Amar é isso. É não sentir limites pra mais nada. É correr as lágrimas sempre presas. É permitir vida onde só havia morte. É uma espécie de liberdade sem fim. É como se você deixasse para trás todas as máscaras as sombras e os medos que te encarceravam. Amar é ficar nu. Irrevogavelmente translúcido. Transparente numa espécie de vulnerabilidade consentida. Eu queria que você soubesse que eu te amo. E que isso faz de mim uma pessoa incrivelmente melhor. Você me devolveu a vontade de viver. Você me concedeu poderes que eu nunca tive. E hoje eu me realizo com o simples fato de pensar na tua existência. É uma espécie de lucidez extremada indefinível. E me faltam palavras, agora, pra descrever a imensidão do que me fazes sentir. A grandeza que você me provoca. A apoteótica e celestial febre de sentimentos que me acomete quando estou contigo. Você é minha paz. Meu espírito. Meu refúgio. O caminho por onde a ponta do dedo aponta o futuro. Você é a felicidade empenhada no grito. E eu vou lutar, incansável e ardorosamente por ti. Não vou largar da tua mão, porque eu preciso de você ao meu lado. Espero poder te realizar como você me realiza. Eu quero que você saiba que há meses todos os meus sorrisos meus sonhos e minhas esperanças são teus. E não há nada que me furte, neste instante, a te afirmar que eu sou teu. Obrigado por existir. Te agradeço por cada segundo de cada dia, por cada letra de cada linha; e por teres tido a coragem, nobre e honrosa, de lutar por ti mesmo, por mim, e por nós. Confesso, por derradeiro, que tenho um desejo, último: conseguir, algum dia, de forma absoluta, te fazer ter certeza de que nós sempre vamos ter valido às penas, todas. Eu queria que você soubesse que eu nunca vou te esquecer, e que a partir de hoje você faz, de modo inexorável, parte de mim. Para todo o sempre.
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9 de julho de 2012
21 de junho de 2012
26 de março de 2012
Quando era pequeno beijei uma menina escondido no pátio de meus vizinhos, e fui flagrado. Meus cabelos são incontinentes em sua rebeldia. Não há corte, penteado ou jeito que os amanse, parecem com as nuvens dos céus que eu sempre procurei perscrutar: indomáveis, insanas, incessantes, incontroláveis. Quem sabe tudo não tenha começado naquela advertência no jardim. E hoje se desenrola nesse homem que não se encaixa. Que entende que não é simétrico o suficiente, que não possui os dotes que deveria, e que, aprisionado em suas formas carnais, não encontra amparo nas aprovações que tenta construir para si. Aquela menina do beijo hoje parece à minha frente, realizada por escolhas e conjeturas, está emoldurada em caminho semelhante ao meu mas diametralmente oposto. Àquela época, com candura, fui presenteado por ela com um microfone, rosa. Acho que eu fazia 5 ou 7. E essa é a primeira vez que uso números por aqui. Tamanha é minha congestão mental deles. Estou tomado por algorítimos que me cobram, exigem, que me prensão em uma parede que não é táctil. É da ordem daqueles elementos que determinaram que meus fios de cabelo seriam ariscos, meu rosto redondamente incômodo, e minha pele erupta. Minha vida é uma guerra sem intervalos, uma batalha sem descanso, uma espécie de corrida onde cada passo dado significa. É como se eu vivesse dentro de um eterno tornado em colapso. Sedento por levar ao chão os retratos, os desejos e as histórias lindas pregadas nas paredes que algum dia autorizaram que eu deixasse de viver por mim.
10 de fevereiro de 2012
Eu preciso de um resgate. Um anjo que me jogue cordas ou uma boia grande pra eu me segurar. Talvez uma escada firme pra eu ter por onde subir. É como se eu estivesse dentro de um labirinto de cercas-vivas gigantes. Rodeado por caminhos entrecortados, monstros nas sombras, sem saída olhando pra um céu que é o único espaço aberto. Sinto meu coração divergente, plastificado, como uma pele recém-curada temerosa por novas lesões excruciantes. Tenho medo de romper abismos. Como se abandonar o passado que já se foi fosse algum tipo de provação ainda não experimentada. Me sinto inocente. Me recrudesço. Me enclausuro vitimizado. Parece uma sina elástica que não te deixa seguir em frente. Uma ciranda macabra que te aprisiona. Um cárcere de grades livres que você se inventa. Eu queria um mapa aberto. Um guia solúvel de como sair de mim. A liberdade me apavora por não saber estar com ela. Não sei se vou conseguir transpor as montanhas pra estar contigo um dia, e isso me angustia. Sou uma grande angústia encapsulada. Uma represa de tristeza sempre transbordante. E enquanto me ridicularizo por me metaforizar continuo me escondendo, não sei se feito criança assustada ou homem covarde, fugindo de seus próprios porões, dores latentes, de minha eterna incapacidade de me assumir vivo
Nomeando:
angústia,
confusão,
doze,
inexprimível,
verdade
28 de agosto de 2011
Tem uma nota de piano na música que eu escuto, e eu nunca tive a oportunidade de aprender a tocar um. Hoje eu chorei pela primeira vez desde que nos deixamos, lá atrás, no começo do outono. E pela primeira vez consegui vencer meio bloqueio psicológico que me impedia de sentir minha alma. Me senti humano outra vez, sensível, estimulável, doce. Eu li as cartas que você me escreveu, contemplei as fotos que você me entregou, e lembrei, por um momento, de todo o amor que você me fez sentir, de toda a aceitação que você me concedeu, de toda a proteção que você me deu, e de todo o desejo que você investiu ao me escolher. E eu lembrei que eu também te escolhi, porque nunca toquei ninguém como te toquei, porque nunca beijei ninguém como te beijei, e porque nunca mais senti nada parecido com aquilo que você me fazia sentir. Na caixa onde guardo as coisas mais preciosas que tenho tem uma foto tua, de quando eras criança, tirada na França, e tem vários corações nela. Eu queria te ligar hoje, dizer que eu sinto saudade e entendo que precisamos ficar separados, porque não é o momento para estarmos juntos, mas não consigo. Acho que é um contato desnecessário porque pra mim, você parece estar muito bem, e eu não quero de forma alguma mexer naquilo que você conseguiu construir pra você. Nessa tarde o sol se colocava como quem partia deixando rastros, memórias, marcas indeléveis como as que deixaste em mim. E apesar da vontade de estar contigo, e do desejo por sentir tudo aquilo que fazias eu sentir, eu só queria que você soubesse que sim, eu aceito me casar um dia com você, e que sim, podemos morar juntos e ter quartos separados, e que se algum dia isso acontecer, eu estarei pronto pra fazermos tudo aquilo que um dia sonhamos juntos que iríamos realizar. Sou eternamente grato à sorte surpreendente que um dia me levou a você. Te amo.
13 de dezembro de 2010
Porque nada é absoluto. Milhares de folhas verdes escuras e claras se chocam lá fora com o vento incessante e gelado que transformou essa cidade em cinza em plena primavera quase verão. E hoje eu me sinto no outono quase inverno. Só que ao contrário. Minha pele em riste parece denunciar uma espécie de falta transmutada em amargura e dor que acaba por me levar a um choque interno intenso e íntimo. Dezenas de correntes me elevam a uma altura que nunca estive e orquestradas me soltam em direção ao chão que não é só meu destino mas sim meu túmulo mais supulcral e definitivo. Quando eu disse que te amava pela primeira vez eu experimentava todo o prazer único, exclusivo, intenso e inesquecível de se entregar pra alguém que se entrega pra você, e nossos corpos foram um só porque eu nunca havia sentido a vontade e o desejo e o amor carinhoso e permeável e intenso e bonito e valente e corajoso que eu senti por você. Eu só queria que esse outono quase inverno fosse aquele nosso verão do avesso perfeito e desenhado que havíamos nos prometido. Eu te desejo toda a liberdade do mundo porque teus olhos inocentes e reticentes e molhados e suaves são o retrato de um homem brilhante, único, singular e idealizado de forma potencializada pela dor de amor que eu sinto agora por você. Que essas rajadas geladas e sombrias lá fora consigam petrificar e pacificar tudo de mais especial que vivemos juntos dentro de mim.
20 de novembro de 2010
É como um pedaço pesado de gelo sendo destroçado por uma força motriz irresistível. É claro como a luz do sol que perpassa e atravessa todas as folhas da copa mais verde e mais alta da floresta. E tem uma espécie de textura que lembra a de um vegetal fresco e saboroso que há muito você não experimenta. E dá pra se dizer que nessas horas não há toque, nem entrelaço, nem corpo, definição, sensação, movimento dual e sincrônico que sustente. Não deixa de ser uma questão envolvente, e doce. Um dia eu te disse que crescer dói. E eu tinha esquecido o quanto. Minha impotência me lembra que minha tristeza é raiva. E eu me recordo agora de tudo aquilo que eu queria que fosse diferente e não é. Você pode não saber, e assim como eu não sei, eu acho que esse nosso não-saber em conjunto pode nos ajudar a escolher o caminho que vamos percorrer juntos ou não. Porque nada é absoluto. E eu acho que não há definitividade nessas notas redigidas que você me orquestra ao balancear essas equações sonoras, sensoriais, e sedentas por recompensas, compensações e transações humanas que eu também me permito expectar. Eu queria te dizer que eu estou preparado pra. E que amar é uma questão de transcendência, rompimento, interconexão, sensibilidade humana e afetividade. E se assim o é, que sejamos como as serpentes enroscadas lentas, umas verdes outras escuras. Porque eu prefiro sempre a verdade mais sólida e sincera. E é isso que eu te entrego e que te peço: que sejamos umbilicalmente menos osso e mais verdade.
30 de junho de 2010
Não há vida sem amor. Eu nunca escrevo pra mim mesmo. Eu sempre escrevo por mim, pra alguém, por algum motivo, à força pelo meu sentimento que aflora, e desflora, e reverbera revigorando-me. Eu escrevo porque quando eu transformo o céu em recorte eu descanso, relaxo, liberto, desenclausuro, emolduro no espaço branco vazio a pintura bricolada de letras, acentos ausentes, concordâncias disjuntas. Quando eu escrevo há concórdia, há realização e há paz. Eu escrevo porque as palavras são como presentes: misteriosas, empacotadas, multiformáticas, transitórias, suspensivas, elegantemente singulares e únicas.Tem uma nuvem em forma de avalanche que nunca me sai da memória. Lembro que era quente e verão e seco e não havia vento mas o céu parecia em redemoinho. Por todos os lados do vale gigantes nuvens performáticas escorriam pela atmosfera acima da borda em um movimento descordenado e belo. Naquela tarde eu senti que o céu ia cobrir todos, e tudo, e então tudo seria névoa e cinza e branco e trovão. Não foi. Era só chuva. E eu queria que você soubesse que eu estou me desfazendo, em tua companhia, da fragilidade, da instabilidade, do t(r)emor, das paredes com frestas e do chão sem pregos e dos pilares encaixados e do telhado sem estrutura, eu estou mandando pelos ares as pedras sem cimento, o piso sem cobertura, o verde sem raízes, cada pedaço de mim sem chão e ferro. Eram dezenas de tornados e ciclones e vendavais lá fora mas eu me segurei nas barras geladas de metal e não soltei até que tudo voasse, e desabasse e viesse à terra novamente. E quando eu abri os olhos não havia mais nada intacto, mais nada passado, mais nada cansado, velho, repetitivo ou capenga, meu corpo e minha alma estavam revigorados porque do meio dos escombros eu podia visumbrar que havia um mundo inteiro a ser reconstruido ao meu entorno. E ao redor de mim e por todos os lados descia aquela luz amarelada e reconfortante de um fim de tarde de um dia diferente que levou consigo a tempestade e a calmaria e me trouxe o inédito de quem só consegue se acreditar que pode. Eu acredito que eu posso e eu sinto tudo isso desde que, enquanto e depois de. Aquela avalanche do céu de verão me fez lembrar nessa noite de inverno que eu sempre fui aquele menino com a força pra resistir e lembrar e seduzir e revoltar e volver com a elegância e o charme e a esperança de um plebeu destinado a ser rei.
14 de junho de 2010
É como uma fome plástica e plasmada e disforme. É um desejo dissolvido, dissociado, recortado e granulado em milhares de pequenas partículas invisíveis. Lembra uma tempestade de areia inversa, um ciclone de pétalas aladas, um tornado de luz performático. Também pode ser que faça você recordar de uma coceira insanável, de um formigamento autônomo e insubordinado, uma cãibra dentro do mar antes daquele mergulho perfeito daquela onde mais linda e reverberante e colorida e nítida e gostosa. E quem sabe não passe de uma incongruência sensível da qualidade humana perfeita de sentir ou mesmo de uma instabilidade adjunta da própria constituição que nos compõe. Queria poder tecer construindo sob o fundamento do azul celeste um prelúdio poético e pessoal adornado de nuvens mas não posso. Meu céu anda cruzado e tingido e misturado por infinitas intersecções múltiplas e aleatoriamente destinadas. Como se a sorte surpreendente tivesse se encarregado de ilustrar e compor tudo sem precisar de nenhuma ajuda. E todas as luzes de todos os postes e todas as sombras e todos os brilhos e flashes das noites geladas e frias e chuvosas não me fazem esquecer. É como se o próprio outono que agora termina tivesse congelado dentro de mim um tempo novo e quente e paradoxal que me causa arrepios de choques térmicos com a realidade. E tem um leão que é rei que acabou incorporando uma responsabilidade não pretendida. Ser ator não significa ter que arcar com o espetáculo sozinho, o protagonismo exige sempre, em última instância, a superação de si mesmo frente ao espetáculo, platéia e palco são portanto solidários pelo sucesso da apresentação. Não há univocidade. E tem dois traços no céu desse fim de tarde aquarelado. Como se rei e súdito. Príncipe e servo. Leão e coelho. Imaginação e sentimento. Letra e voz. Se interconectassem, se fusionassem, se amalgamassem num arranjo celeste leve lúcido-translúcido cristalino iônico válido e musical secretamente solubilizado em amor.
28 de março de 2010
You. É pra começar te dizendo que você mudou a minha vida e eu acho que essa vai ser uma grande confissão. Desde o primeiro dia, da primeira conversa e da primeira madrugada, desde a primeira ligação e dos primeiros segredos divididos eu sempre suspeitei de mim mesmo por estar acreditando que você podia ser real. E o que mais me assusta é o quanto eu estou assustado por gostar de você. Porque sozinho a gente fantasia muito, e eu tenho muitos problemas com solidão e sonhos, e eu sempre achava que talvez tudo não ia passar, como quase tudo na minha vida, de um grande mal entendido e que você ia dizer que era só mais um grande amigo ou então ia chegar um dia pra mim dizendo que estava muito a fim de alguém ou apaixonado por alguma pessoa que não seria que eu esperaria que fosse, como sempre acontece comigo. E aí tem uma espécie de segredo que eu ainda não consegui desvendar, porque eu estou há alguns meses trabalhando no mistério que é você, na tua complexidade implacável, na tua postura de hombridade e doçura, tua forma leve e compromissada de encarar o mundo e a tua assistência irrestrita com que você nutre algum tipo de sentimento bom. Eu acho que você é muito surreal porque eu nunca tinha ouvido uma voz tão linda, e encantadora, e bonita, e eu fiquei sorrindo sem saber o porquê durante dias depois que eu a ouvi pela segunda vez. Teve um dia também, e eu sou imensamente grato por isso, que eu acordei lá naquele lugar onde o vento faz a curva, e você tinha mandado um sinal doce e matinal de vida e você não tem idéia do quão especial e do quão importante foi ter você por perto quando eu mais precisei. Pode ser que isso seja só efeito desse meu jeito romântico e escancarado de colocar as coisas pra fora porque você já deve ter percebido que eu não sou daquelas pessoas que escondem tudo pra sempre. Eu queria te dizer que você é muito especial e que eu estou de quaresma por tua causa e que depois que você apareceu no meu caminho eu experimento uma espécie de tranquilidade e calma que eu nunca tinha conseguido sentir, e por mais que essa tenha sido uma batalha minha eu só tenho conseguido triunfar por tua causa, e é por você que eu escrevi essa confissão porque só você tem me dado vontade de dizer pro mundo o que eu estou sentindo, e isso não acontece assim há tempos, e eu não vou retirar nunca nada disso do que está posto e escrito porque você merece tudo de mais especial e lindo e feliz porque você é fabuloso, e eu te espero o tempo que eu tiver que esperar porque desde que eu te li pela primeira vez eu achei, e depois tive certeza, que igual a você não há.
13 de março de 2010
Era pra começar com um castelo, algo como que um príncipe, e uma princesa, e uma cerimônia real farta e luxuosa mas não vai passar da menção. Tem alguma coisa a ver com individualidade, uma espécie de sentir que desafia você todo dia naquela atividade uma vez sugerida, e sempre cumprida, de nomear tudo num ritmo frenético e de não racionalizar as coisas ao mesmo tempo. Hoje eu me senti sozinho. Às vezes me sinto na verdade. E eu acho que pode ser que a gente se vicie em se machucar, solidão pra mim dói como agressão, e me parece uma resolução não-voluntária, a qual sempre acaba com você no médico, na farmácia, no telefone, ou no computador escrevendo e-mails que jamais deveriam ter sido enviados. Nada me faz crer que não existe sempre alguma coisa ausente e eu acho que amar é uma doença, tipo síndrome sem cura. Naquele dia o céu estava azul porém não limpo, e apesar daquelas nuvens todas tinha alguma coisa muito fora do lugar ali, eu sinto que é como quando você abre alguma coisa, um presente por exemplo, e não encontra aquilo que esperava. E pesa dentro porque você não consegue se disciplinar ao ponto de esquecer essa droga de expectativa que algum dia alguém te vendeu como ter esperança e você guardou e não aprender a jogar fora e agora ela se enraizou em você e sempre te faz esperar por aquilo que você deseja - e é só. Eu não queria ter expectativas porque eu não sei lidar com frustrações. E eu ainda acho que amor a gente tem vontade de entregar porque mesmo que seja algo do campo do contagioso dá muita vontade de dividir com alguém aquilo que transborda de dentro de você e te faz sentir bem por alguns instantes. E esse é aquele em que eu confesso que sempre sonhei em ser príncipe mas acabei sendo, só e apenas e sempre, fadado a amigo deles.
15 de fevereiro de 2010
Eu queria deixar dito que apesar desse céu parecer meio misturado e entardecido, que chove lá fora agora. Eu demorei bastante tempo pra conseguir digerir o que estava escrito naquelas ondas, sempre esteve escancarado nas linhas brancas da espuma aquelas coisas que eu precisava fazer pra poder sair da chuva, e eu sempre fingia que não sabia ler, que não entendia nada. Hoje tem uns pingos gelado caindo do céu e eu acho que eles acabaram me fazendo ler de novo, eu cansei de fingir que não sei ler, eu cansei de tentar ficar na água, porque eu não posso mais ficar molhado. E existe sempre alguma coisa suspensa, e é como quando você precisa sair da água, e tá frio lá fora, porque já é fim de tarde e o sol já não aquece nem seca mais quem ousou mergulhar, e você ficou tempo demais submerso, está todo enrugado, e com fome, e agora é chegada a hora de sentir o vento gelado e a brisa intensa daquela praia preferida que foi teu refúgio por um longo tempo mas que não pode ser pra sempre. E eu acho que eu sou todas aquelas ondas contra as quais lutei,e eu queria que você soubesse que aquele dia eu não entrei na água porque eu precisava começar aquele caminho longe de ti que hoje me liberta. E mesmo que algum dia você venha a saber; ou não, eu sei que como eu não há.
4 de janeiro de 2010
Resumindo são mais do que algumas simples considerações. É mais ou menos como um fim de tarde desses de céu rosado, e com uma estrela brilhante e única que eu pude assistir esses dias lá longe naquelelugar fechado e fundo e vazio. E até lá tem desses fins de dia pra se ver. Eu acho que eu fiquei tempo demais me escondendo nas tuas sobras, me alimentando daqueles poucos pedaços de tudo que você deixava cair, de algumas migalhas que escorregavam do teu prato cheio de comida. Eu cansei de ser espectro, fantasma, assistente, coadjuvante. E vem sempre aquela sensação de frio da realidade, de medo do choque, todas aquelas borboletas vivas e coloridas que forram meu estômago de vez enquando. Acho que eu estou escrevendo isso hoje porque ando meio tomado pelo silêncio e pelo cansaço, pela calma, do esgotamento e uma espécie não-ruim de penúmbra, me sinto livre e preso numa atmosfera meio escura meio clara que nunca me foi simpática. E em verdade acho que você ainda é uma das únicas, poucas e últimas coisas que ainda consegue despertar meus demônios, fazer falar os dragões, desnudar minhas fraquezas mais gritantes, quase só você consegue me dar aquele ímpeto efêmero de me fazer traduzir pelas letras que eu costumo depositar aqui, nesse esboço patético do eterno adolescente que eu ainda custo a acreditar às vezes que eu me tornei.
11 de dezembro de 2009
18 de outubro de 2009
Kriptonita não é aquilo que você acha que é, eu já te disse o que é, e você com certeza não lembra, nem nunca lembrará. Tinha uma bola amarela no lago naquele dia e a previsão metereológica era de que ia chover muito. Esqueceram de dizer que ia ser raios. Choveu raios aquele dia. E em todos os dias depois daquele dia em que você me deu liberdade pra. Esse texto você nunca vai ler porque você não lê o que eu escrevo, você não me lê na verdade. Eu acho que eu fiz a maior das idiotices quando fiz tudo o que fiz pra você. Idiotice porque idiota na raiz semântica quer dizer 'aquele que não reconhece a si mesmo' e eu não me reconhecia mesmo. Eu adoro muitas coisas que tu consegue conquistar mas detesto a forma como você as aproveita. Tem algumas coisas que eu gostaria de experimentar antes de me despedir de você mas como eu sou repetente em despedidas acho que não vou conseguir ir embora daquele jeito que eu gostaria. Tem uma parte tua que me causa frio nas mãos e que me congela em profundidade visceral. Acho que é aquele domínio que eu invejo do controle de si, uma espécie de dissimulação quase-perfeita se não fosse o fato de que eu te conheço. E se eu te leio dos pés à cabeça, do avesso ao contrário fica complicado atuar. Tem um poema que diz que 'cedo ou tarde' a você sempre cedo. E eu tenho algumas coisas que eu já te disse que eu queria dizer de novo e de novo e de novo mais umas dezenas de vezes porque acho que você as deveria escutar até criar calos nos ouvidos. E existe uma coisa que você não conhece que se chama essência. E eu gostaria de ser informado quando você encontrar. Eu também queria deixar resgistrado nesse cofre que todas as palavras que eu te enderecei você não teve conhecimento e que quando eu disse que precisava matar uma estrela essa estrela era você. E eu queria que um dia você encontrasse a senha desse refúgio porque a gente sempre escreve pra alguém ler. E eu escrevi várias vezes sem senha pra você. Não vou mais criptografar mensagens em palavras, nem transvestir atitudes em entrelinhas, nem construir fatos desenhados pra tentar te dizer. Não preciso mais tentar me transgredir porque não sou mais a tentativa acoplada de me fotocopiar ajustada de você. E assim, acho que já passou da hora de você rever o teu conceito de maciez porque de cada dez bocas que você beijou me cansava ouvir você dizer que onze eram macias. Duvido. Da maciez e da quantidade de bocas.
12 de setembro de 2009

Hoje tinha uma bola amarela no lago e eu me lembrei de você. Semana passada eu te escrevi e você não me respondeu. Há meses atrás eu chorei no pátio de uma formatura e me neguei a entrar no teu carro quando você me chamou porque eu não queria que você me visse daquele jeito. E eu venho não querendo que você me veja desde sempre, estou cansado de mim mesmo por não desistir de escrever pra você. Estou cansado de viver um sentimento que nem vive nem morre, você exerce uma espécie de existência perene dentro de mim. E eu acho que não deve ser assim. Tem um filme chamado Summer Storm e eu acho que você deveria assiti-lo. É mais ou menos assim. E não importa por onde eu ande, com quem eu esteja e você sabe que sempre um dia eu consigo estar com quem eu quero, ninguém preenche você. Ninguém te substitui. Ninguém ocupa. E isso é repetitivo porque nem eu mais aguento esse sentimento que atravessa os anos dentro de mim independente dos outros e do que eu sinta por eles. É lógico que às vezes ele diminui, mas ele sempre volta. Como um pêndulo de um relógio que canta`os velhos tempos sempre acabam voltando`. Dentro em breve faz um ano do dia em que escolhi pra tentar ouvir de você. E eu te juro que quanto mais a gente se esconde mais a gente se perde. Hoje eu acho que está na hora de um pôr-do-sol em você. Minhas màos procuram as teclas, e minha memória lembra das tuas mãos, que eu sempre achei lindas. Meu cárcere é a angústia de nunca poder ter sabido como teria sido se você tivesse me deixado mostrar o quanto eu sempre gostei de ti.
5 de setembro de 2009
Volta. Eu queria que fosse possível. Eu queria que você também me quisesse. Eu queria passar horas infinitas com você, queria fazer você sorrir sempre, queria te acompanhar, queria te surpreender, queria viajar contigo, queria jantar contigo, ver todos os filmes que eu não gostaria de ter que ver sozinho, gostaria que você cuidasse de mim, gostaria de poder fazer por você tudo aquilo que eu posso, eu queria o teu sorriso, o teu jeito, eu queria todo o teu brilho e eu queria te entregar meu sorriso, meu carinho, meu companheirismo e minha ambição, eu queria que você entendesse o que nem eu mesmo entendo e eu queria ficar do teu lado porque você faz uma falta na minha vida que eu não sei viver sem e eu sempre acordo sabendo que tá faltando alguém e tendo que me acostumar com a tua ausência e tenho mil fasese mil frases e mil faces e mil sentidos alterados quando penso em você. Eu preciso escolher fazer você partir pra sempre e eu já escolhi isso tantas vezes mas não funciona muito bem. Eu acho que não funcionou nunca de verdade porque eu sempre quero você comigo de um jeito ou de outro. Eu preciso matar minha esperança de te ter, eu preciso aniquilar aquela chama tímida de felicidade que nasce sempre que eu penso em ti e na gente e naqueles momentos que eu me sinto feliz e você também, e que a gente sabia passar juntos. Mais do que qualquer coisa eu queria que você soubesse que eu te amo. E eu te amo porque 'eu gosto de você' é tão fraco pro que eu sinto, por favor, me ajuda a te matar em mim. Eu quero parar de doer por gostar de ti mas eu não tenho conseguido. Se nem mesmo a distância, a ausência e a separação fizeram isso por mim fui levado a pensar que talvez só você pode fazê-lo. Não quero sentir isso pra sempre por você se eu não posso ser feliz contigo. E é com aquele arrepio de emoção que corre meu corpo agora que eu queria que você soubesse que eu sou aquilo que eu sempre te disse e te entreguei.
22 de agosto de 2009
É como a tentativa de acertar a bola na cesta e fazer os pontos finais, do segundo tempo de um jogo que define toda a rodada, e você não pode perder a oportunidade essencial e final de fazê-lo e vencer a partida. E você não tem a perícia esperada, nem talvez está no momento certo da sua vida, mas o time todo e a torcida inteira da arquibancada acredita que nos próximos dez segundos teu braço vai enquandrar a bola no ângulo perfeito e ela vai descrever um arco simétrico à cesta e então os pontos vão ser feitos e todos vão correr pra te abraçar e a arquibancada, em saltos, vai fazer a festa do ano porque o time está sem vencer um campeonato há muito tempo. O problema é que tudo isso pode bem ser só fruto de uma das possibilidades dos próximos segundos porque se o time, e a imprensa e a arquibancada toda soubesse, o que realmente acontece na cabeça e na vida daquele jogador que agora pega a bola com as mãos e que olha pra cesta e faz cara de concentrado, e no momento em que ele ergue as mãos e mira a cesta e dribla o adversário e todos imaginam que a seguir vem o ponto necessário acontece que o jogador não sabe mais. E eu queria que você soubesse que eu não sei jogar bola, tempouco acertar a cesta que vence e decide o campeonato e por isso eu não sou alguém pra alguém porque toda a minha arquibancada e a imprensa e meu time no fundo não conseguem enxergar quem eu realmente sou, e naquele segundo o jogador largou a bola e calando o estádio não mais pelo suspense e sim pela surpresa, e aos olhos incrédulos dos flashes e do seu próprio time se retirou da quadra para o corredor escuro e pensante do vestiário pra onde sempre as dúvidas caminham e se vão. E é como um fim de tarde gelado e nublado e quieto, com um vento cortante que não te deixa saber como realmente está a temperatura e o que os próximos segundos te reservam.30 de julho de 2009

É como aquele vento gelado que nos calou naquela tarde já quase noite lá perto do pôr-do-sol mais bonito da terra. E todos os minutos em que eu esperei por uma palavra tua foram como aquela lembrança, doce, amarga, daquele dia em que você fez de todo meu céu pura prata. E eu sinto em te dizer mas eu já não consigo mais entender o porquê, eu desisto de querer compreender tuas razões porque não suporto a dor de ter sido escolhido pra ser traido, e de ter ouvido, da tua boca, aquelas palavras todas, que me feriram tanto que eu até acho que vou viver muito mais do que eu achava porque nenhuma das gotas pontiagudas me levou a vida. E é tão engraçado que se eu não te amasse eu não estaria aqui, escrevendo isso, estaria indiferente, sorrindo por ai como eu bem sei fazer, afinal, quem mais alicia as pessoas com sorrisos como eu? Naquela noite gelada eu decidi deixar de lado todo aquele turbilhão que eu sempre tento domar desde que a gente é a gente. E essa desistência não leva embora tudo aquio que você me trouxe de bom, e todas as vezes em que eu senti que consegui te fazer feliz, porque esse foi sempre o meu objetivo. E não pela primeira vez pago o preço de cruzar aquela linha, imaginária, que sempre me coloca do lado que não é meu, a serviço daqueles a quem me devoto, e no fim, eu sempre acabo tendo que quitar uma prestação que não é minha, porque tudo que eu sempre fiz foi por você. E esse é aquele em que meu céu se enche de brisa, e todas as nuvens mexidas não me deixam dúvidas. Eu só queria que você soubesse que eu preciso que você parta, já há tempo que eu sabia que a tua estrela precisava ir, porém hoje, não me resta mais desculpa pra me enganar, o fato é que mais uma vez, apesar de te amar, preciso que você parta, e se você não assim quiser, eu parto, sem deixar pra trás, tudo de perfeito e aquele sonho que você me deixou viver contigo.
7 de julho de 2009

É como uma chuva celestial de prata torrencial, e todos os pontos, cintilantes, que eu assisti durante todo o tempo do mundo no céu, e que eu achava que eram a maior nuvem e a mais bela de minha vida que eu já fotografei, desabavam sobre mim. Por um instante achei que não fosse real, e quando eu olhei pros lados vi que eu estava sozinho e que aquele céu luminoso me alcançava e já não brilhava mais, quando eu pude notar, não eram gotas o que caia do céu, e sim infinitas agulhas esculpidas em prata, milimetricamente recortadas, olhei pra todas os lados e só chovia prata, e quando me dei conta que eram frias, e pontiagudas, e reais, e que me feriam eu tentei gritar mas minha boca foi toda completamente coberta por picadas, e quando eu senti minha pele imersa em prata não conseguia mais distinguir o que era dor e o que não era, e meus olhos foram ficando escuros, porque segundo a segundo as agulhas iam cobrindo minha irís, e fixando minha pálpebra, e logo eu já não enxergava mais, e então eu não sentia mais nem o gelado da prata nem o vento da tempestade pontiaguda porque minha carne estava sendo comprimida e todos os espinhos, como num passe de mágica tomavam vida, e derrepente percebi que em uníssono, todos marchavam pra dentro de mim, e logo senti todo o meu sangue que vertia de cada poro de minha pele e de minha alma escorrendo, e quando voltei a enxergar por instantes porque as agulhas fizeram tanto peso que caíram de meus olhos, percebi que não havia mais nada além de metal ao meu redor, e nenhum passo eu conseguia dar, nenhuma palavra eu podia proferir, porque as agulhas me engessaram por dentro e me deixaram oco, e eu escorri naquele chão que eu já não podia ver porque o céu estava escuro e a nuvem cintilante, do prateado mais imponente, tinha tomado todo o céu e todo o sol, e o chão estava coberto de espinhos, e meus pés estavam banhados nas agulhas, e como numa apoteose de metal e sangue eu queria que você soubesse que eu fui dilacerado pela violência da chuva, e a tempestade que me obliterou, teve êxito completo, porque as agulhas que caminhavam dentro de mim encontraram meu coração e o venceram, e quando me dei conta que estava coberto por prata e escuridão, e que eu já não sentia mais nada, percebi que eu já havia partido e que eu não queria perceber. E todos os céus se apagaram, e todas as estrelas se extinguiram, e todas as palavras faliram e esmoreceram pra que você nunca esqueça que tem toda a maestria e a perfeição dignas do êxito de um deus.
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