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22 de dezembro de 2012

Eu sempre tive medo de ser feliz amando. Desde sempre acreditei que eu não merecia o exercício dessa felicidade. Um dia, enfrentei com o destemor dos inocentes os muros construídos por mim mesmo que me impediam de amar. Descobri que a imensidão do sentir não tem limites. E aí o destino me trouxe você. Apresentou-me uma pessoa incrivelmente especial. Como uma estrela rara encapsulada. Naquele momento alguma coisa mexeu comigo. Foi como se eu tivesse enxergado que havia uma luz presa no interior daquela gema preciosa. E aquela luz pulsava e brilhava numa intensidade tal, que fui compelido a libertá-la. Lutei com afinco para vencer todas as defesas que prendiam a estrela no interior do cristal, enfrentei tempestades, redemoinhos e nevascas, e consegui abrir o segredo que a enclausurava. Hoje percebo-me iluminado pela luz estelar, e ao mesmo tempo em que explodo de felicidade, sou tomado por aquele medo repetido. Meus fantasmas dizem que não a mereço, que por ser quem sou não posso ficar com ela. Talvez seja por isso que sempre pedi pra você: -Fica comigo. Eu preciso de ti porque só você pode me ensinar a largar da borda. Eu preciso de você porque eu me encontrei em ti. E tenho certeza que você me faz bem. Neste instante eu queria te agradecer profundamente por cada segundo de cada minuto de cada hora. Te dizer que sou uma pessoa incrivelmente melhor desde o dia em que passei a estar contigo. Muito obrigado por ter vindo me encontrar. Por ter largado da borda. Por enfrentado valente e corajosamente o desafio que é amar. Agora é chegada a hora em que preciso de você. Preciso que você me ensine a vencer as corredeiras. Que você me oriente a percorrer as esquinas. Que você me ajude a vencer os meus fantasmas com a tua luz. Pega na minha mão quando você também não souber o caminho e vamos descobri-lo juntos. Ensina-me os percursos que já sabes porque eu sou teu. Uma vez eu disse, e hoje repito: não quero mais imaginar a minha vida sem você. Eu te amo tanto que cheguei à conclusão que fazes parte de mim para sempre.

9 de julho de 2012

Amar é isso. É não sentir limites pra mais nada. É correr as lágrimas sempre presas. É permitir vida onde só havia morte. É uma espécie de liberdade sem fim. É como se você deixasse para trás todas as máscaras as sombras e os medos que te encarceravam. Amar é ficar nu. Irrevogavelmente translúcido. Transparente numa espécie de vulnerabilidade consentida. Eu queria que você soubesse que eu te amo. E que isso faz de mim uma pessoa incrivelmente melhor. Você me devolveu a vontade de viver. Você me concedeu poderes que eu nunca tive. E hoje eu me realizo com o simples fato de pensar na tua existência. É uma espécie de lucidez extremada indefinível. E me faltam palavras, agora, pra descrever a imensidão do que me fazes sentir. A grandeza que você me provoca. A apoteótica e celestial febre de sentimentos que me acomete quando estou contigo. Você é minha paz. Meu espírito. Meu refúgio. O caminho por onde a ponta do dedo aponta o futuro. Você é a felicidade empenhada no grito. E eu vou lutar, incansável e ardorosamente por ti. Não vou largar da tua mão, porque eu preciso de você ao meu lado. Espero poder te realizar como você me realiza. Eu quero que você saiba que há meses todos os meus sorrisos meus sonhos e minhas esperanças são teus. E não há nada que me furte, neste instante, a te afirmar que eu sou teu. Obrigado por existir. Te agradeço por cada segundo de cada dia, por cada letra de cada linha; e por teres tido a coragem, nobre e honrosa, de lutar por ti mesmo, por mim, e por nós. Confesso, por derradeiro, que tenho um desejo, último: conseguir, algum dia, de forma absoluta, te fazer ter certeza de que nós sempre vamos ter valido às penas, todas. Eu queria que você soubesse que eu nunca vou te esquecer, e que a partir de hoje você faz, de modo inexorável, parte de mim. Para todo o sempre. 

30 de outubro de 2011

Isto é uma confissão às avessas. Minha alma padece de um tipo de doença que não tem cura. Não existe soro do esquecimento ou prática imunizatória à carência de você. Estou acometido por uma desnutrição severa da alma, tão poderosa a ponto de aniquilar qualquer tentativa de socorro que tenho tentado, há meses, operar. Não reconheço mais meu espírito no espelho porque tua alma deixou rastros inocultáveis por sobre ele. Você esqueceu de me avisar que os teus desenhos são inolvidáveis, que tuas palavras são inapagáveis, e que teus toques são irremovíveis de qualquer memória. Fui condenado à pena perpétua de te amar sem direito a contraditório e ampla defesa; e hoje, passada a paixão, me sinto como um dependente químico reincidente, contumaz e falível no desejo por você. Estou rendido às tuas lembranças como um algoz para com a execução de um condenado. Não tenho mais forças para lutar. Minha dependência emocional me declarou vencido pelo tempo, e só me resta contemplar a vida passando pela janela, como um exímio condenado à espera da morte, que cedo ou tarde, como o grande amor de nossas vidas, sempre vem para nos fazer partir.   

28 de agosto de 2011

Tem uma nota de piano na música que eu escuto, e eu nunca tive a oportunidade de aprender a tocar um. Hoje eu chorei pela primeira vez desde que nos deixamos, lá atrás, no começo do outono. E pela primeira vez consegui vencer meio bloqueio psicológico que me impedia de sentir minha alma. Me senti humano outra vez, sensível, estimulável, doce. Eu li as cartas que você me escreveu, contemplei as fotos que você me entregou, e lembrei, por um momento, de todo o amor que você me fez sentir, de toda a aceitação que você me concedeu, de toda a proteção que você me deu, e de todo o desejo que você investiu ao me escolher. E eu lembrei que eu também te escolhi, porque nunca toquei ninguém como te toquei, porque nunca beijei ninguém como te beijei, e porque nunca mais senti nada parecido com aquilo que você me fazia sentir. Na caixa onde guardo as coisas mais preciosas que tenho tem uma foto tua, de quando eras criança, tirada na França, e tem vários corações nela. Eu queria te ligar hoje, dizer que eu sinto saudade e entendo que precisamos ficar separados, porque não é o momento para estarmos juntos, mas não consigo. Acho que é um contato desnecessário porque pra mim, você parece estar muito bem, e eu não quero de forma alguma mexer naquilo que você conseguiu construir pra você. Nessa tarde o sol se colocava como quem partia deixando rastros, memórias, marcas indeléveis como as que deixaste em mim. E apesar da vontade de estar contigo, e do desejo por sentir tudo aquilo que fazias eu sentir, eu só queria que você soubesse que sim, eu aceito me casar um dia com você, e que sim, podemos morar juntos e ter quartos separados, e que se algum dia isso acontecer, eu estarei pronto pra fazermos tudo aquilo que um dia sonhamos juntos que iríamos realizar. Sou eternamente grato à sorte surpreendente que um dia me levou a você. Te amo.

15 de junho de 2011

É como se acendessem milhares de estrelas no céu. É como se iluminassem as trevas e as tornassem penúmbra. É como vencer todas as ondas gigantes que sempre arrasavam a praia. É como quebrar os grilhões que te prendiam à âncora. É como irromper pelas grades da cela. É como transcender todo o medo, a dor, o constrangimento e o sofrimento imbricados na pena perpétua da vida. É mais ou menos como sentir na veia a alforria formal. É uma espécie de estado de sobriedade acelerada que te retroalimenta de paz e amor. Eu queria que você soubesse que eu sempre estive perdido. Que eu sempre estive vagando pela tradução, pela tentativa moribunda e infrutífera de me fazer entender, expressar, proclamar, repartir, significar, transcender. E então chega um dia em que você, sem mais nem menos, ato contínuo percebe que não existe mais tentativa, que não existe mais necessidade, que não há premência, porque, motivo, razão ou circunstância para tentar ser. É como se tivesse uma hora, um momento e um espaço dentro do tempo em que você se percebe sendo. E aí, quando você é, não há mais nada. Todos os teus sonhos recorrentes são vencidos e obliterados, todos os teus medos e traumas são derrubados como muros, e você se vê, nu, diante de um espelho sem fim que em verdade é um campo verde infinito florido e agradável como a tarde mais confortável e especial da primavera. Tem alguma coisa a ver com uma espécie de estado transitório denominado de felicidade. Como quando tudo aquilo que você sempre quis sentir se torna sólido e imaterial e invade você na proporção da alma e então nada mais importa. É como se você recebesse as asas que sempre quis ter. E num salto, último, único, primordial, se lançasse aos céus do alto da torre em que sempre fosses prisioneiro de si mesmo. E por dentro dos ares, das nuvens, você e o vento se tornassem uma coisa só porque a vida é um mistério engraçado que sempre vai além daquilo que se vê. Diante disso, eu só queria que você soubesse que eu sempre tentava ser alguém que eu já era, e que a gente só consegue ser quem a gente é, de verdade, quando a gente se respeita plenamente, de forma visceral, nevrálgica e irrestrita, do começo ao fim, do princípio ao final, do primeiro dos fios de cabelo até a última das unhas dos pés.

26 de fevereiro de 2011

Acho que as metáforas não dão mais conta de (me) dizer. É como se existisse uma falência no modo de tradução dos meus sentimentos. Não sei mais como me dirigir a você. Ainda mais agora. Deve ser o recomeço, suponho. Deve ser essa inédita etapa de se (re)conhecer, e de (se)descobrir (n)o outro de um jeito ainda mais novo e intrigante. E se não for só receio, então deixo aqui em aberto dizendo que não sei o que é. Hoje meu coração cintila como aquele sol poente da foto: tímido, poderoso, fulgurante e iluminado. Meu desejo mais profundo é que eu consiga te entregar tudo o que eu posso, e que a gente saiba aproveitar essa oportunidade única de se proteger se amando, se respeitando daquele nosso jeito especial de outrora. Ambos somos produtos de uma operação que tem como resultado final uma imprevisibilidade acordada. Somos conquistadores do que não sabemos e do que não conseguimos elaborar, como que eternamente enredados por nós mesmos. Complexos, profundos, múltiplos, sintenticamente inacabados nos propomos a reconstruir alguma coisa que um dia começamos juntos. Não tenho o teu domínio da escrita, e na falta da tua fluidez e leveza te deixo em recorte esse pedido especial, e esse desejo quintessencial de sorte. Que tenhamos tranquilidade, paz, amor, e muita boa ventura nessa fantástica empreitada a que nos propomos seguir. Um dia eu quis a oportunidade de ser pra ti tudo aquilo que eu poderia ter sido e não fui, agora eu te digo que vou ser. Até sempre serei contigo quem eu sou, e quero que você seja comigo quem você realmente é também. Do teu eterno conquistador, com todo meu amor. ZG

4 de janeiro de 2011

Eu me sinto baleado. É como se tiros tivessem me rasgado a carne e balas implacáveis perfurado meu coração. A dor de te amar é comparável, talvez, a de um projétil se estilhaçando por dentro de meu peito. Eu queria te dizer que a gente tinha alguma coisa de puro. Nossa essência era substancialmente verdade. E o que nutríamos um pelo outro é algo tão bonito e sincero que custo a recobrar a consciência de que algum dia vou repartir algo daquela ordem com alguém novamente. Eu queria que você soubesse que eu te amo em silêncio, calado, emudecido, numa espécie de penumbra de mim mesmo por tentar incessantemente eclipsar o que eclode de cór, de dentro de mim. Tenho me perdido desde aquele dia em pensamentos e lembranças e  recordações e fotos e músicas e suspiros e recortes de alguma coisa que vivemos ou sonhamos viver juntos. Inevitavelmente sou compelido a revisitar que você me fez melhor, me tornou célebre, e tranquilo, e feliz. Eu não sei como você se sente agora, e a despeito de já ter tentado de todas as formas e jeitos que concebi, respeitar a dor inevitável e a ausência inafastável de ti, acredito que fracassei. Nesta tentativa última procuro anunciar que eu sempre vou acreditar que não há limites pra te amar. E que talvez me tenha faltado na hora que mais precisei, aquela coragem inerente aos distintos, pertencente aos nobres e reais e bons homens que nunca se rendem. Eu queria ter mergulhado um pouco mais fundo, ousado um tanto mais, e respeitado o desafio que é construir uma história junto com alguém tão brilhantemente especial como você. Desejo que algum dia eu conquiste a disciplina que me faltou ao não ter lutado mais por nós, e por você. Perdão por eu ter sucumbido às minhas limitações, e não ter tentado ao máximo ser aquilo que eu poderia ter sido por ti, e não fui. Que algum dia eu seja, então. Com a benção de Caio F, e deste amor que nunca senti por ninguém exceto você;
Zé.

13 de dezembro de 2010

Porque nada é absoluto. Milhares de folhas verdes escuras e claras se chocam lá fora com o vento incessante e gelado que transformou essa cidade em cinza em plena primavera quase verão. E hoje eu me sinto no outono quase inverno. Só que ao contrário. Minha pele em riste parece denunciar uma espécie de falta transmutada em amargura e dor que acaba por me levar a um choque interno intenso e íntimo. Dezenas de correntes me elevam a uma altura que nunca estive e orquestradas me soltam em direção ao chão que não é só meu destino mas sim meu túmulo mais supulcral e definitivo. Quando eu disse que te amava pela primeira vez eu experimentava todo o prazer único, exclusivo, intenso e inesquecível de se entregar pra alguém que se entrega pra você, e nossos corpos foram um só porque eu nunca havia sentido a vontade e o desejo e o amor carinhoso e permeável e intenso e bonito e valente e corajoso que eu senti por você. Eu só queria que esse outono quase inverno fosse aquele nosso verão do avesso perfeito e desenhado que havíamos nos prometido. Eu te desejo toda a liberdade do mundo porque teus olhos inocentes e reticentes e molhados e suaves são o retrato de um homem brilhante, único, singular e idealizado de forma potencializada pela dor de amor que eu sinto agora por você. Que essas rajadas geladas e sombrias lá fora consigam petrificar e pacificar tudo de mais especial que vivemos juntos dentro de mim.

24 de outubro de 2010

Daria pra começar dizendo que é o calor da tua mão na minha. Ou então que é como o toque na tua pele, de seda, e o arrepio que eu sinto sempre quando eu te toco e você me toca. Também dá pra dizer que é como aquele calor que eu sinto do lado esquerdo do peito quando eu caminho por dentro do escuro e dos feixes e da música e dos beijos e dos corpos e da bebida e do agito e lá meio-escondido estão nossos dedos entrelaçados. E assim como quando meus braços envolvem os teus braços e eu sinto teu abraço no meu abraço é como quando a gente se olha meio parados no tempo e é como se alguém tivesse congelado o relógio que continua girando sem o tempo passar pra gente. E eu digo que o tempo passa e o relógio fica congelado porque às vezes é como se fosse muito mais tempo do que já foi ao mesmo tempo em que a barriga ainda fica gelada, e os arrepios e o sabor e o medo e a delícia e  asensação é a de se estar conhecendo, descobrindo, desnudando. Eu queria que você soubesse que quando a gente está perto eu sou mais do que eu poderia ser sozinho. Que ainda tem uma soma incompleta entre a gente e é a busca por esse produto que faz da nossa multiplicação algo tão mais que o que poderia ter de matemático numa metáfora barata como essa. Por isso, eu te desejo muitos arrepios inteiros, e sorrisos intensos e vontades realizadas porque aquilo que você entrega me faz alguém que desenha sonhos no mundo e que distribui amor de um jeito que eu nunca achei que ia poder repartir. Todos os pedaços dessa conta são parcelas de uma fatoração que só você soube operar e é por conseguires equacionar essas variáveis que eu tomo a liberdade e o prazer de te dizer que você é majestoso e real.

28 de setembro de 2010

Eu queria começar te dizendo que eu escrevo por eu quero te mostrar o que eu sinto. Queria te dizer que meu quarto é pequeno mesmo, que tem muitas poucas coisas soltas e aleatórias e que meus livros estão empilhados porque não tem muito espaço sobrando por aqui. E apesar desse aperto todo, eu mesmo me repartiria em mil pedaços pra poder te acolher aqui dentro. Eu nunca vou chegar a ser aquilo que você espera que eu seja, porque eu nunca vou chegar perto de ser você, e eu quero me desculpar por isso. E esse pedido formal de perdão é porque eu sou assim, imperfeito, interrompido, segmentado, e talvez eu nunca tenha conseguido superar isso de forma total e plena e irrestrita. Quero te pedir desculpas também por eu não poder ser tudo aquilo que você merece e também por não ter tudo que você precisa, mas eu não posso alterar algumas coisas que não dependem do exercício das minhas mãos e da minha força. Eu queria que você soubesse que o que eu sinto por ti é algo da ordem daquilo que não se mensura e não se qualifica e que tenho sido repetitivo porque é inconcebível elaborar enunciados que deem conta da tua imensidão e da vastidão da tua presença em mim. Quero consignar ainda que você tem liberdade ampla, segura e imediata pra abordar qualquer coisa comigo, mesmo que isso signifique alguma coisa que você tenha medo de pensar. Eu quero colocar todas as palavras encaixadas, e deixar nossa história sempre completa escrita e clara. E eu queria que você soubesse que tudo aquilo que eu sempre achei que fosse era. Meu desejo mais profunda é tua total e completa felicidade, e eu estou me colocando a disposição pra que possas sempre se sentir assim, completo. E se isso significar que eu, quem sabe, tenha que deixar de ser parte daquela dupla celeste que reparte uma coroa cintilantemente estelar e única, eu não me importo, porque não há limites pra te amar. E se essa for a taxa da felicidade, não me recusarei a honrá-la, porque quem sabe eu seja daquele tipo de plebeu que nunca tenha que vir a ser rei.

12 de setembro de 2010


É como se você tivesse desnudado todas as minhas fantasias, devassado todos os meus sonhos, invadido todos os meus asilos, violado todos os meus segredos. Meu consentimento é tão teu que já não o elaboro como propriedade individual. Eu sou repartido de uma forma dupla e compartilhada que me amedronta pela integridade, amplitude e forma implacável com que é feita. O que eu nutro por você é tão absurdamente claro e lúcido que o tempo só tem determinado uma acuidade visual ainda mais perfeita e precisa, não existem mais borrões, névoas ou incertezas. Minha definitividade nunca foi tão confortante e harmoniosa. E me descobrir par, dessa forma pura e inocente, me traz uma leveza e uma felicidade que, até então acostumado com o inverso, não sei lidar bem. Sinto nas veias e na pele e na alma o vento gelado e singular de uma praia vazia e ensolarada de inverno que só a gente pode visitar. Tua presença me concede vontades inéditas, valentismos juvenis, coragens que eu não sabia deter, dotado da capacidade de sentir, você me leva a experimentar e viver o mundo de uma forma tão integral e intensa que já não há mais margem pro medo do desconhecido, eu me sinto possuido pelo desejo de viver sem freios, espelhos e ameaças. O receio que persiste é o de eu, talvez, ainda me sentir ínfimo e inglório frente a imensidão da tua presença e do teu ser. Desaprendi a escrever porque não sei explicar minha completa e consciente e total entrega absoluta a você. E prefiro assim, antes o amor que as letras.

23 de agosto de 2010

Um raio de luz atravessou todos os vidros opacos e cinzentos e escuros e sujos e borrados e penetrou por todas as barreiras e encontrou um espelho. O espelho acordou com aquele choque de fótons incandescentes e rápidos e dourados e brilhantes e em fulgor e então refletiu como que automaticamente para todos os lados daquele cômodo fechado e enclausurado e hermeticamente isolado desde sempre. As paredes sombrias e enegrecidas pelo vazio e pela ausência de claridade passaram como que num passe de mágica a se desmanchar como que fumaça ao vento e então os vidros e as janelas, inteiras, foram desabando ao chão como papel picado no ar, e o espelho atingido pelo raio via a intesidade da força da luz aumentar e então o que era um raio passara a ser um feixe e o feixe se fez turbilhão e tudo passava a ser plástico e plasmado e fluido e já não havia mais espelho nem origem da luz porque tudo era claridade e calor e intensidade e força e carinho. E então ele acordou e sentiu que continuava sonhando, tomando consciência da realidade ele percebeu que o raio de luz era corpóreo e ele, o espelho, carne, e que havia alguma coisa presente, e não ausente, suspensa ao seu redor e que tinha laços, invisíveis, que o enredavam por completo, e essa rede intangível lhe dava a sensação de conexão mais libertária que ele já havia sentido. De dentro do seu coração partiam pulsões vívas e vívidas e vibrantes que percorriam todas as linhas imaginárias e acabavam por desaguar na foz de um outro coração ainda mais quente e nobre e vermelho que batia como que num ritmo celestial e que lhe devolvia a energia numa ciranda elíptica e eletrônica que era inintelegível, e assim, num movimento incessante e avassalador de luz e amor e dourado ele já não era mais matéria nem energia nem calor e só havia som e amor e tudo era uma essência disforme e densa que condensava e em espiral descia para habitar o formato recortado e solene e sofisticado de uma coroa destinada a tornar majestade um rei.

18 de agosto de 2010

Eu queria te dizer que tem que ter paixão. É como quando você descobre que sabe fazer alguma coisa bem, e que aquilo te realiza, e então você não para mais de ter vontade de repetir e de se aperfeiçoar. Eu queria te dizer pra você não ter medo nenhum, porque quando a gente ama de verdade não existe nada que pode nos atingir. O amor é uma espécie de escudo-vacina, uma proteção mágica que te encanta e te percorre e te envolve de um jeito que você se torna invencível. Só que ser implacável não basta, existe alguma coisa ainda mais secreta e essencial pra ser entendida e descoberta. Eu queria que você soubesse que eu acho que descubro você todo dia. E esse sentimento de conquista e desbravamento é uma das melhores experiências que qualquer um pode ter, porque a felicidade de encontrar todo dia um tesouro é algo da ordem daquilo que não se denomina. Eu queria acrescentar ainda que todas as minhas palavras ausentes são tuas, e que como eu não posso ir ao céu buscar a estrela mais cintilante e bonita pra te presentear, eu espero que você aceite a minha coroa simbólica, feita de letras e frases e poesia e cravejada de amor.

5 de setembro de 2009

Volta. Eu queria que fosse possível. Eu queria que você também me quisesse. Eu queria passar horas infinitas com você, queria fazer você sorrir sempre, queria te acompanhar, queria te surpreender, queria viajar contigo, queria jantar contigo, ver todos os filmes que eu não gostaria de ter que ver sozinho, gostaria que você cuidasse de mim, gostaria de poder fazer por você tudo aquilo que eu posso, eu queria o teu sorriso, o teu jeito, eu queria todo o teu brilho e eu queria te entregar meu sorriso, meu carinho, meu companheirismo e minha ambição, eu queria que você entendesse o que nem eu mesmo entendo e eu queria ficar do teu lado porque você faz uma falta na minha vida que eu não sei viver sem e eu sempre acordo sabendo que tá faltando alguém e tendo que me acostumar com a tua ausência e tenho mil fasese mil frases e mil faces e mil sentidos alterados quando penso em você. Eu preciso escolher fazer você partir pra sempre e eu já escolhi isso tantas vezes mas não funciona muito bem. Eu acho que não funcionou nunca de verdade porque eu sempre quero você comigo de um jeito ou de outro. Eu preciso matar minha esperança de te ter, eu preciso aniquilar aquela chama tímida de felicidade que nasce sempre que eu penso em ti e na gente e naqueles momentos que eu me sinto feliz e você também, e que a gente sabia passar juntos. Mais do que qualquer coisa eu queria que você soubesse que eu te amo. E eu te amo porque 'eu gosto de você' é tão fraco pro que eu sinto, por favor, me ajuda a te matar em mim. Eu quero parar de doer por gostar de ti mas eu não tenho conseguido. Se nem mesmo a distância, a ausência e a separação fizeram isso por mim fui levado a pensar que talvez só você pode fazê-lo. Não quero sentir isso pra sempre por você se eu não posso ser feliz contigo. E é com aquele arrepio de emoção que corre meu corpo agora que eu queria que você soubesse que eu sou aquilo que eu sempre te disse e te entreguei.

27 de julho de 2009

Eu te amei de um jeito tão intenso e secreto e perpétuo que é até estranho falar sobre isso porque eu achava isso era tão meu e estava tão guardado que eu nunca pretendi escrever sobre. E eu nunca consegui colocar isso pra fora porque sempre imaginei que desfazer esse segredo comigo mesmo significava perder o pouco de você que eu julgava que tinha e esse era um preço que eu não estava disposto a pagar. E todas as vezes em que lia alguma palavra tua, ou esperava alguma ligação, ou escutava algum anseio teu, eu sempre tinha a disposição, irrefreável, de tentar te satisfazer porque isso me mantinha perto de você. E essa ilusão que eu criei de que um dia você ia perceber tudo aquilo que eu sentia por você sem precisar dizer, e que você estaria disposto a viver tudo aquilo que a gente podia ousar, e que por um momento, em algum instante, desse tempo que a gente passava junto você ia olhar pra fora, essa esperança inversa, que me fazia lutar contigo pelo que você queria, acabou me calando e me destruindo enquanto nos desconstruíamos continuamente. E chegou um dia em que a onda da praia levou o castelo inteiro, e quando eu abri meus olhos só havia areia e água e nem mais uma coluna estava de pé. Quando eu decidi te entregar em palavras de outros, aquilo que eu tentei conseguir te dizer e nunca disse, eu estava optando caminhar pela mesma praia onde durante toda a minha vida viveu um espectro, do sonho, inconsciente, talvez, daquilo que eu imaginei que um dia, quando sorria pensando em você, que eu chegaria perto de viver, algo que eu queria mais do que tudo. E foi o querer que me levou até tão longe e se eu posso usar esse cenário eu queria te dizer que se alguma vez alguma coisa foi teatral era porque eu estava me traindo quando fazia tudo que podia por ti, porque o meu gostar de você era tão grande, e engraçado, e terrível, que toda a confusão que eu sentia nunca me deixava claro qual definição usar quando eu chegava perto de você. E essa busca, por essa essência, que um dia eu empreendi, eu queria que você soubesse agora que arrefeceu. E eu te digo que está acabado porque é na operação do tempo, que a gente sente se a página foi virada, e se a estação se sucedeu, é como quando a pele da gente já não se arrepia mais porque o inverno partiu. E ai temos a certeza que a primavera vem em seguida. E esse é aquele em que eu tento te dizer, por mim, o que foi que se operou naquele verão, singular, que apesar de todas as nossas diferenças e incongruências, inconciliáveis e desastrosas, eu tive o prazer e a realização de viver.

17 de novembro de 2008


UM SONHO NUM SONHO

Este beijo em tua fronte deponho!
Vou partir. E bem pode, quem parte,
francamente aqui vir confessar-te
que bastante razão tinhas, quando
comparaste meus dias a um sonho.
Se a esperança se vai, esvoaçando,
que me importa se é noite ou se é dia...
ente real ou visão fugidia?
De maneira qualquer fugiria.
O que vejo, o que sou e suponho
não é mais do que um sonho num sonho.

Fico em meio ao clamor, que se alteia
de uma praia, que a vaga tortura.
Minha mão grãos de areia segura
com bem força, que é de ouro essa areia.
São tão poucos! Mas, fogem-me, pelos
dedos, para a profunda água escura.
Os meus olhos se inundam de pranto.
Oh! meu Deus! E não posso retê-los,
se os aperto na mão, tanto e tanto?
Ah! meu Deus! E não posso salvar
um ao menos da fúria do mar?
O que vejo, o que sou e suponho
será apenas um sonho num sonho?

(Edgar Allan Poe)

8 de novembro de 2008

Cada palavra tatuada em negrito.
Cada desejo gravado como em pedra.
Cada lembrança presa como estrela no alto.
Cada sonho do tamanho de um suspiro de paixão.
Cada momento costurado em mim como grito, pedido, súplica.
Amor de cada amar meu, vontade do céu ao chão.

Junior

7 de outubro de 2008


Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo

Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta essa curiosidade pelo momento a vir

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

Vinícius de Moraes 15/04/1962


Encaixa


30 de setembro de 2008

Deixe Ir


Por que há beleza nos transtornos

Reencontro

Let go


Drink up, baby down
Mmm, are you in or are you out
Leave your things behind
'cause it's all going off without you
Excuse me, too busy you're writing your tragedy
These mishaps
You bubble wrap
When you've no idea what you're like

So let go, jump in
Oh well, whatcha waiting for
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown
So let go, just get in
Oh, it's so amazing here
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown

It gains the more it gives
And then it rises with the fall
So hand me that remote
Can't you see that all that stuff's a sideshow

Such boundless pleasure
We've no time for later now
You can't await your own arrival
You've 20 seconds to comply

So let go, jump in
Oh well, whatcha waiting for
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown
So let go, just get in
Oh, it's so amazing here
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown

So let go, jump in
Oh well, whatcha waiting for
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown
So let go, just get in
Oh, it's so amazing here
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown
'cause there's beauty in the breakdown



Frou Frou