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25 de setembro de 2011


Eu sonho todos os dias com o teu cheiro. Eu sinto tua presença sempre comigo. Eu não esqueço da tua respiração lenta ao dormir. Do arrepio da tua pele com o meu toque. Dos nossos enlaces na tua cama. Eu me inebrio com o prazer que você me entregou. E me regozijo com o prazer que te fiz sentir. Eu contemplo as palavras que me escreveste. E me orgulho de cada vírgula que te proferi. Eu sucumbo a cada sonho que desenhamos, e aprendo sempre com cada desafio pelo qual passamos. Me sinto compelido a te revisitar sempre que me dou por mim, e que recobro a consciência da minha dimensão. Você é infinito pra mim. Existe alguma coisa que transcende a mera normalidade naquilo que eu sinto por ti. Não é o teu corpo, não é a tua beleza, não são as tuas perfeições. São as tuas particularidades, as tuas vontades, os teus ímpetos, teus desencontros, tuas inspirações, é aquela força criativa intensa e incessante, é o carinho transmutado em amor, são os pequenos recortes de frases soltas, de palavras rabiscadas em lápis, de cubos ao cubo elevados à enésima potência. Ninguém mais me encanta, ninguém mais me arrepia como, ninguém mais me interessa tanto, ninguém mais me captura como você. E eu confesso, com todas as letras e linhas, que embora não tenhamos sucesso em ficar juntos, existe algo de inafastável nesse condição cósmica que me leva a crer, que podemos, sim, quem sabe, às vezes, ser para o outro quem realmente somos, sem máscaras, truques, temores ou dor. Só prazer, amor, suavidade e força, na nossa proporção, do nosso tamanho, na nossa intensidade celestial.

13 de dezembro de 2010

Porque nada é absoluto. Milhares de folhas verdes escuras e claras se chocam lá fora com o vento incessante e gelado que transformou essa cidade em cinza em plena primavera quase verão. E hoje eu me sinto no outono quase inverno. Só que ao contrário. Minha pele em riste parece denunciar uma espécie de falta transmutada em amargura e dor que acaba por me levar a um choque interno intenso e íntimo. Dezenas de correntes me elevam a uma altura que nunca estive e orquestradas me soltam em direção ao chão que não é só meu destino mas sim meu túmulo mais supulcral e definitivo. Quando eu disse que te amava pela primeira vez eu experimentava todo o prazer único, exclusivo, intenso e inesquecível de se entregar pra alguém que se entrega pra você, e nossos corpos foram um só porque eu nunca havia sentido a vontade e o desejo e o amor carinhoso e permeável e intenso e bonito e valente e corajoso que eu senti por você. Eu só queria que esse outono quase inverno fosse aquele nosso verão do avesso perfeito e desenhado que havíamos nos prometido. Eu te desejo toda a liberdade do mundo porque teus olhos inocentes e reticentes e molhados e suaves são o retrato de um homem brilhante, único, singular e idealizado de forma potencializada pela dor de amor que eu sinto agora por você. Que essas rajadas geladas e sombrias lá fora consigam petrificar e pacificar tudo de mais especial que vivemos juntos dentro de mim.

24 de outubro de 2010

Daria pra começar dizendo que é o calor da tua mão na minha. Ou então que é como o toque na tua pele, de seda, e o arrepio que eu sinto sempre quando eu te toco e você me toca. Também dá pra dizer que é como aquele calor que eu sinto do lado esquerdo do peito quando eu caminho por dentro do escuro e dos feixes e da música e dos beijos e dos corpos e da bebida e do agito e lá meio-escondido estão nossos dedos entrelaçados. E assim como quando meus braços envolvem os teus braços e eu sinto teu abraço no meu abraço é como quando a gente se olha meio parados no tempo e é como se alguém tivesse congelado o relógio que continua girando sem o tempo passar pra gente. E eu digo que o tempo passa e o relógio fica congelado porque às vezes é como se fosse muito mais tempo do que já foi ao mesmo tempo em que a barriga ainda fica gelada, e os arrepios e o sabor e o medo e a delícia e  asensação é a de se estar conhecendo, descobrindo, desnudando. Eu queria que você soubesse que quando a gente está perto eu sou mais do que eu poderia ser sozinho. Que ainda tem uma soma incompleta entre a gente e é a busca por esse produto que faz da nossa multiplicação algo tão mais que o que poderia ter de matemático numa metáfora barata como essa. Por isso, eu te desejo muitos arrepios inteiros, e sorrisos intensos e vontades realizadas porque aquilo que você entrega me faz alguém que desenha sonhos no mundo e que distribui amor de um jeito que eu nunca achei que ia poder repartir. Todos os pedaços dessa conta são parcelas de uma fatoração que só você soube operar e é por conseguires equacionar essas variáveis que eu tomo a liberdade e o prazer de te dizer que você é majestoso e real.

12 de setembro de 2010


É como se você tivesse desnudado todas as minhas fantasias, devassado todos os meus sonhos, invadido todos os meus asilos, violado todos os meus segredos. Meu consentimento é tão teu que já não o elaboro como propriedade individual. Eu sou repartido de uma forma dupla e compartilhada que me amedronta pela integridade, amplitude e forma implacável com que é feita. O que eu nutro por você é tão absurdamente claro e lúcido que o tempo só tem determinado uma acuidade visual ainda mais perfeita e precisa, não existem mais borrões, névoas ou incertezas. Minha definitividade nunca foi tão confortante e harmoniosa. E me descobrir par, dessa forma pura e inocente, me traz uma leveza e uma felicidade que, até então acostumado com o inverso, não sei lidar bem. Sinto nas veias e na pele e na alma o vento gelado e singular de uma praia vazia e ensolarada de inverno que só a gente pode visitar. Tua presença me concede vontades inéditas, valentismos juvenis, coragens que eu não sabia deter, dotado da capacidade de sentir, você me leva a experimentar e viver o mundo de uma forma tão integral e intensa que já não há mais margem pro medo do desconhecido, eu me sinto possuido pelo desejo de viver sem freios, espelhos e ameaças. O receio que persiste é o de eu, talvez, ainda me sentir ínfimo e inglório frente a imensidão da tua presença e do teu ser. Desaprendi a escrever porque não sei explicar minha completa e consciente e total entrega absoluta a você. E prefiro assim, antes o amor que as letras.

11 de julho de 2010


Eram centenas e rasgavam o céu como fogo em seda. Eram trilhões e pulverizavam tudo como ácido na pele. Eram dezenas de ondas multiformáticas e densas que irrompiam do céu acima e desciam em cascata como se numa cachoeira de insanidades. Loucura verde que esganava a verdade que não resistia e lhe escorria pelas mãos como sabonete molhado. E tinha alguma coisa parecida com aquela fruta desgostosa e mal-cheirando que inunda a geladeira, daquelas que não se limpam com a frequência que deveriam. Incontáveis segundos o repartiam em mil porque já não há mais passado no presente e aquilo que restou é tão condecorativo que as medalhas e homenagens de sobrevivência recebidas lhe conferiam um caráter rebuscadamente intrigante. Com a pretensão de quem parece apurar em si o que há de interessante, ele, sentado sobre quatro cadeiras brancas encaixadas sentia o deixar-se tomar por aquele tipo de domínio animal e primitivo e doentio de quem se entrega ao mal que nem sempre nós mesmos criamos; porque não somos ímpares. Eu pelo menos tenho certeza que não. E tinha uns infinitos pedaços de nuvens naquele céu que entardecia e eternizava como um traço no coração dele agora.

14 de junho de 2010

É como uma fome plástica e plasmada e disforme. É um desejo dissolvido, dissociado, recortado e granulado em milhares de pequenas partículas invisíveis. Lembra uma tempestade de areia inversa, um ciclone de pétalas aladas, um tornado de luz performático. Também pode ser que faça você recordar de uma coceira insanável, de um formigamento autônomo e insubordinado, uma cãibra dentro do mar antes daquele mergulho perfeito daquela onde mais linda e reverberante e colorida e nítida e gostosa. E quem sabe não passe de uma incongruência sensível da qualidade humana perfeita de sentir ou mesmo de uma instabilidade adjunta da própria constituição que nos compõe. Queria poder tecer construindo sob o fundamento do azul celeste um prelúdio poético e pessoal adornado de nuvens mas não posso. Meu céu anda cruzado e tingido e misturado por infinitas intersecções múltiplas e aleatoriamente destinadas. Como se a sorte surpreendente tivesse se encarregado de ilustrar e compor tudo sem precisar de nenhuma ajuda. E todas as luzes de todos os postes e todas as sombras e todos os brilhos e flashes das noites geladas e frias e chuvosas não me fazem esquecer. É como se o próprio outono que agora termina tivesse congelado dentro de mim um tempo novo e quente e paradoxal que me causa arrepios de choques térmicos com a realidade. E tem um leão que é rei que acabou incorporando uma responsabilidade não pretendida. Ser ator não significa ter que arcar com o espetáculo sozinho, o protagonismo exige sempre, em última instância, a superação de si mesmo frente ao espetáculo, platéia e palco são portanto solidários pelo sucesso da apresentação. Não há univocidade. E tem dois traços no céu desse fim de tarde aquarelado. Como se rei e súdito. Príncipe e servo. Leão e coelho. Imaginação e sentimento. Letra e voz. Se interconectassem, se fusionassem, se amalgamassem num arranjo celeste leve lúcido-translúcido cristalino iônico válido e musical secretamente solubilizado em amor.

30 de maio de 2010

Eu confesso porque eu nunca soube contar. Minha vida toda é um sequencial de confissões de toda ordem e te toda sorte que eu acabei colocando mais ou menos em desordem. E hoje eu queria deixar consignado aqui que você é a última e a mais intensa de todas as minhas confissões até agora. O ato de discorrer sobre aquilo que me embebe e me extravasa é uma tentativa juvenil de te deixar marcado de alguma forma nesse esboço virtual que eu concebi um dia. Hoje eu me sinto o garoto que eu me tornei porque você junto comigo conseguiu efetivar todos os desejos e os anseios de uma juventude toda represada. E eu tenho vontade de te agradecer a todo momento porque se não fosse você e aquele número de telefone trocado na chuva daquele abril esse esboço talvez ainda fosse aquela quotidiana e insana repetição triste do mesmo. Por você estar perto eu consegui fazer com que a troca fosse completa e por isso só uma intersecção ofertada e aceita nos encerra. E na tarde de hoje, lá perto da cachoeira do menino deus, eu senti uma ponta daquilo que a gente se disse entre aspas. Não que eu não ache que estamos completamente certos ao sermos cautelosos, no entanto, parece que a marcha do destino é meio obstinada e certeira e veloz e ela nos leva no sentido daquilo que talvez mais temamos ter que um dia dizer um ao outro, num relato reflexo perfeito e exato de um sentimento que brota, e que um dia talvez germine e frutifique e mude até talvez tudo aquilo que você sempre achou sobre isso. E esse sentimento que você talvez um dia venha a sentir é tão paradoxalmente abundante em minha história que quem sabe esse é o ponto simétrico dos nossos conjuntos de elementos que agora se cruzam e se unem e se mantém divididos ao mesmo tempo. Quem sabe só uma grande fórmula-função-matemática consiga dar conta de entender essa loucura toda que a gente é junto, porque separados já éramos. E eu só queria pedir aqui nesse pedaço e nessa linha que você acredite, porque se você o fizer tudo aquilo que você quiser vai ser e um dia eu disse e eu tenho certeza que tudo aquilo que eu sempre achei que fosse era. Eu ∩ Você.

25 de abril de 2010

É um recorte do céu de um dia de abril em que eu estava a caminho de casa. Tem duas nuvens diferentes que cruzam o céu e elas tem uma dimensão desconhecida. Eu tinha saído pra ajudar alguém que não queria mais ficar sozinha porque não queria mais sentir. E naquele dia eu acho que eu devo ter saído por alguma outra razão que transcende isso. Eu estou tentando encaixar, colar, engrenar, coordenar, juntas em pedaços. É como um quebra-cabeça novo e desconhecido, e imenso, e gigante, e amplo, e que dá muita vontade de resolver, solucionar, acabar, unir, terminar, e contemplar longamente pra se colocar na parede, numa moldura fina, e deixar lá, pra sempre. E aquele céu tinha duas nuvens a caminho. Uma delas escura, fragmentada, outra densa, iluminada, e elas compunham um arranjo inédito. Eu não queria que nada disso fosse repetido, e não é. São tantas palavras velhas que não cabem mais nessa esboço adolescente e juvenil de tentar traduzir um sentir tão confuso quanto convulso. Eu queria que toda madrugada fosse chuvosa se ela trouxesse uma gravata-borboleta com um presente em forma de esfera coberto por chocolate e recheado de avelã. Eu pensei em relacionar com espelho, e desisti porque não consigo apreender a imagem ou captar as formas de um ângulo imparcial. Você me ceifa a imparcialidade. O som, a sensação, aquele dedo-no-dedo, e aquela multidão em movimento desconexa pulsando e pulando e ebulindo por todos os lados e aquela sensação de encontro e triunfo e proteção e carinho e independência e liberdade de andar pelo meio da turba em fluxo e saber que você tem direção, vetor, sentido, copiloto na curva doce que você me faz sentir. E ainda tem alguma coisa da ordem de um sorriso que perpassa e pergola e penetra e atinge uma estrutura que eu não sabia existir ou ignorava a existência. Sem falar na amplitude de um presente apoteótico e sem sentido que você entrega e remete naquele jeito bom e lindo de existir. E me falta bagagem agora pra tentar elaborar alguma coisa que não soe repetente e igual a tudo que existe por aí. E existe uma lacuna, por fim, nesse fim, porque eu sinto que isso pode ser que venha a ser bem mais do que umas simples linhas rabiscadas no domingo chuvoso e gelado e cinza e mais bonito que eu já pude sentir e viver. E eu queria ter um guarda-chuva agora porque eu queria proteger você enquanto você dança na chuva; comigo.

28 de março de 2010


You. É pra começar te dizendo que você mudou a minha vida e eu acho que essa vai ser uma grande confissão. Desde o primeiro dia, da primeira conversa e da primeira madrugada, desde a primeira ligação e dos primeiros segredos divididos eu sempre suspeitei de mim mesmo por estar acreditando que você podia ser real. E o que mais me assusta é o quanto eu estou assustado por gostar de você. Porque sozinho a gente fantasia muito, e eu tenho muitos problemas com solidão e sonhos, e eu sempre achava que talvez tudo não ia passar, como quase tudo na minha vida, de um grande mal entendido e que você ia dizer que era só mais um grande amigo ou então ia chegar um dia pra mim dizendo que estava muito a fim de alguém ou apaixonado por alguma pessoa que não seria que eu esperaria que fosse, como sempre acontece comigo. E aí tem uma espécie de segredo que eu ainda não consegui desvendar, porque eu estou há alguns meses trabalhando no mistério que é você, na tua complexidade implacável, na tua postura de hombridade e doçura, tua forma leve e compromissada de encarar o mundo e a tua assistência irrestrita com que você nutre algum tipo de sentimento bom. Eu acho que você é muito surreal porque eu nunca tinha ouvido uma voz tão linda, e encantadora, e bonita, e eu fiquei sorrindo sem saber o porquê durante dias depois que eu a ouvi pela segunda vez. Teve um dia também, e eu sou imensamente grato por isso, que eu acordei lá naquele lugar onde o vento faz a curva, e você tinha mandado um sinal doce e matinal de vida e você não tem idéia do quão especial e do quão importante foi ter você por perto quando eu mais precisei. Pode ser que isso seja só efeito desse meu jeito romântico e escancarado de colocar as coisas pra fora porque você já deve ter percebido que eu não sou daquelas pessoas que escondem tudo pra sempre. Eu queria te dizer que você é muito especial e que eu estou de quaresma por tua causa e que depois que você apareceu no meu caminho eu experimento uma espécie de tranquilidade e calma que eu nunca tinha conseguido sentir, e por mais que essa tenha sido uma batalha minha eu só tenho conseguido triunfar por tua causa, e é por você que eu escrevi essa confissão porque só você tem me dado vontade de dizer pro mundo o que eu estou sentindo, e isso não acontece assim há tempos, e eu não vou retirar nunca nada disso do que está posto e escrito porque você merece tudo de mais especial e lindo e feliz porque você é fabuloso, e eu te espero o tempo que eu tiver que esperar porque desde que eu te li pela primeira vez eu achei, e depois tive certeza,  que igual a você não há.