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15 de junho de 2011

É como se acendessem milhares de estrelas no céu. É como se iluminassem as trevas e as tornassem penúmbra. É como vencer todas as ondas gigantes que sempre arrasavam a praia. É como quebrar os grilhões que te prendiam à âncora. É como irromper pelas grades da cela. É como transcender todo o medo, a dor, o constrangimento e o sofrimento imbricados na pena perpétua da vida. É mais ou menos como sentir na veia a alforria formal. É uma espécie de estado de sobriedade acelerada que te retroalimenta de paz e amor. Eu queria que você soubesse que eu sempre estive perdido. Que eu sempre estive vagando pela tradução, pela tentativa moribunda e infrutífera de me fazer entender, expressar, proclamar, repartir, significar, transcender. E então chega um dia em que você, sem mais nem menos, ato contínuo percebe que não existe mais tentativa, que não existe mais necessidade, que não há premência, porque, motivo, razão ou circunstância para tentar ser. É como se tivesse uma hora, um momento e um espaço dentro do tempo em que você se percebe sendo. E aí, quando você é, não há mais nada. Todos os teus sonhos recorrentes são vencidos e obliterados, todos os teus medos e traumas são derrubados como muros, e você se vê, nu, diante de um espelho sem fim que em verdade é um campo verde infinito florido e agradável como a tarde mais confortável e especial da primavera. Tem alguma coisa a ver com uma espécie de estado transitório denominado de felicidade. Como quando tudo aquilo que você sempre quis sentir se torna sólido e imaterial e invade você na proporção da alma e então nada mais importa. É como se você recebesse as asas que sempre quis ter. E num salto, último, único, primordial, se lançasse aos céus do alto da torre em que sempre fosses prisioneiro de si mesmo. E por dentro dos ares, das nuvens, você e o vento se tornassem uma coisa só porque a vida é um mistério engraçado que sempre vai além daquilo que se vê. Diante disso, eu só queria que você soubesse que eu sempre tentava ser alguém que eu já era, e que a gente só consegue ser quem a gente é, de verdade, quando a gente se respeita plenamente, de forma visceral, nevrálgica e irrestrita, do começo ao fim, do princípio ao final, do primeiro dos fios de cabelo até a última das unhas dos pés.

30 de junho de 2010


Não há vida sem amor. Eu nunca escrevo pra mim mesmo. Eu sempre escrevo por mim, pra alguém, por algum motivo, à força pelo meu sentimento que aflora, e desflora, e reverbera revigorando-me. Eu escrevo porque quando eu transformo o céu em recorte eu descanso, relaxo, liberto, desenclausuro, emolduro no espaço branco vazio a pintura bricolada de letras, acentos ausentes, concordâncias disjuntas. Quando eu escrevo há concórdia, há realização e há paz. Eu escrevo porque as palavras são como presentes: misteriosas, empacotadas, multiformáticas, transitórias, suspensivas, elegantemente singulares e únicas.Tem uma nuvem em forma de avalanche que nunca me sai da memória. Lembro que era quente e verão e seco e não havia vento mas o céu parecia em redemoinho. Por todos os lados do vale gigantes nuvens performáticas escorriam pela atmosfera acima da borda em um movimento descordenado e belo. Naquela tarde eu senti que o céu ia cobrir todos, e tudo, e então tudo seria névoa e cinza e branco e trovão. Não foi. Era só chuva. E eu queria que você soubesse que eu estou me desfazendo, em tua companhia, da fragilidade, da instabilidade, do t(r)emor, das paredes com frestas e do chão sem pregos e dos pilares encaixados e do telhado sem estrutura, eu estou mandando pelos ares as pedras sem cimento, o piso sem cobertura, o verde sem raízes, cada pedaço de mim sem chão e ferro. Eram dezenas de tornados e ciclones e vendavais lá fora mas eu me segurei nas barras geladas de metal e não soltei até que tudo voasse, e desabasse e viesse à terra novamente. E quando eu abri os olhos não havia mais nada intacto, mais nada passado, mais nada cansado, velho, repetitivo ou capenga, meu corpo e minha alma estavam revigorados porque do meio dos escombros eu podia visumbrar que havia um mundo inteiro a ser reconstruido ao meu entorno. E ao redor de mim e por todos os lados descia aquela luz amarelada e reconfortante de um fim de tarde de um dia diferente que levou consigo a tempestade e a calmaria e me trouxe o inédito de quem só consegue se acreditar que pode. Eu acredito que eu posso e eu sinto tudo isso desde que, enquanto e depois de. Aquela avalanche do céu de verão me fez lembrar nessa noite de inverno que eu sempre fui aquele menino com a força pra resistir e lembrar e seduzir e revoltar e volver com a elegância e o charme e a esperança de um plebeu destinado a ser rei.

12 de fevereiro de 2009


Eu não sei como, mas você deveria olhar pra fora agora.

7 de dezembro de 2008


Era o estranhamento do novo. Nunca antes havia ele sabido o que era ser ele mesmo. Cada dia era como um daqueles carros, num fluxo unidirecional, intenso, diferente, colorido e incessante. Ele havia crescido desqualificando o sentir, sentimentos eram difíceis, perigosos, sofrimento, excesso. Racionalidade era bom, controle, tecnicidade, tentativa de domínio, homicidio dos desejos. Ele jamais havia imaginado que iria tão longe -no sentir- em tão pouco tempo. Ele nunca, nem no seu mais belo sonho de outrora havia chegado a cogitar que poderia vir a ter a possibilidade de ser tão feliz. Talvez ai o porquê de tanta inveja. Querer ter o que o outro tem, no âmago, o desejo de ser tão feliz quanto acha-se que o outro é ou parece ser. Calma, alegria e satisfação não rendiam inspiração, não davam bons textos, não teciam a confusão em letras, descendentes e ordenadas no papel, numa espiral enfileirada e coordenada em linhas, pontos, frases inacabadas e escancaradamente humanas. Era a auto-tentativa de querer encontrar-se no espelho das palavras, do perder-se tão familiar que sempre achava, ou quase, um esperança de seguir, no fim de cada ponto final. Teria sido uma grande confusão de sentimentos, teria sido um grande amálgama de sentir, teria sido um grande sonho, teria sido uma grande realização esperada, tantas indagações da realidade vivida e pensada. Talvez o gosto dele por cerimônias, homenagens e encerramentos explicassem um pouco seu premente desejo por apoteoses e consolidações etéreas. O vazio existia, e colidia com o nada tão familiar que estava na batalha eterna do acreditar e do querer. Grandes montes de coisas abstratas batalhando num espaço-tempo que só existe dentro da imaginação que mora dentro dele. Descoberta da felicidade sem culpa, aceitação do hoje, de si, tentativa de cessar o entendimento porque viver é muito mais que racionalizar o que não se pode enquadrar, tampouco denominar. Numa perspectiva do passado, se atento aos quereres periféricos e envergonhados, pode-se dizer que havia sido quase tudo em poucos meses. Suas lágrimas encheriam baldes, sua felicidade piscinas, água, líquido da empolgação dele. Dos desejos realizados, pretendidos, alcançados. Beleza, riqueza, inteligência, conteúdo, admiração. Escada do labirinto cheio de andares. Certeza de querer ser como eles são, ou pareciam ser, desidealização que opera, descontrução que liberta, saudade que é carinho, vontade de felicidade, espera de realização pra ele, abraço que não cessa, lembrança fixada na parede enterna da vida, do agosto de dois mil e oito, do domingo de madrugada, da catarse coletiva, do rendimento do eu ao amor. E lá se vai um tempo que não vou lamentar como passado, que não vai me prendar mais pelo desejo de reviver -é isso que ele faz, e quer continuar fazendo-, é isso quje ele sempre fez com tudo que é dele, porém agora, já que ele mesmo é outro, é ele, isso também deixará de ser, porque isso não é ele, verdadeiro, isso era dele, outro, artista da vida que dissolve no tempo, horas de conversa terapêutica que descotinaram seu encontro, sonho, muito sonho, nuvem, fantasia, céu, chuva , dor, calor, sofrimento, água, música, palavras, letras, blog, sonhos, tantos desejos e imaginações conjeturadas. Recortes, emoldurados, fixados, passivos da admiração eterna que não escraviza, que suaviza sim, edifica, amortece e encoraja. Páginas brancas vivas à espera da história a ser escrita. Passo-a-passo do no autor da sua própria história. Saga de um menino ex-canhoto, ex-olhos azuis, ex-prisioneiro, ex-não-ele-mesmo. Eu adoro narizes bonitos e unhas saudáveis. Tenho inveja de beleza e riqueza. E falo o que tenho vontade - ou não, mas tenho falado.
Aprendizado poético: Não há falta na ausência. Que Drummond e todos os meus novos e velhos conhecidos sejam bem-vindos. Meu tempo é, sim, quando.

20 de outubro de 2008


A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

Carlos Drummond de Andrade

http://br.youtube.com/watch?v=doc1eqstMQQ



Entendo

30 de setembro de 2008

Deixe Ir


Por que há beleza nos transtornos

Reencontro

Let go


Drink up, baby down
Mmm, are you in or are you out
Leave your things behind
'cause it's all going off without you
Excuse me, too busy you're writing your tragedy
These mishaps
You bubble wrap
When you've no idea what you're like

So let go, jump in
Oh well, whatcha waiting for
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown
So let go, just get in
Oh, it's so amazing here
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown

It gains the more it gives
And then it rises with the fall
So hand me that remote
Can't you see that all that stuff's a sideshow

Such boundless pleasure
We've no time for later now
You can't await your own arrival
You've 20 seconds to comply

So let go, jump in
Oh well, whatcha waiting for
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown
So let go, just get in
Oh, it's so amazing here
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown

So let go, jump in
Oh well, whatcha waiting for
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown
So let go, just get in
Oh, it's so amazing here
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown
'cause there's beauty in the breakdown



Frou Frou

28 de setembro de 2008


The Nothing Song - Sigur Rós


í sayr lon
í sayr lon won fur yo won
í sayr lon
í sayr lon yu ón fur gurr ón
í saylón
í sayr lon yu fón yu ónn
í saylón
í saylón yu wón saiy ón
...
í sónnn
í sayr lón
í sayr lón yón fúr yon fú
...
ónnnnn í sórr
í sayr lon
yúúrrr son
lónnnn yu sónn
yuu
í sún
yu sún
yu súún
í sún
wart yu
í sún...


De Baunilha

24 de setembro de 2008

Ele sempre quis ser perfeito.

Uma hora o oceano servirá pra preencher o vácuo, e então perceberás -ele teve certeza- que tudo tem um fim e um começo sempre. Nada é pra sempre. E o acaso não existe. Não mesmo.

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