Pertence ao céu todas as letras e as palavras que saem de dentro de mim agora. Hoje faço vinte como quem não faz. Contemplo o azul que compõe meu universo, e os últimos raios fugidios do dia como aquele aventureiro que sempre buscou o horizonte. Faço duas décadas da história mais incrivelmente fabulosa e intensa e desaventurada que já conheci. Sou protagonista do tempo que nem sempre teve estrelato, sou o mosaico contínuo, a colcha de retalhos, o fundo da cascata, o homem na chuva, o garoto desengonçado, sou o artista da vida, meus dois nomes e meu apelido, o super-herói da escola, o melhor amigo que se perdeu, sou companhia do bilhete, a submissão pela adimiração e pelo amor, sou o compromisso com o futuro, sou o aluno do parabéns e do sonho, o estudante descontruido do presente, sou o caminhante do deserto, sou a semente que germina, sou todos os recortes de todos os textos e sou cada metáfora de cada ser ou não de cada eu, sou a contestação do incontestável, a negação do insolúvel, sou a atitude de vez em quando, sou o protótipo político, o e-mail de todas as páginas e um pouco de cada pessoa pela qual passei, sou a utopia e o romantismo reticentes, sou a esperança mais manchada e lavada e surrada de toda a face e de todos os pedaços de terra que já cruzei e sou o encontro da tentativa com o passo. Nesse dia que escapa pelos dedos conto as horas de um relógio que já usei e tento legendar o que não podia, porque eu sou tudo aquilo que eu queria ser e no fundo continuo sendo quem sempre fui, porque a mudança sempre me acompanha igual e eu não tenho mais a inspiração colorida de outrora, e tudo é tão mais volátil e intenso que são momentos e passagens inconstantes, e eu sou como aquele céu que se enche de nunves às vezes e que o vento leva embora tão velozmente quanto veio, e sou a chuva que não cai certa, e cada pôr-do-sol que parte, e cada cena de cada fim de dia, porque sou alguém que ainda não me pertence, e é por isso que estou na busca, infinita, por conseguir ser o garoto que eu me tornei.
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13 de junho de 2009
Pertence ao céu todas as letras e as palavras que saem de dentro de mim agora. Hoje faço vinte como quem não faz. Contemplo o azul que compõe meu universo, e os últimos raios fugidios do dia como aquele aventureiro que sempre buscou o horizonte. Faço duas décadas da história mais incrivelmente fabulosa e intensa e desaventurada que já conheci. Sou protagonista do tempo que nem sempre teve estrelato, sou o mosaico contínuo, a colcha de retalhos, o fundo da cascata, o homem na chuva, o garoto desengonçado, sou o artista da vida, meus dois nomes e meu apelido, o super-herói da escola, o melhor amigo que se perdeu, sou companhia do bilhete, a submissão pela adimiração e pelo amor, sou o compromisso com o futuro, sou o aluno do parabéns e do sonho, o estudante descontruido do presente, sou o caminhante do deserto, sou a semente que germina, sou todos os recortes de todos os textos e sou cada metáfora de cada ser ou não de cada eu, sou a contestação do incontestável, a negação do insolúvel, sou a atitude de vez em quando, sou o protótipo político, o e-mail de todas as páginas e um pouco de cada pessoa pela qual passei, sou a utopia e o romantismo reticentes, sou a esperança mais manchada e lavada e surrada de toda a face e de todos os pedaços de terra que já cruzei e sou o encontro da tentativa com o passo. Nesse dia que escapa pelos dedos conto as horas de um relógio que já usei e tento legendar o que não podia, porque eu sou tudo aquilo que eu queria ser e no fundo continuo sendo quem sempre fui, porque a mudança sempre me acompanha igual e eu não tenho mais a inspiração colorida de outrora, e tudo é tão mais volátil e intenso que são momentos e passagens inconstantes, e eu sou como aquele céu que se enche de nunves às vezes e que o vento leva embora tão velozmente quanto veio, e sou a chuva que não cai certa, e cada pôr-do-sol que parte, e cada cena de cada fim de dia, porque sou alguém que ainda não me pertence, e é por isso que estou na busca, infinita, por conseguir ser o garoto que eu me tornei.
22 de março de 2009
Eu quero te dizer obrigado. E quero te dizer também que eu tenho algumas perguntas. Eu queria que você soubesse que o meu maior desejo, nesse exato instante, era estar na tua frente, face a face. Eu queria poder te dizer cada interrogação e eu queria que todas, todas as palavras sem excessão fossem ditas. Eu queria experimentar essa experiência mútua, bilateral, sincrônica, sincrética, amalgamada, de poder olhar nos teus olhos ouvindo a tua voz, e eu queria conversar contigo sobre absolutamente tudo que eu tenho vontade, e que queria que você me respondesse de peito aberto, com afeto, amizade, confiança, lealdade, atenção, eu queria que a gente pudesse trocar nossos sonhos e nossos sentimentos de verdade. Eu não sei se você sabe mas eu sempre gostei de você. Eu gosto de você porque você é uma pessoa especial. Eu tenho memórias, lembranças, imagens, cenas, fotografia, passado. Eu queria muito que você fizesse parte da minha vida, e você faz. No entanto porque a gente está nessa encruzilhada é uma pergunta que me desceu hoje inteira. Eu acho que quando a gente gosta de alguém, de verdade, não existe lado. Existe a gente. Amizade é amor por que a gente vibra, torce, vive, sorri, discute, conversa com o outro. Amizade é parceria, não competição. Amizade é contato, bem-estar, paz, amor. Amizade é liberdade. É a qualidade de poder ser quem se é com o outro. Eu queria muito que você soubesse que você me ensinou muitas coisas, boas e ruins. Eu queria que você soubesse que se eu pudesse voltar atrás eu teria reescrito muita coisa, e não tenho medo de dizer isso, eu teria voltado anos atrás e teria feito muita coisa de outra forma. Isso, porém, não existe. E o que há, é esse exato minuto, em que eu quero que você saiba que esse é aquele em que eu abri todas as portas do meu coração e da minha alma, e é aqui, despido de todo o manto de sentimentos e ímpetos que me revestem que eu te digo: eu queria que só existisse o nosso lado. Nem meu, nem teu, nem dele. Só o nosso. E que a gente pudesse seguir junto, até onde a vida nos permitisse, porque a gente tem muito pra viver e pra conquistar. E eu só quero ser feliz, fazendo quem eu gosto também. Porque eu acredito, de todo meu coração, que isso é viver.
3 de março de 2009

Naquele momento o céu era o chão e tudo acontecia ao mesmo tempo numa sincronia esférica, global e obedecendo a uma ciranda giratória. As nuvens eram as pessoas e tudo se aglomerava bem como se separando, passos condensavam-se ao som de um vento musical, de luzes monocromáticas que desenhavam nas testas, nucas, ombros, mensagens visuais inintelegíveis, a ordem era uma só. E a ansiedade curiosa de umas centenas de semanas daquela vida foi dissolvida em poucas horas de intensos passos desritmados que acompanhavam as batidas energicas, elétricas, conhecidas ou não. Cruzavam-se olhares diversos, divergentes, aparentes, cautelosos, pretendidos. Era como o novo de sempre (e todo o seu contato e consequencia),mas havia sido mais. Dias depois,a brisa sonora voltava trazendo as marcas, agora sim, indubitavelmente, ganhas: cada passo de cada degrau, e cada minuto de cada hora era uma vitória sobre cada uma de suas dúvidas e de seus medos. A companhia dos mosqueteiros era um brinde a sua espera, a seus sonhos e a seu romantismo inapropriado. E naquele dia que cruzou o tempo e trouxe como inédito o espaço, pela primeira vez, estreante, quem chegou foi a manhã, e o tempo nasceu ao invés de partir contrariando todas as previsões em contrário. Na areia o vento era gelado como um nascimento, como quando deixamos o aconchego do ventre para nos encontrarmos com nosso caminho a ser traçado, os retratos eternizaram semblantes novos. O amanhecer singelo e especial despontava sobre a água infinita coroando cada palavra proferida e todas as frases omitidas. Todas, cada uma delas era banhada agora na sensação única e inexplicável, daquela inenarrabilidade concernente ao universo particular de cada um, pela satisfação de uma pintura realizada, de um fundamento firmado na eternidade. Cumprindo a sina da vida estivemos. E a viagem (metafórica ou literal), de um verão (pra não se esquecer jamais), deixou arraigado e intangível, a visão de uma vida possível e real, onde a superioridade do poder ser encerra todas as inevitabilidades da vida, de uma felicidade dissolvida, onde fazer bem feito é lei, e a ordem é o que é difícil. A profecia se materializou em história, em sentimento, em fantasia, e as consequencia geradas pelas mudanças ecoam, trafegam, flutuam, e se processam com intensidade inigualável. Cada amanhecer revela mais um pedaço de mais uma folha da história que trouxe o dia que ao invés de partir, veio. Do inverso que é plenitude acertada: Sonho é Destino.
20 de dezembro de 2008

Aquilo que se conquista não se pode delegar, não se entrega, não se dá, não se doa, só se deseja. Desejo que é sim entrega, porém de um querer tão mais simbólico e bom. Atitude humana refinada e doce, sublime, leve, sofisticação que encanta, fantasia que nos guia, onde quer que a realidade nos leve. Escrever é um pouco de ser, um tanto de vontade e muito de necessidade. Se esparramar no papel é se dissolver em letras, que te devolvem teus sentimentos, misturados, mixados, confusos, amalgamados em palavras ordenadas por lógica, senqüência, tentativa de se fazer (e) entender(-se). Era o som que o tocava, a nota gelada da música que o fazia viajar, dali, do sofá carregado de histórias, coadjuvante passivo de toda uma vida vivida como pode ser, que ele transgredia a realidade, e compunha-se de toda a coragem que poderia ser dele para viajar. Sua imaginação era trem, merkaba, veículo espacial, inter-temporal, o gosto do embalo era o de um infinito e tranquilo campo verde, meio claro-meio escuro, cheio de vento, e céu azul, e mato grama. Vento fresco, alma nova, inovando, estreando, sentindo o viver, encontrar-se e encarar-se. Não mentir, pedir, palavras que raspam na pele, que ricocheteiam na alma, que travam a batalha no muro. Da fortaleza; sim, ele ergueu uma, e eles querem invadi-la, estão tentando, avisaram-no, seu maior exemplo lhe alertou, e ele ouviu. Os guardas estão a postos, inexperientes, verdes -na ambigüidade permitida-, mas corajosos como seu senhor. Desejo vento, azul, e o vermelho que brota de dentro e me leva. Sou juvenil, sentimento puro, amor-desejo, carinho, medo, coragem como paixão.
13 de outubro de 2008
http://br.youtube.com/watch?v=ZyTO0jW8T2o
THE VERVE
Lucky Man
HappinessMore or less
It's just a change in me
Something in my liberty
Oh my, my
Happiness
Coming and going
I watch you look at me
Watch my fever growing
And I know just where I am
But how many corners do I have to turn?
How many times do I have to learn?
All the love I have is in my mind
Well, I'm a lucky man
With fire in my hands
Happiness
Something in my own place
I'm standing naked
Smiling, and I feel no disgrace
With who I am
Happiness
Coming and going
I watch you look at me
Watch my fever growing
And I know just who I am
But how many corners do I have to turn?
How many times do I have to learn?
All the love I have is in my mind
I hope you understand
I hope you understand
Gotta love that'll never die
Happiness
More or less
It's just a change in me
Something in my liberty
Happiness
Coming and going
I watch you look at me
Watch my fever growing
And I know
Oh my, my
Oh my, my
Oh my, my
Oh my, my
Gotta love that'll never die
Gotta love that'll never die
No, no
I'm a lucky man
It's just a change in me
Something in my liberty
It's just a change in me
Something in my liberty
It's just a change in me
Something in my liberty
Oh my, my
Oh my, my
It's just a change in me
Something in my liberty
Oh my, my
Oh my, my
Always spring dreamer
11 de outubro de 2008
1 de outubro de 2008
Um. Dois. Três.
Ele estava correndo. E enquanto se deslocava numa velocidade intensa, descomunal, percebia que as coisas estavam ficando menores, não propriamente pequenas, mas estavam menos destacadas, e ele correu muito e chegou num prédio antigo, como num sonho desconexo qualquer, edifício afim do dos filmes de aventura que se passam em cidades européias quaisquer, e o prédio era de um tom cinza mesclado misturado com um marrom escuro do tempo passado, e a porta era alta, e imponente e pesada, que ele teve vontade e necessida de tentar abri-la, e ele conseguiu, com uma facilidade que o deixou preocupado, não, não podia ter aberto como se não fosse nada.
A porta era tão leve que parecia suspensa no ar, e do outro lado ele avistou um salão imenso, e vivido, e colorido, e cheio de tanta gente que ele conhecia. Logo na entrada foi recebido com sorrisos, e acenos, e ele gostava disso, mas naquele momento ele não conseguia se prender a isso, ele precisava continuar, e lembrou que precisava correr, que tinha premência em seguir, no outro lado do salão iluminado estava a escada, e por um segundo ele pareceu sentir por onde seguir, e ele despedia-se de quem encontrava e corria, ganhou velocidade e se viu frente ao primeiro degrau, todos estavam ali no salão porém ninguém o mirava agora, ele não estava sob foco, e então deu o primeiro passo, assim, respirou fundo e deu o segundo, confiante, colocou o pé no terceiro, e sucessivamente em diante, até dar por si que estava subindo, e as vozes, a música, a luz do salão de entrada estavam ficando mais tênues, a cada centímetro de subida, e enquanto subia viu que era noite, que a lua estava cheia, e que a escada estava banhada por uma luminosidade macia, amarela, carinhosa, e que ele estava sozinho. A solidão que sempre lhe impulsionara a correr e a buscar companhia, freneticamente, loucamente, agora como imperativo determinava a seguir só, e as escadas se sucediam, e dezenas, centenas de retângulos de degraus sucessivos foram delineados por seus passos. E quando ele cansou, encontrou o topo, a escada acabara, em sua frente estava outra porta, dessa vez de dentro pra fora, e ela era tão alta, e tão imponente e tão linda que era mais especial que a de fora pra dentro, era diferente por fim, muito distinta de tudo que ele já atravessara. E a distinção lhe causou medo, no entanto curiosidade também, e ele resolveu estender o braço, e imprimiu energia, e a porta foi se abrindo. De forma segura, e gradual, a perspectiva e o vento tomavam conta de seus olhos, de seus ouvidos e de seu rosto, e de seus lábios, e orelhas. Sua face experimentava o céu do alto de uma noite de lua cheia. O vento era gelado e forte, e a vista era tão ampla e linda, que o novo o convidava a ir pra fora. E a área não tinha bancada, nem proteção, era um platô; como todos os de torres do relógio onde bonequinhos vestidos tradicionalmente a caráter avisam quando é meio dia e meia noite às suas cidades, sim, o ambiente lhe trazia a lembrança, a imagem de incontáveis desenhos e filmes que já tiveram como palco um espaço como aquele. Ele tinha medo do vento, da altura, e do novo principalmente. Quando começou a dar por si sentiu aquela descarga elétrica característica desses momentos ímpares, tinha alguém ali, não sabia quem era, mas havia. E ele olhou ao redor, e se viu sozinho, contudo tinha a impressão, tanto quanto da lua, do vento, e da visão panorâmica, que ele não havia chego até ali sozinho. A vontade de correr arrefecia agora, atenuava o turbilhão que antes o dominava, e a paz gostosa de sentir seu novo eu trazia o equilíbrio de um encontro com ele mesmo. Talvez havia sido preciso querer, talvez ele precisasse subir tão alto, e ir tão longe, pra encontrar de novo e pela primeira vez o seu novo si mesmo. A solidão só tinha lhe trazido pavor, -claro!-, só tinha lhe submergido em pânico porque ele nunca entendeu o que ele deveria sentir. Sempre houve alguém ali: ele mesmo sempre esteve ali, e ele nunca havia percebido.
'cause there's beauty in the breakdown
30 de setembro de 2008
29/08/2008
Legenda:
Sinto que é como se meu coração estivesse sendo enrolado por um fio de nylon: fino, frio,
tecnologicamente preparado para prender e recortar.
Um fio que vai envolvendo meu coração e vai apertando-o,
vai sufucando, impedindo-o de pulsar,
e cada vez mais, eu tento fazer meu coração mais forte,
por que o fio vai fazendo mais pressão; mas não consigo, e tenho a impressão que meu coração vai se desintegrar em pedaços,
e me rendo ao nylon; e dói, muito,
e é por isso que grito por dentro, é isso que sinto,
queria voltar pra não deixar nunca meu coração ser amarrado por um fio de nylon.
É impossível voltar, não consigo, por fim preciso cortar a linha antes que meu coração páre de bater, e tenho de fazê-lo sem o machucar ainda mais, o mais difícil de tudo.
Do curta Ilha das Flores, a máxima:
"Recordar é viver"
Sinto que é como se meu coração estivesse sendo enrolado por um fio de nylon: fino, frio,
tecnologicamente preparado para prender e recortar.
Um fio que vai envolvendo meu coração e vai apertando-o,
vai sufucando, impedindo-o de pulsar,
e cada vez mais, eu tento fazer meu coração mais forte,
por que o fio vai fazendo mais pressão; mas não consigo, e tenho a impressão que meu coração vai se desintegrar em pedaços,
e me rendo ao nylon; e dói, muito,
e é por isso que grito por dentro, é isso que sinto,
queria voltar pra não deixar nunca meu coração ser amarrado por um fio de nylon.
É impossível voltar, não consigo, por fim preciso cortar a linha antes que meu coração páre de bater, e tenho de fazê-lo sem o machucar ainda mais, o mais difícil de tudo.
Do curta Ilha das Flores, a máxima:
"Recordar é viver"
Título: Espaço
28 de setembro de 2008

The Nothing Song - Sigur Rós
í sayr lon
í sayr lon won fur yo won
í sayr lon
í sayr lon yu ón fur gurr ón
í saylón
í sayr lon yu fón yu ónn
í saylón
í saylón yu wón saiy ón
...
í sónnn
í sayr lón
í sayr lón yón fúr yon fú
...
ónnnnn í sórr
í sayr lon
yúúrrr son
lónnnn yu sónn
yuu
í sún
yu sún
yu súún
í sún
wart yu
í sún...
í sayr lon won fur yo won
í sayr lon
í sayr lon yu ón fur gurr ón
í saylón
í sayr lon yu fón yu ónn
í saylón
í saylón yu wón saiy ón
...
í sónnn
í sayr lón
í sayr lón yón fúr yon fú
...
ónnnnn í sórr
í sayr lon
yúúrrr son
lónnnn yu sónn
yuu
í sún
yu sún
yu súún
í sún
wart yu
í sún...
De Baunilha
24 de setembro de 2008
Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Drummond de Andrade
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Drummond de Andrade
Dos Inenarráveis
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