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9 de julho de 2012

Amar é isso. É não sentir limites pra mais nada. É correr as lágrimas sempre presas. É permitir vida onde só havia morte. É uma espécie de liberdade sem fim. É como se você deixasse para trás todas as máscaras as sombras e os medos que te encarceravam. Amar é ficar nu. Irrevogavelmente translúcido. Transparente numa espécie de vulnerabilidade consentida. Eu queria que você soubesse que eu te amo. E que isso faz de mim uma pessoa incrivelmente melhor. Você me devolveu a vontade de viver. Você me concedeu poderes que eu nunca tive. E hoje eu me realizo com o simples fato de pensar na tua existência. É uma espécie de lucidez extremada indefinível. E me faltam palavras, agora, pra descrever a imensidão do que me fazes sentir. A grandeza que você me provoca. A apoteótica e celestial febre de sentimentos que me acomete quando estou contigo. Você é minha paz. Meu espírito. Meu refúgio. O caminho por onde a ponta do dedo aponta o futuro. Você é a felicidade empenhada no grito. E eu vou lutar, incansável e ardorosamente por ti. Não vou largar da tua mão, porque eu preciso de você ao meu lado. Espero poder te realizar como você me realiza. Eu quero que você saiba que há meses todos os meus sorrisos meus sonhos e minhas esperanças são teus. E não há nada que me furte, neste instante, a te afirmar que eu sou teu. Obrigado por existir. Te agradeço por cada segundo de cada dia, por cada letra de cada linha; e por teres tido a coragem, nobre e honrosa, de lutar por ti mesmo, por mim, e por nós. Confesso, por derradeiro, que tenho um desejo, último: conseguir, algum dia, de forma absoluta, te fazer ter certeza de que nós sempre vamos ter valido às penas, todas. Eu queria que você soubesse que eu nunca vou te esquecer, e que a partir de hoje você faz, de modo inexorável, parte de mim. Para todo o sempre. 

15 de junho de 2011

É como se acendessem milhares de estrelas no céu. É como se iluminassem as trevas e as tornassem penúmbra. É como vencer todas as ondas gigantes que sempre arrasavam a praia. É como quebrar os grilhões que te prendiam à âncora. É como irromper pelas grades da cela. É como transcender todo o medo, a dor, o constrangimento e o sofrimento imbricados na pena perpétua da vida. É mais ou menos como sentir na veia a alforria formal. É uma espécie de estado de sobriedade acelerada que te retroalimenta de paz e amor. Eu queria que você soubesse que eu sempre estive perdido. Que eu sempre estive vagando pela tradução, pela tentativa moribunda e infrutífera de me fazer entender, expressar, proclamar, repartir, significar, transcender. E então chega um dia em que você, sem mais nem menos, ato contínuo percebe que não existe mais tentativa, que não existe mais necessidade, que não há premência, porque, motivo, razão ou circunstância para tentar ser. É como se tivesse uma hora, um momento e um espaço dentro do tempo em que você se percebe sendo. E aí, quando você é, não há mais nada. Todos os teus sonhos recorrentes são vencidos e obliterados, todos os teus medos e traumas são derrubados como muros, e você se vê, nu, diante de um espelho sem fim que em verdade é um campo verde infinito florido e agradável como a tarde mais confortável e especial da primavera. Tem alguma coisa a ver com uma espécie de estado transitório denominado de felicidade. Como quando tudo aquilo que você sempre quis sentir se torna sólido e imaterial e invade você na proporção da alma e então nada mais importa. É como se você recebesse as asas que sempre quis ter. E num salto, último, único, primordial, se lançasse aos céus do alto da torre em que sempre fosses prisioneiro de si mesmo. E por dentro dos ares, das nuvens, você e o vento se tornassem uma coisa só porque a vida é um mistério engraçado que sempre vai além daquilo que se vê. Diante disso, eu só queria que você soubesse que eu sempre tentava ser alguém que eu já era, e que a gente só consegue ser quem a gente é, de verdade, quando a gente se respeita plenamente, de forma visceral, nevrálgica e irrestrita, do começo ao fim, do princípio ao final, do primeiro dos fios de cabelo até a última das unhas dos pés.

12 de setembro de 2010


É como se você tivesse desnudado todas as minhas fantasias, devassado todos os meus sonhos, invadido todos os meus asilos, violado todos os meus segredos. Meu consentimento é tão teu que já não o elaboro como propriedade individual. Eu sou repartido de uma forma dupla e compartilhada que me amedronta pela integridade, amplitude e forma implacável com que é feita. O que eu nutro por você é tão absurdamente claro e lúcido que o tempo só tem determinado uma acuidade visual ainda mais perfeita e precisa, não existem mais borrões, névoas ou incertezas. Minha definitividade nunca foi tão confortante e harmoniosa. E me descobrir par, dessa forma pura e inocente, me traz uma leveza e uma felicidade que, até então acostumado com o inverso, não sei lidar bem. Sinto nas veias e na pele e na alma o vento gelado e singular de uma praia vazia e ensolarada de inverno que só a gente pode visitar. Tua presença me concede vontades inéditas, valentismos juvenis, coragens que eu não sabia deter, dotado da capacidade de sentir, você me leva a experimentar e viver o mundo de uma forma tão integral e intensa que já não há mais margem pro medo do desconhecido, eu me sinto possuido pelo desejo de viver sem freios, espelhos e ameaças. O receio que persiste é o de eu, talvez, ainda me sentir ínfimo e inglório frente a imensidão da tua presença e do teu ser. Desaprendi a escrever porque não sei explicar minha completa e consciente e total entrega absoluta a você. E prefiro assim, antes o amor que as letras.

23 de agosto de 2010

Um raio de luz atravessou todos os vidros opacos e cinzentos e escuros e sujos e borrados e penetrou por todas as barreiras e encontrou um espelho. O espelho acordou com aquele choque de fótons incandescentes e rápidos e dourados e brilhantes e em fulgor e então refletiu como que automaticamente para todos os lados daquele cômodo fechado e enclausurado e hermeticamente isolado desde sempre. As paredes sombrias e enegrecidas pelo vazio e pela ausência de claridade passaram como que num passe de mágica a se desmanchar como que fumaça ao vento e então os vidros e as janelas, inteiras, foram desabando ao chão como papel picado no ar, e o espelho atingido pelo raio via a intesidade da força da luz aumentar e então o que era um raio passara a ser um feixe e o feixe se fez turbilhão e tudo passava a ser plástico e plasmado e fluido e já não havia mais espelho nem origem da luz porque tudo era claridade e calor e intensidade e força e carinho. E então ele acordou e sentiu que continuava sonhando, tomando consciência da realidade ele percebeu que o raio de luz era corpóreo e ele, o espelho, carne, e que havia alguma coisa presente, e não ausente, suspensa ao seu redor e que tinha laços, invisíveis, que o enredavam por completo, e essa rede intangível lhe dava a sensação de conexão mais libertária que ele já havia sentido. De dentro do seu coração partiam pulsões vívas e vívidas e vibrantes que percorriam todas as linhas imaginárias e acabavam por desaguar na foz de um outro coração ainda mais quente e nobre e vermelho que batia como que num ritmo celestial e que lhe devolvia a energia numa ciranda elíptica e eletrônica que era inintelegível, e assim, num movimento incessante e avassalador de luz e amor e dourado ele já não era mais matéria nem energia nem calor e só havia som e amor e tudo era uma essência disforme e densa que condensava e em espiral descia para habitar o formato recortado e solene e sofisticado de uma coroa destinada a tornar majestade um rei.

27 de abril de 2010



Eu estou entregando as chaves hoje. A chuva acabou lá fora mas o que ela trouxe dos céus parece estar cada vez mais sólido e próximo do que deveria. Eu estou abrindo os cadeados, todos, e escancarando as janelas, tem umas trancas emperradas também, cujas chaves eu perdi, que eu estou destruindo com martelos. Estou desconectando todos os alarmes também, as cercas eletrificadas, as armadilhas, os chãos falsos e todos os mecanismos de defesa e proteção. Eu estou limpando as calhas também, quero que o vento fresco passe por elas junto com a água da próxima chuva. Eu já coloquei aquele guarda-chuva pra secar, lavei os lençóis, troquei os cobertores e coloquei os travesseiros no sol. Já não há mais nada envolto no escuro e em trevas. Cada centímetro agora parece estar envolto e embebido e encharcado em luz e claridade e leveza. Desde que você chegou no portão, lá fora, há segundo atrás, todo esse processo se desencadeou sozinho e não há nada que eu possa fazer pra refreá-lo, nem eu consigo me frear, parece uma marcha insandecidamente obstinada a cumprir com um propósito inadiável e improcrastinável. Por favor siga em frente, caminhe pelo jardim, continua seguindo em direção à entrada, pegue as chaves na mão, coordene os seus movimento com a fechadura, pegue firma na maçaneta e abra esse portal que sempre esteve à tua espera. Por favor, entre, olhe pros lados, sinta o perfume, escute a música, sinta a poesia escrita nas paredes, tatuada no teto, fixada nos vidros. Por favor, chame por mim, diga meu nome, exteriorize teus desejos, venha ao meu encontro. Por favor, acalma minha alma acesa e alva que agora alicerça a manhã que você desvela. Por favor, irrompe pela escada a cima e olha pro espelho do tempo emoldurado no fim do corredor porque ele guarda um segredo. Por favor, sussura e me encanta, porque eu nunca ouvi uma voz tal qual como a tua. Por favor, não fique parado nem tenha medo ou receio ou não deixe que nada te impeça. A partir de agora eu não me responsabilizo mais por essa casa sozinho, está tudo aberto, transparente, translúcido, cristalino, e eu não sei mais dizer nada, nem elaborar, nem descrever, nem escrever. Nada mais importa porque agora eu tenho você e você me tem. Com a benção de Caio F. Que assim seja.

25 de abril de 2010

É um recorte do céu de um dia de abril em que eu estava a caminho de casa. Tem duas nuvens diferentes que cruzam o céu e elas tem uma dimensão desconhecida. Eu tinha saído pra ajudar alguém que não queria mais ficar sozinha porque não queria mais sentir. E naquele dia eu acho que eu devo ter saído por alguma outra razão que transcende isso. Eu estou tentando encaixar, colar, engrenar, coordenar, juntas em pedaços. É como um quebra-cabeça novo e desconhecido, e imenso, e gigante, e amplo, e que dá muita vontade de resolver, solucionar, acabar, unir, terminar, e contemplar longamente pra se colocar na parede, numa moldura fina, e deixar lá, pra sempre. E aquele céu tinha duas nuvens a caminho. Uma delas escura, fragmentada, outra densa, iluminada, e elas compunham um arranjo inédito. Eu não queria que nada disso fosse repetido, e não é. São tantas palavras velhas que não cabem mais nessa esboço adolescente e juvenil de tentar traduzir um sentir tão confuso quanto convulso. Eu queria que toda madrugada fosse chuvosa se ela trouxesse uma gravata-borboleta com um presente em forma de esfera coberto por chocolate e recheado de avelã. Eu pensei em relacionar com espelho, e desisti porque não consigo apreender a imagem ou captar as formas de um ângulo imparcial. Você me ceifa a imparcialidade. O som, a sensação, aquele dedo-no-dedo, e aquela multidão em movimento desconexa pulsando e pulando e ebulindo por todos os lados e aquela sensação de encontro e triunfo e proteção e carinho e independência e liberdade de andar pelo meio da turba em fluxo e saber que você tem direção, vetor, sentido, copiloto na curva doce que você me faz sentir. E ainda tem alguma coisa da ordem de um sorriso que perpassa e pergola e penetra e atinge uma estrutura que eu não sabia existir ou ignorava a existência. Sem falar na amplitude de um presente apoteótico e sem sentido que você entrega e remete naquele jeito bom e lindo de existir. E me falta bagagem agora pra tentar elaborar alguma coisa que não soe repetente e igual a tudo que existe por aí. E existe uma lacuna, por fim, nesse fim, porque eu sinto que isso pode ser que venha a ser bem mais do que umas simples linhas rabiscadas no domingo chuvoso e gelado e cinza e mais bonito que eu já pude sentir e viver. E eu queria ter um guarda-chuva agora porque eu queria proteger você enquanto você dança na chuva; comigo.

28 de março de 2010


You. É pra começar te dizendo que você mudou a minha vida e eu acho que essa vai ser uma grande confissão. Desde o primeiro dia, da primeira conversa e da primeira madrugada, desde a primeira ligação e dos primeiros segredos divididos eu sempre suspeitei de mim mesmo por estar acreditando que você podia ser real. E o que mais me assusta é o quanto eu estou assustado por gostar de você. Porque sozinho a gente fantasia muito, e eu tenho muitos problemas com solidão e sonhos, e eu sempre achava que talvez tudo não ia passar, como quase tudo na minha vida, de um grande mal entendido e que você ia dizer que era só mais um grande amigo ou então ia chegar um dia pra mim dizendo que estava muito a fim de alguém ou apaixonado por alguma pessoa que não seria que eu esperaria que fosse, como sempre acontece comigo. E aí tem uma espécie de segredo que eu ainda não consegui desvendar, porque eu estou há alguns meses trabalhando no mistério que é você, na tua complexidade implacável, na tua postura de hombridade e doçura, tua forma leve e compromissada de encarar o mundo e a tua assistência irrestrita com que você nutre algum tipo de sentimento bom. Eu acho que você é muito surreal porque eu nunca tinha ouvido uma voz tão linda, e encantadora, e bonita, e eu fiquei sorrindo sem saber o porquê durante dias depois que eu a ouvi pela segunda vez. Teve um dia também, e eu sou imensamente grato por isso, que eu acordei lá naquele lugar onde o vento faz a curva, e você tinha mandado um sinal doce e matinal de vida e você não tem idéia do quão especial e do quão importante foi ter você por perto quando eu mais precisei. Pode ser que isso seja só efeito desse meu jeito romântico e escancarado de colocar as coisas pra fora porque você já deve ter percebido que eu não sou daquelas pessoas que escondem tudo pra sempre. Eu queria te dizer que você é muito especial e que eu estou de quaresma por tua causa e que depois que você apareceu no meu caminho eu experimento uma espécie de tranquilidade e calma que eu nunca tinha conseguido sentir, e por mais que essa tenha sido uma batalha minha eu só tenho conseguido triunfar por tua causa, e é por você que eu escrevi essa confissão porque só você tem me dado vontade de dizer pro mundo o que eu estou sentindo, e isso não acontece assim há tempos, e eu não vou retirar nunca nada disso do que está posto e escrito porque você merece tudo de mais especial e lindo e feliz porque você é fabuloso, e eu te espero o tempo que eu tiver que esperar porque desde que eu te li pela primeira vez eu achei, e depois tive certeza,  que igual a você não há.

13 de dezembro de 2009



Era mais ou menos como esse dia nascendo. Só que mais especial. Tinha a intensidade desse sol que manda embora aquela treva sem fim e repetente. Tinha uma fragrância escondida como esse ar fresco e gelado do amanhecer. E teve um momento que eu achei que não podia ser. Que todas as imagens, as sensações e os toques eram de mentira, alucinações da minha fantasiosa e irriquieta mente. Não eram. Irrompiam pelo espaço todo as músicas mais intensas e a magia não cessava. Era uma espécie de encanto consentido, sincronia perfeita, sintonia fina, equação completamente equilibrada. E eu equilibrei aquele corpo algumas vezes porque parecia que a gente era par. Logo eu que sempre achei que era ímpar. E o canto dos pássaros aqui na janela me impede de fechar os olhos e sonhar. Aquele medo derradeiro de adormecer e acordar encarando que tudo não possa ter passado de sonho é algo incrustado, arraigado, que me pergola intermitente. Só que hoje parece que o medo se esvaiu, partiu, seguiu rumo pra algum lugar que não me habita. Minha denúncia é minha face e nunca me senti tão orgulhoso por ser incriminado. Eu acho que quando a gente se entrega tem uma espécie de liberdade única, é um exercício de coragem, respeito e prazer, tudo amalgamado e imbricado junto. É algo da ordem do inenarrável, do indescritível e do inominável. Não foi só macio, e agora um sorriso me esboça a face, foi gostoso, pra caralho. A mágica do poeta gaúcho não me deixa esquecer que os figos são flores que abrem pra dentro.Só posso afirmar que foi lindo e que ele tem razão, em tudo e sobre as flores, principalmente.

3 de maio de 2009

Realidade e sonho se misturam de uma forma tão nova e intensa que eu me sinto apavorado pelo gigantismo que isso me traz. Eu me sinto como uma formiga frente a um imenso jardim de folhas verdes, prontas pro corte. E tem uma lua no céu agora. Existe alguma coisa que começou e que me deixa anestesiado, completamente confuso, e com medo, e com tudo aquilo de mais intenso que existe. Porque no fundo eu acho que isso não existe. Isso não pode ser real. Existe sempre alguma coisa suspensa e dessa vez a suspensão foi tão intensa que condensou, e se liquefazendo desceu. Em cada pedaço de cada canto da minha alma me sinto diferente. Eu não sou mais eu mesmo porque eu nao me reconheço mais, é como se tivessem reiniciado alguma coisa dentro de mim, meu passado esmorece, minhas lacunas se abreviam, minha tristeza mingua e eu me sinto invadido por aquele calor que me toca, que me atordoa porque eu nunca tinha podido sentir e eu pude. E eu queria que você soubesse que hoje, mais do que nunca, foi tão especial e tão singular que não consigo dizer mais nada. Só que eu sinto e isso é fantasticamente intenso. Obrigado.

17 de abril de 2009

Eu queria que você soubesse que não deu tempo de preparar a tua chegada como eu queria. Faltaram as faixas, os balões, as cornetas, o lanche, as pessoas, a música, as cores, faltou quase tudo porque eu tenho um problema com atraso e que acho que dessa vez meu planejamento deu errado de vez. Eu sabia que você estava chegando, e o mais engraçado é que isso aconteceu de uma forma que eu não estava esperando. Existe uma sincronia ímpar nessa história toda. Eu queria que você soubesse que eu nunca estive tão preparado, nem me sentindo tão estranho. Há dias eu acordo com uma espécie de sentimento de conforto que eu nunca tive, é como se de um dia pro outro você tenha me enchido de vontade, e tenha renovado minhas forças, injetado ânimo, eu acho que houve uma transferência entre a gente e eu estou conseguindo perceber isso, como nunca. Às vezes eu tenho a impressão absurda de que eu estou em contato comigo mesmo, em uma outra fase, meio hoje meio ontem. E a tristeza, pertinente, a angústia, recorrente, a raiva que me envenenava, a desesperança que me dominava, todas as intempéries do meu próprio eu conflituoso foram varridas do céu que existe em mim pra um espaço distante do meu sentir. Eu queria que você soubesse que eu estou tranquilo e que eu não sinto uma incontrolável tensão de agir. Na verdade eu sinto uma espécia de calma envergonhada, como a desse texto por exemplo. Quando materializei a profecia da tua chegada eu estava inebriado pelos meus sonhos e por uma sensação boa que não era só esperança, era algo que amalgamava um teor especial, um matiz de ternura, uma essência cativa de bem, um espectro de completude. E esse é aquele em que eu encerro começando, que te digo que tua presença venceu minha ausência, e num ímpeto de coragem e segurança, afirmo que eu acho que os olhos que achava que tinha visto, eram sim, por fim, escuros.

26 de março de 2009



Eu queria que você soubesse que esse texto foi escrito depois de uma sessão de cinema do dia 26 de março de 2009. E eu queria te dizer que você foi o meu primeiro melhor amigo de verdade. Eu já tinha tido outros amigos, pessoas com quem me dividia, por quem lutava, pessoas com as quais eu planejava meus sonhos e compartilhava as minhas idéias, no entanto, com nenhuma delas eu podia ter sido eu, e contigo eu pude. Eu queria que você soubesse que você é uma das pessoas mais fantásticas que eu conheci em toda a minha vida. Eu agradeço a deus ou ao que quer que seja que rege as nossas vidas sempre que me lembro que um dia eu já pude falar com você, eu agradeço por ter tido a oportunidade e a chance de ter sido teu amigo. Quando eu olho pra todos esse meses desse mais de um ano de convívio eu vejo sonho realizado, vida e felicidade. Porque? Porque você me deu a esperança, real, de que um dia eu poderia vir a ser feliz. E eu queria te lembrar que isso não é idolatria, nem nada do gênero, isso é sinceridade, sentimento e verdade, porque você também me ensinou o que é ter um coração bom, qual é o valor do caráter e porque devemos ter princípios. Eu queria que você soubesse ainda que eu teria milhares de frases e palavras e coisas pra te dizer, pra ressaltar, adjetivar, consubstanciar, porém não precisa. Você já sabe tudo que eu vou dizer. Eu desejo pra você toda a felicidade do mundo. Eu não sei aonde você vai morar, com quem você vai estar ou que você vai ser. Eu não sei qual é o teu futuro, se é em São Paulo, Brasília ou Nova York. Mas não importa onde , como e com quem. Eu queria que você soubesse que foi você quem me ensinou que algumas coisas são pra sempre. Eu sempre vou te admirar, vou torcer por você, vou ser o teu maior fã. Cara, eu não sou teu pai, nem teu irmão, muito menos teu parente, mas eu queria, por fim, que você soubesse, que eu morro de Orgulho de você. Obrigado por ser meu eterno maior exemplo. (e por tudo que você sempre fez por mim)
Do teu pra sempre amigo,

13 de março de 2009


Eu estava sentado num banco plano, preto e macio, com uma meia luz amarelada, e macia, sob um chão de porcelanato, branco, perolado, quase na troca de um dia pro outro, num ambiente amplo e agradável, e eu estava ouvindo a voz que me suspendeu do meu sono, e que por conseguinte me legou a abertura dos meus olhos pra vida. E a voz me dizia, com todas as letras que uma pessoa pode dizer, que tem pessoas que não sabem enxergar o outro, que tem gente que acha que as outras pessoas não podem ser melhores do que elas ajulgam que elas são, que as pessoas tem histórias, sentimentos, uma vida inteira, e que as pessoas podem sim, se importar com as outras e lhes querer seu bem. Nessa hora eu parei. Quer dizer, não sei. Acho que eu acelerei tanto que eu morri e nasci ali, de novo, pela centésima vez nessa vida, mas foi diferente porque naquele mesmo instante eu acordei diferente. Eu tenho a estranha mania de acreditar no melhor das pessoas. Eu acho que eu sou assim porque eu tenho um coração, bom, e agora, mais do que nunca, eu percebi isso, e essa minha característica, ingênua, romântica, sonhadora, explica muita coisa, de sempre, da minha vida toda. E eu levei a voz até o seu destino, e eu a ouvi por todo o percurso, e ela me disse tantas coisas legais e bonitas que eu cheguei a mais conclusões que não são definitividades: são as impressões da vida em mim, eu sou marcado pelos sentimentos e pelas vivências do meu trajeto. Eu amo as pessoas. Muito. E eu queria dizer às vezes eu sou tão feliz por causa delas que eu não acredito que essa é a minha vida. Mas é. E acabou essa história de dizer que o que eu vivo não existe, que nada disso é real. Sim, isso é sério, existe, e isso, pra mim, é viver.

22 de fevereiro de 2009


O entardecer estava maturado, colorido, não vibrante mas tocado, como uma primeira mão de tinta numa construção em vias de acabamento. O edifício estava de pé, finalmente, e a espera pela conclusão fora a jornada mais longa, temerosa, pesada e complexa de toda a sua existência. Atravessar o tempo junto significa cruzar as barreiras intangíveis impostas pelo envelhecimento e pela passagem de etapas e linhas imaginárias mas tão reais ao mesmo tempo. A simultaneidade de uma vida dividida estampava agora, neste exato momento quando a luz azulada do dia migrava pra além, todas as marcas vívidas, definitivas e exemplares de um processo. Os caminhos se cruzam como uma trama irreal, inimaginável, inacreditável, duma maestria ímpar, singular, brilhante, de acasos perfeitos, encaixados, substancialmente ligados. História quintessencial que não é roteiro de cinema, script de novela, romance de banca, é fato, indubitável, da orquestra autônoma da vida. Cada cor que tingia o céu e as nuvens naquele entardecer ressaltavam e coroavam o fim do ciclo mais longo, e o começo de um novo processo, ainda mais renovador, intenso, marcante e único. Todas as palavras ditas. Todos os sentimentos endereçados. Toda a história vivida. As luzes de todos os postes se acendiam e vibravam. A cidade anoitecia ao som inaudível da satisfação de uma estação inenarrável e insolúvel no tempo, do mais apoteótico afeto, da melhor conquista, da mais especial e sonhada amizade.

12 de fevereiro de 2009


Eu não sei como, mas você deveria olhar pra fora agora.

14 de dezembro de 2008


A pergunta. Sim, foi ela que levou ele tão longe e me trouxe até aqui. A dúvida e o sonho me guiaram até uma vida nova, uma vida que transformou-me, em ser novo, revestido, recheado, em pessoa nova, disposta, autêntica, eu vivi a vida, e ela me devolveu a experiência inédita de ser quem sou. Ser eu mesmo é pra mim uma experiência tão nova e intensa que me custou dias, semanas, meses inteiros. A experiência de encarar a si mesmo, e de me trazer a mim, de me devolver a quem eu pertenço, a sensação de receber algo que é meu e que eu, porém, nunca tive, é a de alguém que sentiu na pele o sentir. Amor, sim, eu amei, e amei muito, tanto, e de forma tão louca e urgente que cai num abismo escuro dentro de mim, e a solidão me corroeu, me enlouqueceu, no entanto me encorajou, me fez pedir socorro, me fez errar também, contudo nunca acertei tanto e jamais eu havia feito até então, tantas escolhas corretas. Hoje, nesse crepúsculo de dois mil e oito, quero proclamar a mim mesmo, e às nuvens, à chuva, ao céu e ao sol, e a todos aqueles que me são caros, que nasceu enfim, o mesmo menino novo. Foi desfeito o papel imposto, a cena montada, o artista pretendido se despediu do palco, a transformação é a mudança de alguém que passou a escutar seu próprio coração, e que encontrou no mundo, nesse mesmo mundo que o levava desejar morrer tantas vezes, pessoas com quem compartilhar seus sentimentos, seus sonhos, com quem compartilhar-se, e dividir-se, doar-se, entregar-se e mudar-se. Nessa madrugada, ele sentiu na pele aquela mesma felicidade, pura, intensa, letalmente revigorante, inesquecível, tão concentrada que ele sentiu o gosto da vida, do bom viver, do bem viver, e ele agradeceu a cada um deles, os dois, seus maiores presentes por ter tido toda essa experiência. Eu não acredito que isso tudo é real, que tudo isso foi real, eu não consigo acreditar que eu recebi palavras, sentimentos, desejos remetidos a minha pessoa, eu nunca me senti tão querido, tão amado, tão companheiro, eu nunca confiei tanto, eu nunca me senti tão bem, eu nunca fui tão feliz como nesse dois mil e oito. Ano inesquecível, cena da parede de memórias, dos registros do tempo, dor que fica na lembrança, loucura que ensina a sentir, razão que racionaliza enfim, desejo que aflora, que pede, que pronuncia, amor que reparte, comparte, brota, que flui aceso em direção ao coração, carinho que penetra na alma, gosto da vida que tempera o tempo, três amigos, tantos dias, muitos sentires, uma múltipla história única cheia de paralelos traçados. Letra que deposita, foto que imortaliza, alegria que impulsiona. Nesse exato momento quero agradecer mais uma vez: muito obrigado. Nada mais será como foi ou era. Obrigado por toda a felicidade e o carinho que senti. Dúvida que virou Amor. Amor que converteu-se em Dor. Sincronicidade que amalgamada em Amizade, fez do sonho Felicidade.Rimas pobres, palavras ricas. Acaso não existe. Era pra ser.

7 de dezembro de 2008


Era o estranhamento do novo. Nunca antes havia ele sabido o que era ser ele mesmo. Cada dia era como um daqueles carros, num fluxo unidirecional, intenso, diferente, colorido e incessante. Ele havia crescido desqualificando o sentir, sentimentos eram difíceis, perigosos, sofrimento, excesso. Racionalidade era bom, controle, tecnicidade, tentativa de domínio, homicidio dos desejos. Ele jamais havia imaginado que iria tão longe -no sentir- em tão pouco tempo. Ele nunca, nem no seu mais belo sonho de outrora havia chegado a cogitar que poderia vir a ter a possibilidade de ser tão feliz. Talvez ai o porquê de tanta inveja. Querer ter o que o outro tem, no âmago, o desejo de ser tão feliz quanto acha-se que o outro é ou parece ser. Calma, alegria e satisfação não rendiam inspiração, não davam bons textos, não teciam a confusão em letras, descendentes e ordenadas no papel, numa espiral enfileirada e coordenada em linhas, pontos, frases inacabadas e escancaradamente humanas. Era a auto-tentativa de querer encontrar-se no espelho das palavras, do perder-se tão familiar que sempre achava, ou quase, um esperança de seguir, no fim de cada ponto final. Teria sido uma grande confusão de sentimentos, teria sido um grande amálgama de sentir, teria sido um grande sonho, teria sido uma grande realização esperada, tantas indagações da realidade vivida e pensada. Talvez o gosto dele por cerimônias, homenagens e encerramentos explicassem um pouco seu premente desejo por apoteoses e consolidações etéreas. O vazio existia, e colidia com o nada tão familiar que estava na batalha eterna do acreditar e do querer. Grandes montes de coisas abstratas batalhando num espaço-tempo que só existe dentro da imaginação que mora dentro dele. Descoberta da felicidade sem culpa, aceitação do hoje, de si, tentativa de cessar o entendimento porque viver é muito mais que racionalizar o que não se pode enquadrar, tampouco denominar. Numa perspectiva do passado, se atento aos quereres periféricos e envergonhados, pode-se dizer que havia sido quase tudo em poucos meses. Suas lágrimas encheriam baldes, sua felicidade piscinas, água, líquido da empolgação dele. Dos desejos realizados, pretendidos, alcançados. Beleza, riqueza, inteligência, conteúdo, admiração. Escada do labirinto cheio de andares. Certeza de querer ser como eles são, ou pareciam ser, desidealização que opera, descontrução que liberta, saudade que é carinho, vontade de felicidade, espera de realização pra ele, abraço que não cessa, lembrança fixada na parede enterna da vida, do agosto de dois mil e oito, do domingo de madrugada, da catarse coletiva, do rendimento do eu ao amor. E lá se vai um tempo que não vou lamentar como passado, que não vai me prendar mais pelo desejo de reviver -é isso que ele faz, e quer continuar fazendo-, é isso quje ele sempre fez com tudo que é dele, porém agora, já que ele mesmo é outro, é ele, isso também deixará de ser, porque isso não é ele, verdadeiro, isso era dele, outro, artista da vida que dissolve no tempo, horas de conversa terapêutica que descotinaram seu encontro, sonho, muito sonho, nuvem, fantasia, céu, chuva , dor, calor, sofrimento, água, música, palavras, letras, blog, sonhos, tantos desejos e imaginações conjeturadas. Recortes, emoldurados, fixados, passivos da admiração eterna que não escraviza, que suaviza sim, edifica, amortece e encoraja. Páginas brancas vivas à espera da história a ser escrita. Passo-a-passo do no autor da sua própria história. Saga de um menino ex-canhoto, ex-olhos azuis, ex-prisioneiro, ex-não-ele-mesmo. Eu adoro narizes bonitos e unhas saudáveis. Tenho inveja de beleza e riqueza. E falo o que tenho vontade - ou não, mas tenho falado.
Aprendizado poético: Não há falta na ausência. Que Drummond e todos os meus novos e velhos conhecidos sejam bem-vindos. Meu tempo é, sim, quando.

12 de outubro de 2008






Acreditar nos sonhos é fazer a vida valer a pena.

Transição