Mostrando postagens com marcador certeza. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador certeza. Mostrar todas as postagens

20 de novembro de 2010

É como um pedaço pesado de gelo sendo destroçado por uma força motriz irresistível. É claro como a luz do sol que perpassa e atravessa todas as folhas da copa mais verde e mais alta da floresta. E tem uma espécie de textura que lembra a de um vegetal fresco e saboroso que há muito você não experimenta. E dá pra se dizer que nessas horas não há toque, nem entrelaço, nem corpo,  definição, sensação, movimento dual e sincrônico que sustente. Não deixa de ser uma questão envolvente, e doce. Um dia eu te disse que crescer dói. E eu tinha esquecido o quanto. Minha impotência me lembra que minha tristeza é raiva. E eu me recordo agora de tudo aquilo que eu queria que fosse diferente e não é. Você pode não saber, e assim como eu não sei, eu acho que esse nosso não-saber em conjunto pode nos ajudar a escolher o caminho que vamos percorrer juntos ou não. Porque nada é absoluto. E eu acho que não há definitividade nessas notas redigidas que você me orquestra ao balancear essas equações sonoras, sensoriais, e sedentas por recompensas, compensações e transações humanas que eu também me permito expectar. Eu queria te dizer que eu estou preparado pra. E que amar é uma questão de transcendência, rompimento, interconexão, sensibilidade humana e afetividade. E se assim o é, que sejamos como as serpentes enroscadas lentas, umas verdes outras escuras. Porque eu prefiro sempre a verdade mais sólida e sincera. E é isso que eu te entrego e que te peço: que sejamos umbilicalmente menos osso e mais verdade.

18 de agosto de 2010

Eu queria te dizer que tem que ter paixão. É como quando você descobre que sabe fazer alguma coisa bem, e que aquilo te realiza, e então você não para mais de ter vontade de repetir e de se aperfeiçoar. Eu queria te dizer pra você não ter medo nenhum, porque quando a gente ama de verdade não existe nada que pode nos atingir. O amor é uma espécie de escudo-vacina, uma proteção mágica que te encanta e te percorre e te envolve de um jeito que você se torna invencível. Só que ser implacável não basta, existe alguma coisa ainda mais secreta e essencial pra ser entendida e descoberta. Eu queria que você soubesse que eu acho que descubro você todo dia. E esse sentimento de conquista e desbravamento é uma das melhores experiências que qualquer um pode ter, porque a felicidade de encontrar todo dia um tesouro é algo da ordem daquilo que não se denomina. Eu queria acrescentar ainda que todas as minhas palavras ausentes são tuas, e que como eu não posso ir ao céu buscar a estrela mais cintilante e bonita pra te presentear, eu espero que você aceite a minha coroa simbólica, feita de letras e frases e poesia e cravejada de amor.

28 de março de 2010


You. É pra começar te dizendo que você mudou a minha vida e eu acho que essa vai ser uma grande confissão. Desde o primeiro dia, da primeira conversa e da primeira madrugada, desde a primeira ligação e dos primeiros segredos divididos eu sempre suspeitei de mim mesmo por estar acreditando que você podia ser real. E o que mais me assusta é o quanto eu estou assustado por gostar de você. Porque sozinho a gente fantasia muito, e eu tenho muitos problemas com solidão e sonhos, e eu sempre achava que talvez tudo não ia passar, como quase tudo na minha vida, de um grande mal entendido e que você ia dizer que era só mais um grande amigo ou então ia chegar um dia pra mim dizendo que estava muito a fim de alguém ou apaixonado por alguma pessoa que não seria que eu esperaria que fosse, como sempre acontece comigo. E aí tem uma espécie de segredo que eu ainda não consegui desvendar, porque eu estou há alguns meses trabalhando no mistério que é você, na tua complexidade implacável, na tua postura de hombridade e doçura, tua forma leve e compromissada de encarar o mundo e a tua assistência irrestrita com que você nutre algum tipo de sentimento bom. Eu acho que você é muito surreal porque eu nunca tinha ouvido uma voz tão linda, e encantadora, e bonita, e eu fiquei sorrindo sem saber o porquê durante dias depois que eu a ouvi pela segunda vez. Teve um dia também, e eu sou imensamente grato por isso, que eu acordei lá naquele lugar onde o vento faz a curva, e você tinha mandado um sinal doce e matinal de vida e você não tem idéia do quão especial e do quão importante foi ter você por perto quando eu mais precisei. Pode ser que isso seja só efeito desse meu jeito romântico e escancarado de colocar as coisas pra fora porque você já deve ter percebido que eu não sou daquelas pessoas que escondem tudo pra sempre. Eu queria te dizer que você é muito especial e que eu estou de quaresma por tua causa e que depois que você apareceu no meu caminho eu experimento uma espécie de tranquilidade e calma que eu nunca tinha conseguido sentir, e por mais que essa tenha sido uma batalha minha eu só tenho conseguido triunfar por tua causa, e é por você que eu escrevi essa confissão porque só você tem me dado vontade de dizer pro mundo o que eu estou sentindo, e isso não acontece assim há tempos, e eu não vou retirar nunca nada disso do que está posto e escrito porque você merece tudo de mais especial e lindo e feliz porque você é fabuloso, e eu te espero o tempo que eu tiver que esperar porque desde que eu te li pela primeira vez eu achei, e depois tive certeza,  que igual a você não há.

13 de março de 2010




Era pra começar com um castelo, algo como que um príncipe, e uma princesa, e uma cerimônia real farta e luxuosa mas não vai passar da menção. Tem alguma coisa a ver com individualidade, uma espécie de sentir que desafia você todo dia naquela atividade uma vez sugerida, e sempre cumprida, de nomear tudo num ritmo frenético e de não racionalizar as coisas ao mesmo tempo. Hoje eu me senti sozinho. Às vezes me sinto na verdade. E eu acho que pode ser que a gente se vicie em se machucar, solidão pra mim dói como agressão, e me parece uma resolução não-voluntária, a qual sempre acaba com você no médico, na farmácia, no telefone, ou no computador escrevendo e-mails que jamais deveriam ter sido enviados. Nada me faz crer que não existe sempre alguma coisa ausente e eu acho que amar é uma doença, tipo síndrome sem cura. Naquele dia o céu estava azul porém não limpo, e apesar daquelas nuvens todas tinha alguma coisa muito fora do lugar ali, eu sinto que é como quando você abre alguma coisa, um presente por exemplo, e não encontra aquilo que esperava. E pesa dentro porque você não consegue se disciplinar ao ponto de esquecer essa droga de expectativa que algum dia alguém te vendeu como ter esperança e você guardou e não aprender a jogar fora e agora ela se enraizou em você e sempre te faz esperar por aquilo que você deseja - e é só. Eu não queria ter expectativas porque eu não sei lidar com frustrações. E eu ainda acho que amor a gente tem vontade de entregar porque mesmo que seja algo do campo do contagioso dá muita vontade de dividir com alguém  aquilo que transborda de dentro de você e te faz sentir bem por alguns instantes. E esse é aquele em que eu confesso que sempre sonhei em ser príncipe mas acabei sendo, só e apenas e sempre, fadado a amigo deles.

12 de agosto de 2009

Eu pensei em vários começos diferentes e tenho várias frases soltas que mais parecem aquele quebra-cabeças insolúvel dos tempos da escola porque alguém sempre perdia uma peça. Eu faço gosto de dizer que esse texto mais parece uma colcha de alguma coisa que é mais do que retalhos porém eu não sei bem do que esse proto-mosaico é feito. E como naquele pôr-do-sol lá do norte mais longínquo e da ponta do fim da terra, e como aquela noite em que você me atrelou à minha pena, ou em que você partiu meu coração por não ter olhado pra fora, ou em que você foi a pessoa mais corajosa do mundo ou em que você foi um sonho materializado em vida. Pra você eu queria dizer que eu te amei como nunca mais acho que vou gostar de ninguém, toda vez que te vejo tenho vontade de te dizer que te acho super especial e tenho vontade de te pedir um abraço. Pra você quero dizer que eu gosto tanto de ti e de uma forma tão paradoxal, que eu desisti de decifrar o porquê e o quê você representa pra mim. Pra você eu quero dizer que foi muito bom a gente ter se descoberto e ter vivido uma etapa tão nova e bonita, e eu sei que talvez você nunca entenda mas eu me sinto em paz comigo por ter me respeitado quando eu achei que era hora. E pra você que talvez nunca leia isso, eu queria dizer que às vezes quando você perde, você ganha. E que eu queria que você soubesse que você foi aquele irmão que a vida me deu e que apesar de isso parecer ser a mais batida das expressões só a franqueza da simplicidade desnuda o que pode ter se operado por ti. E eu queria que você soubesse que nada mais importa além de que acreditar nos sonhos é fazer a vida valer a pena. Hoje eu queria que você soubesse que é como quando você mergulha na água e não sabia da temperatura nem da profundidade, e que só quando a gente se legenda sem anteparos a gente se enxerga no espelho. Só o tempo conseguiu me dizer da verdade, e aquela brisa rosada nunca mais vai me deixar esquecer que a imperfeição é minha sina e que estou inevitavelmente condenado à vida.

13 de junho de 2009

Pertence ao céu todas as letras e as palavras que saem de dentro de mim agora. Hoje faço vinte como quem não faz. Contemplo o azul que compõe meu universo, e os últimos raios fugidios do dia como aquele aventureiro que sempre buscou o horizonte. Faço duas décadas da história mais incrivelmente fabulosa e intensa e desaventurada que já conheci. Sou protagonista do tempo que nem sempre teve estrelato, sou o mosaico contínuo, a colcha de retalhos, o fundo da cascata, o homem na chuva, o garoto desengonçado, sou o artista da vida, meus dois nomes e meu apelido, o super-herói da escola, o melhor amigo que se perdeu, sou companhia do bilhete, a submissão pela adimiração e pelo amor, sou o compromisso com o futuro, sou o aluno do parabéns e do sonho, o estudante descontruido do presente, sou o caminhante do deserto, sou a semente que germina, sou todos os recortes de todos os textos e sou cada metáfora de cada ser ou não de cada eu, sou a contestação do incontestável, a negação do insolúvel, sou a atitude de vez em quando, sou o protótipo político, o e-mail de todas as páginas e um pouco de cada pessoa pela qual passei, sou a utopia e o romantismo reticentes, sou a esperança mais manchada e lavada e surrada de toda a face e de todos os pedaços de terra que já cruzei e sou o encontro da tentativa com o passo. Nesse dia que escapa pelos dedos conto as horas de um relógio que já usei e tento legendar o que não podia, porque eu sou tudo aquilo que eu queria ser e no fundo continuo sendo quem sempre fui, porque a mudança sempre me acompanha igual e eu não tenho mais a inspiração colorida de outrora, e tudo é tão mais volátil e intenso que são momentos e passagens inconstantes, e eu sou como aquele céu que se enche de nunves às vezes e que o vento leva embora tão velozmente quanto veio, e sou a chuva que não cai certa, e cada pôr-do-sol que parte, e cada cena de cada fim de dia, porque sou alguém que ainda não me pertence, e é por isso que estou na busca, infinita, por conseguir ser o garoto que eu me tornei.

17 de abril de 2009

Eu queria que você soubesse que não deu tempo de preparar a tua chegada como eu queria. Faltaram as faixas, os balões, as cornetas, o lanche, as pessoas, a música, as cores, faltou quase tudo porque eu tenho um problema com atraso e que acho que dessa vez meu planejamento deu errado de vez. Eu sabia que você estava chegando, e o mais engraçado é que isso aconteceu de uma forma que eu não estava esperando. Existe uma sincronia ímpar nessa história toda. Eu queria que você soubesse que eu nunca estive tão preparado, nem me sentindo tão estranho. Há dias eu acordo com uma espécie de sentimento de conforto que eu nunca tive, é como se de um dia pro outro você tenha me enchido de vontade, e tenha renovado minhas forças, injetado ânimo, eu acho que houve uma transferência entre a gente e eu estou conseguindo perceber isso, como nunca. Às vezes eu tenho a impressão absurda de que eu estou em contato comigo mesmo, em uma outra fase, meio hoje meio ontem. E a tristeza, pertinente, a angústia, recorrente, a raiva que me envenenava, a desesperança que me dominava, todas as intempéries do meu próprio eu conflituoso foram varridas do céu que existe em mim pra um espaço distante do meu sentir. Eu queria que você soubesse que eu estou tranquilo e que eu não sinto uma incontrolável tensão de agir. Na verdade eu sinto uma espécia de calma envergonhada, como a desse texto por exemplo. Quando materializei a profecia da tua chegada eu estava inebriado pelos meus sonhos e por uma sensação boa que não era só esperança, era algo que amalgamava um teor especial, um matiz de ternura, uma essência cativa de bem, um espectro de completude. E esse é aquele em que eu encerro começando, que te digo que tua presença venceu minha ausência, e num ímpeto de coragem e segurança, afirmo que eu acho que os olhos que achava que tinha visto, eram sim, por fim, escuros.

18 de março de 2009


Esse é aquele em que ele tem certeza e que diz tudo o que acha que quer dizer. Tudo era silêncio e barulho. Ele estava em pé, dançando, parado, a música ritmada com o movimento do seu peito, as notas enchiam o ar escuro, não havia noção de tempo, seus braços abertos, os flashes que desnudavam, pontuais, flagravam seu ensaio não tão solitário, o gelo seco impregnava o ambiente, misturando-se. Naquele momento todas as pressões cessavam, arrefeciam, calavam-se, e só restava a ele escutar. Não havia nenhuma presença, as portas estavam todas fechadas, lacradas, impenetráveis. A sensação era a de um viveiro hermeticamente vedado embebido em noite e voz. A busca pelo imaterial consumiu cada movimento e passo e a presença invertida do que sentia percorria cada centímetro de sua alma. E ela pulsava latente, cinza, viva. Escolha pelo que se acredita que é o melhor, conquista do que se acredita que é bom. E a história repetia-se novamente, interiorizando no âmago uma ordem que jazia agora sem lei. Seus sentidos cegados pelas indicações, parciais, montadas, jogadas, dúbias, convenientes, mecânicas, frias, insanas, premeditadas por uma genialidade que se pretende a invulnerabilidade. Que se pretende. Fortaleza que era alvo do mais contraditório ataque, página da batalha invertida. As canetas que deveriam acompanhar-se na redação da história não pareciam escrever o que deveria ser escrito. Faltava tinta, afeto. Faltava verdade. A instrumentalização da vida lhe embebia de pavor e perplexidade. O interesse, unívoco, unilateral, da singularidade, retroagia no tempo como um espelho frente ao outro. Os olhos estavam abertos agora, e seus braços continuavam esticados, fluindo, no escuro, com os mesmos flashes, pontuais, e a névoa branca invisível o engolfava. Pouco a pouco o tempo lavava a alma tingida, e a canção que dividia a imagem, descolorindo caminhos, chegaria ao fim, terminando por revelar o que restaria de suas certezas, manchadas.