade material, autêntico. Eu não sei o quanto nem como, nem certeza absoluta da amplitude possuo, mas tenho consciência plena de que quero o teu bem. Se eu pudesse passaria muito do meu tempo contigo e na tua companhia. Você exerce em mim uma repetitividade óbvia e explícita que ninguém mais exerce. Eu me sinto preso por você. Queria muito que eu pudesse saber até onde você vai. Meu temor dos dias seguintes é sempre de uma ansiedade que não me deixa tranquilo, e me sinto sem sossego porque gostaria muito de saber até onde você vai com aquilo que te confidencio. Nos confidenciamos muitas coisas e eu sempre me sinto cúmplice teu, apesar de que, infelizmente na maioria das vezes só você é meu. Queria ser teu cúmplice também. É um cárcere não saber o quanto você gosta de mim; e se você gosta de mim. Passei horas incontáveis contigo e tenho vontade de repeti-las todas porque apesar de todos os pesares e de toda a minha insustentabilidade perante ti eu me sinto feliz contigo. Eu me sinto diminuido, fraco, submissso e subserviente também. Nunca te pergunto nada não é pra não ter que ouvir o que eu não quero, é pra não te conhecer mesmo. A inversão paradoxal do querer estar perto de você sem te conhecer é algo que me fascinou. Você me fascina pela complexidade simples indecifrável, pela capacidade humana e frágil inarredável, você me congela pela frieza quente da conduta, teus mecanismos psicológicos de tentativa de controle me sufocam porque você não se abre pra sentir e se dizer aquilo que a gente precisa que seja dito. E nisso eu sou como um espelho. Eu queria que você conseguisse entender aquilo que nem eu mesmo entendo. Eu sempre quis entender porque eu gostava de você, mesmo você sendo comigo quem você é e muitas vezes agindo comigo como você age. E o fato é que eu te amo porque você é quem você é. Apesar de não saber quem você é ao certo. Você representa pra mim um triunfo sonhado, a espécie de idealização ambiciosa que você sempre me imputou. Eu tenho vontade de passar horas e horas discorrendo e falando. Uma sessão é quase nada perto de uma vida de pensamento e tentativa de entendimento. Queria deixar algumas coisas claras, translúcidas, quero muito que você faça parte da minha vida por que eu gosto de você. Das dezenas de vezes que viajei pra casa e das semanas em que fiquei lá sempre fiquei esperando por ter a oportunidade da tua companhia. Hoje me sinto sóbrio o bastante pra te dizer que tudo que venho sentindo e pensando é fruto de um amadurecimento terapêutico de meses. Eu quero te lembrar que de certa forma nós estamos no mesmo barco e foi sempre assim que eu enxerguei a gente. Pode ser mesmo que todos os meus medos se confirmem e você não seja quem eu espero que você seja, ou pode ser que você seja exatamente igual a quem você não deixa que os outros vejam mas você é ou o inverso, não sei. Independente da resposta meu maior e derradeiro pedido é que comigo você seja aquele eu que você gostaria de ser, ou então, que você seja por inteiro e integralmente quem você é por que sou a partir de hoje contigo quem eu quero ser.
22 de agosto de 2009
É como a tentativa de acertar a bola na cesta e fazer os pontos finais, do segundo tempo de um jogo que define toda a rodada, e você não pode perder a oportunidade essencial e final de fazê-lo e vencer a partida. E você não tem a perícia esperada, nem talvez está no momento certo da sua vida, mas o time todo e a torcida inteira da arquibancada acredita que nos próximos dez segundos teu braço vai enquandrar a bola no ângulo perfeito e ela vai descrever um arco simétrico à cesta e então os pontos vão ser feitos e todos vão correr pra te abraçar e a arquibancada, em saltos, vai fazer a festa do ano porque o time está sem vencer um campeonato há muito tempo. O problema é que tudo isso pode bem ser só fruto de uma das possibilidades dos próximos segundos porque se o time, e a imprensa e a arquibancada toda soubesse, o que realmente acontece na cabeça e na vida daquele jogador que agora pega a bola com as mãos e que olha pra cesta e faz cara de concentrado, e no momento em que ele ergue as mãos e mira a cesta e dribla o adversário e todos imaginam que a seguir vem o ponto necessário acontece que o jogador não sabe mais. E eu queria que você soubesse que eu não sei jogar bola, tempouco acertar a cesta que vence e decide o campeonato e por isso eu não sou alguém pra alguém porque toda a minha arquibancada e a imprensa e meu time no fundo não conseguem enxergar quem eu realmente sou, e naquele segundo o jogador largou a bola e calando o estádio não mais pelo suspense e sim pela surpresa, e aos olhos incrédulos dos flashes e do seu próprio time se retirou da quadra para o corredor escuro e pensante do vestiário pra onde sempre as dúvidas caminham e se vão. E é como um fim de tarde gelado e nublado e quieto, com um vento cortante que não te deixa saber como realmente está a temperatura e o que os próximos segundos te reservam.25 de maio de 2009

É como a paisagem que se altera todos os dias e no fundo acaba por ser sempre a mesma. Existe sempre alguma coisa ausente. A ausência também pode estar suspensa, pairando sob nossos corações. Naquele dia todas as nuvens se dispersaram e partiram, e o céu vibrante de outrora deixou de estar nebuloso e o sol partiu junto com tudo que havia e o que restou era a noite que chegava mais uma vez silenciosa e silenciante. Todas as memórias se remexiam do espaço onde estavam, num rearranjo que parecia o balanço de alguma coisa que está pronta pra fechar as portas. Talvez seja como trancar um quarto, encerrando as aberturas e ativando todas as ignições que selam a entrada e as janelas. Tudo talvez se resume a medo e incerteza. Porque esse é aquele em que o sol desceu o céu e encerrou alguma coisa que eu não sei bem o que. No fundo eu continuo sendo o garoto que não sabe das coisas. Alguém perdido na busca por um ser que não é, que sob o edifício da auto-observação, numa instância metafórica, passou a buscar incessantemente a análise de seu eu que deixou de estar onde deveria, e por isso não há garoto para se tornar, porque estou atrasado, no meio daquele deserto de mim, da onde talvez nunca tenha saído. E eu queria que você soubesse que você foi um sonho no meio do pesadelo da minha vida. E que eu te agradeço por teres me feito feliz, como nunca.
20 de maio de 2009
As folhas sem vida desciam sobre minha cabeça leves como o vento. Uma a uma iam se perdendo pelo chão, e quando eu pecebi estava rodeado por todos os lados por pedaços do que já havia sido a árvore mais alta que conheci. Naquele dia eu pude notar que o que me faltava era o que mais me compunha. E é como quando se está na praia num dia de inverno e se pisa na água gelada e se sente o arrepio percorrer toda a sua pele, e o mar está revolto, e nem o chão, nem a areia, nem as estrelas nem concha alguma se pode ver olhando, porque a água está turva como o céu mais nublado da estação. Todas as minhas marcas, todos os meus traços, todas as cicatrizes que eu carrego ficaram expostas porque eu fui descoberto pelo vento que veio na hora precisa. E esse é aquele em que eu me despeço daquilo que habitava em mim e de quem eu achava que estava sendo, porque hoje enfrentei meu fantasma e quando me olhei no espelho pude vê-lo, por inteiro, à espera. E toda a luz que você me ofertou desintegrou as últimas correntes que me prendiam ao reflexo, e porque eu tenho certeza de onde vim agora. Eu queria que você soubesse que os bons nunca se rendem porque cada um de nós tem o dever de ser herói da própria história, e se eu aprendi alguma coisa contigo foi a de que nunca é tarde pra se ser quem realmente a gente é. Todo o meu respeito e minha admiração se transvestem em felicidade e radicalismo porque só a inversão mais apoteótica, singular e especial que a dialética pode ofertar explica o que eu sinto agora.
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